Os macacos não propagam o vírus da febre amarela silvestre. Eles são apenas vítimas do vírus, assim como os humanos. As primeiras vítimas na verdade, e como tal ajudam o homem a se proteger contra a doença, porque alertam as autoridades para as medidas preventivas adequadas. Eles são as “sentinelas” da febre amarela silvestre. O registro de 19 casos de febre amarela em humanos que culminou em 10 óbitos neste início de 2008 foi atribuída à morte de primatas, principalmente na região centro-oeste do país. O fato foi desencadeado por informações desencontradas, e um imperdoável ataque indiscriminado aos macacos, que na verdade são as primeiras vítimas da presença do vírus da febre amarela silvestre. São colaboradores das autoridades de saúde pública nas medidas de prevenção à doença. Matar os macacos, como vem ocorrendo em alguns locais, é um ato insano, praticado contra o próprio homem. A morte dos macacos por febre amarela silvestre evita a morte de pessoas, porque indica as autoridades que algo está acontecendo, e medidas de prevenção, como a vacinação, são rapidamente tomadas. Sem os macacos, não há aviso, e as pessoas ficam totalmente vulneráveis, porque o grande vilão, quem de fato transmite a doença, são os mosquitos.
O Centro de Proteção de Primatas Brasileiros, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, informa que os primatas não transmitem a febre amarela, assim como ela não é transmitida diretamente de um ser humano a outro. Os mosquitos sim são os vetores do vírus da febre amarela. São eles que transmitem a doença aos primatas e aos seres humanos, sendo os mosquitos considerados os verdadeiros reservatórios do vírus da febre amarela, pois, uma vez infectados, assim permanecem por toda a vida. Os técnicos do CPB, em defesa da conservação dos primatas brasileiros, orientam que desflorestar ou matar os macacos não impede a circulação do vírus da Febre Amarela e pode eliminar o papel de “sentinela” dos primatas ao impedir essa valiosa contribuição para a saúde pública. Para o biólogo Marcelo Marcelino, chefe do Centro, “o controle da proliferação dos mosquitos vetores da febre amarela em área urbana passa pelo trabalho de preservação dos habitats naturais dos hospedeiros silvestres que são os primatas”. Por isso, é importante seguir as seguintes recomendações: Em casos de primatas encontrados mortos, ou caídos no solo e fragilizados, não se deve manipular o animal, pelo risco de contaminação por outras doenças e não pelo vírus da Febre Amarela. Em seguida, devem se comunicar imediatamente às Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, ou Delegacias do Ministério da Saúde, responsáveis por analisar os casos. Em casos de primatas vivos, sadios e em vida livre, o Centro recomenda, também, que os animais não devem ser capturados e nem alimentados. Não devem ser retirados do seu habitat e translocados para outras áreas, muito menos mortos, por sua importância para o bem–estar humano, face o papel que desempenham como “sentinelas” em relação à circulação do vírus da Febre Amarela. A FEBRE A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, febril, de natureza viral, que se mantém endêmica ou enzoótica nas regiões tropicais da América do Sul e Central e da África. O virus da Febre Amarela é um arbovírus (do inglês arthropod borne vírus, i.e., vírus transmitido por artrópode) pertencente ao gênero Flavivirus (família Flaviviridae). Este flavivírus, provavelmente, teve origem no oeste do continente africano, e teria chegado às Américas durante o ciclo de tráfico de escravos, carreado pelo mosquito Aedes aegypti. Em humanos, o vírus causa infecção aguda com febre, icterícia, albuminúria, hemorragia, insuficiência hepática e renal, que pode levar à morte em cerca de uma semana. No Brasil, entre 1980 e 2004, foram confirmados 662 casos de febre amarela silvestre em humanos, com ocorrência de 339 óbitos, representando uma taxa de letalidade de 51%.
OS CICLOS O vírus da Febre Amarela mantém-se em dois ciclos básicos. O ciclo urbano, erradicado do Brasil na década de 1940, é simples, do tipo homem-mosquito, onde o mosquito Aedes aegypti é o vetor responsável pela disseminação da doença. O ciclo silvestre é complexo, foi reconhecido na década de 1930 e persiste imperfeitamente compreendido inclusive variando de acordo com a região onde ocorre. Neste ciclo silvestre, várias espécies de mosquitos são responsáveis pela transmissão, sendo os dos gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina, e Haemagogus janthinomys o que mais se destaca na perpetuação do vírus da Febre Amarela no Brasil. Este mosquito apresenta a maior distribuição geográfica conhecida entre as espécies desse gênero. Possui hábitos estritamente silvestres e pica o indivíduo que se expõe na floresta, ou seja, que penetra em seu nicho ecológico. Há evidências, entretanto, que outros animais, como marsupiais arborícolas e preguiças, possam ter papel secundário no ciclo de manutenção viral, especialmente em áreas onde os macacos estejam ausentes ou já imunes ao vírus da febre Amarela. Na Colômbia, por exemplo, na década de 1940, ocorreu uma epidemia de febre amarela na ausência de primatas e apenas os marsupiais foram encontrados com anticorpos anti-amarílicos. Veja o texto de recomendações....
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