Aconteceu no dia 26 de abril às 10:00, no Zoológico de São Paulo, a apresentação do primeiro filhote em cativeiro do macaco-prego-galego. O primata foi chamado carinhosamente pelos técnicos do Zôo de Maria, e pertence a uma espécie considerada extremamente ameaçada de extinção. Trata-se da espécie Cebus flavius, desaparecida por três séculos e redescoberta em 2006, através de pesquisa liderada pelo Centro de Proteção de Primatas Brasileiros, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. "Há informações de que existam 20 populações, mas só encontramos 8. Se o número se mantiver, será uma das espécies mais ameaçadas do mundo", afirma Marcelo Marcelino, do Centro de Proteção de Primatas Brasileiros, do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
João Paulo Capobianco, presidente interino do ICMBio e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, está otimista na recuperação da espécie.
"O mico-leão-dourado esteve numa situação dramática também. O trabalho de recuperação da espécie na natureza, associado às ações em zoológicos, permitiu que se tenha hoje mais de mil animais", afirmou.
 O filhote é o resultado da parceria do Centro Primatas com o Zôo de São Paulo há dois anos, e simboliza a concretização dos esforços conjuntos de pessoas e instituições pela conservação da biodiversidade brasileira. Este trabalho dedicado visa estabelecer uma população viável em cativeiro que garanta, futuramente, a sua reintrodução nas matas. Atualmente este primata já figura entre os mamíferos brasileiros com maior risco de extinção motivado pela redução da Mata Atlântica que é seu habitat natural. Como parte do Programa de Colônias Reprodutivas está previsto o encaminhamento, ainda este mês, de um casal de caiarara (Cebus kaapori), apreendido em cativeiro ilegal, para o Zôo de Minas Gerais. Cebus flavius - O macaco-prego-galego ocorre na Mata Atlântica dos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Apesar de ter sido descrito por naturalistas europeus há mais de 300 anos, sua existência permaneceu ignorada até 2006, quando foi então redescoberta. Este primata vive em grupos de 6 a 14 indivíduos, alimentando-se de frutas, flores, ovos, insetos e pequenos vertebrados. Dada a situação crítica da Mata Atlântica nestes estados, reduzida em cerca de 95% de sua área, o macaco-prego-galego encontra-se extremamente ameaçado. Atuação do Centro Primatas O Centro Primatas, com atuação nacional, promove pesquisas e manejo dos primatas brasileiros, em especial os mais ameaçados de extinção e busca focalizar as espécies menos conhecidas do país. Dentre seus projetos - na geração de informações - destaca, principalmente, aqueles que habitam a região nordeste do Brasil, onde historicamente os esforços de pesquisa e conservação têm sido insuficientes para garantir sua sobrevivência. O CPB vem mapeando essas populações remanescentes e implementando pesquisas e ações voltadas à sua conservação. São eles: Alouatta ululata: Este guariba ocorre nos sertões do Ceará, Piauí e Maranhão. Ele é um dos poucos macacos que consegue habitar áreas tão diversas quanto caatingas, florestas, cerrados e manguezais, alimentando-se basicamente de folhas, frutos e flores. Cebus kaapori: O caiarara é o primata amazônico menos conhecido e mais ameaçado de extinção pela caça, e especialmente pelo desmatamento. Está distribuído na região leste da Floresta Amazônica, entre os estados do Pará e Maranhão, onde se localiza o “arco-do-desmatamento”, ocupado por atividades madeireiras e agropecuárias. Callicebus coimbrai: O guigó é um pequeno macaco, com cerca de 1kg de peso e 80cm da cabeça à cauda. Foi o último primata descoberto na Mata Atlântica, onde habita os escassos remanescentes florestais do Sergipe e litorais norte da Bahia. Nesta espécie, os grupos são formados por casais estáveis, que, junto com seus filhotes, defendem seu território usando suas vocalizações características.
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