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Mamíferos - Alouatta discolor - Guariba de mãos ruivas

Avaliação do Risco de Extinção de Alouatta discolor (Spix, 1823) no Brasil

Liliam Patricia Pinto1, André Luis Ravetta2, Gerson Buss3, Anthony B. Rylands4 & Liza M. Veiga5

 

1Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. <liliam.pinto1@gmail.com>

2Programa de Pós-Graduação em Zoologia, Museu Paraense Emílio Goeldi / Universidade Federal do Pará, Belém – Pará. < alravetta@museu-goeldi.br>

3Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. <gerson.buss@icmbio.gov.br>

4Conservation International - CI, Arlington, Virginia, USA. <arylands@conservation.org>



 Alouatta discolor Ricardo Sampaio CPB Alouatta discolor

Ordem: Primates
Família: Atelidae
Nomes comuns por região/língua:
Português
– Guariba-de-mãos-ruivas, guariba-de-mãos-vermelhas
Inglês – Spix’s Red-handed Howler Monkey, Red-handed Howling Monkey.
Outros – desconhecido.

Sinonímia/s: Alouatta belzebul discolor (Spix, 1823)

Notas taxonômicas: 
Hill (1962) e Stanyon et al. (1995) listaram cinco subespécies do guariba-de-mãos-ruivas, Alouatta belzebul: A. b. belzebul (Linnaeus, 1766) restrito ao rio Capim, região oriental do Pará por Cabrera (1957); A. b. discolor (Spix, 1823) de Gurupá, Pará; A. b. ululata Elliot, 1912, de Miritiba, Maranhão; A. b. mexianae (Hagmann, 1908), da ilha de Mexiana, no arquipélago de Marajó; e A. b. nigerrima Lönnberg, 1941, segundo Cabrera (1957) restrito a Patinga, Amazonas. Groves (2001, 2005) considerou A. discolor e A. ululata sinônimos de A. belzebul, embora Gregorin (2006) considere como espécies distintas. Aqui estão sendo seguidas as propostas taxonômicas de Gregorin (2006) e Rylands (2012).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Vulnerável (VU) - A4cd.

Justificativa: 
Alouatta discolor possui extensão de ocorrência ampla, mas considerando as fortes ameaças, como desmatamento continuado, com tendência a crescer com o asfaltamento da BR-163 e BR-230, implantação de hidrelétricas, assentamentos rurais e aberturas de lavouras, aliados à caça, infere-se um declínio populacional de pelo menos 30% ao longo de 36 anos, sendo, portanto, categorizada como Vulnerável (VU).

Histórico das avaliações nacionais anteriores:
Táxon não consta na última avaliação nacional.

Avaliações em outras escalas:
Avaliação Global (IUCN): Vulnerável (VU) - A2c.

História de vida

Maturidade sexual (anos)
Fêmea Desconhecido.
Macho Desconhecido.
Peso Adulto (g)
Fêmea 5520 (n=27) (Peres, 1994)
Macho 7270 (n=26) (Peres, 1994)
Comprimento Adulto (mm)
Fêmea Cabeça-corpo: 300 (300-645), cauda: 450 (450-700) (n=23), (Gregorin 2006).
Macho Cabeça-corpo: 440 (440-680), cauda: 540 (540-745) (n=18) (Gregorin 2006).
Tempo geracional (anos)
12 (IUCN/SSC 2007).
Sistema de acasalamento Poliginia (Pinto, 2002)
Intervalo entre nascimentos Desconhecido.
Tempo de gestação (meses)
Desconhecido.
Tamanho da prole 1 (Pinto, 2002).
Longevidade Desconhecido.
Características genéticas
Desconhecido.



O táxon é endêmico ao Brasil, estando presente nos estados do Mato Grosso e Pará, onde é residente e nativo (Boubli et al. 2008).
Ocorre ao sul do rio Amazonas, entre os rios Tapajós e o complexo Xingu-Iriri, a leste até Gurupá (localidade tipo). Bonvicino et al. (1989) identificaram a forma discolor como a espécie ocorrendo em todo arquipélago de Marajó, inclusive a Ilha Mexiana. Fernandes et al. (1995) indicaram A. belzebul para a Ilha Mexiana sem menção de subespécies, exceto para dizer que não encontraram espécimes de A. b. mexianae nas coleções do Museu Goeldi, Belém, e do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Gregorin (2006), indicou A. belzebul, como a forma ocorrendo nas ilhas Marajó, Caviana e Pará, e a seguinte distribuição para A. discolor: “desde a margem direita do Rio Tapajós até o baixo Rio Tocantins e presumivelmente na Ilha Mexiana.” Gregorin (2006) listou Mycetes belzebul mexianae Hagmann, 1908. como sinónimo de A. discolor, embora a palavra “presumivelmente” indica que a identidade dos guaribas que ocorrem na Ilha Mexiana permanece incerta.
A espécie também está presente abaixo do rio Tapajós e ao norte do Mato Grosso, no interflúvio Juruena-Teles Pires, onde foi registrado um grupo vivendo em simpatria com A. puruensis (Pinto & Setz 2000). É preciso uma maior amostragem no interflúvio Iriri-Xingu e no médio Teles Pires, na região do Cristalino.
Há indicações (inferências, suspeitas) de que a distribuição atual do táxon está reduzida em relação a sua área de ocupação histórica, em decorrência dos avanços do desmatamento (L. Pinto, dados não publicados).
A extensão de ocorrência da espécie é maior que 20.000 km² e infere-se que sua área de ocupação seja maior que 2.000 km².





O tamanho da população total remanescente de A. discolor não é conhecido, mas estima-se que o número de indivíduos maduros deste táxon é superior a 10.000.
No norte do Mato Grosso foi registrado um tamanho médio de grupo de 7-9 indivíduos (Pinto 2002, Pinto & Setz 2004). Ferrari et al. (2003) registraram grande variação na taxa de encontro de A. discolor (A. belzebul no texto) de 0,78 até 8,65 grupos por 10 km percorridos.
 
Tendência populacional: Em declínio.





Alouatta discolor ocorre em floresta ombrófila perene, tanto em igapó quanto em terra firme (Pinto 2002, Pinto & Setz 2004, Boubli et al. 2008). O táxon não é restrito a hábitats primários, sendo tolerante a modificações/perturbações no ambiente. Em levantamento preliminar realizado no PARNA do Jamanxim, A. discolor foi a espécie mais frequente, sendo encontrada principalmente às margens do rio Jamanxim (Buss et al. 2013). Na região de Santarém até Rurópolis, ao longo da rodovia BR-163, A. discolor é mais abundante em fragmentos florestais em relação à floresta contínua (Flona do Tapajós) (Ferrari et al, 2003). Contudo, ao sul dessa área até a Serra do Cachimbo, entre a BR-163 e o rio Tapajós, a espécie é menos abundante e até rara em algumas localidades.
A área de vida para um grupo no norte do Mato Grosso foi estimada em 63 ha (Pinto 2002, Pinto & Setz 2004).





As principais ameaças identificadas para o táxon foram: agricultura, pecuária, extração mineral (garimpo), aumento da matriz energética, aumento da matriz rodoviária, redução de hábitat, expansão da soja, desmatamento continuado com tendência a crescer com o asfaltamento da BR-163 e BR-230, implantação de hidrelétricas, assentamentos rurais e aberturas de lavouras, aliados à caça.





Existentes: A espécie está listada no Apêndice II da CITES.





Pará: FLONA do Tapajós (549.066,87 ha) (Ferrari et al. 2003), PARNA do Jamanxim (859.797,04 ha) (Buss et al. 2013), FLONA Itaituba I (220.639,44 ha), FLONA Itaituba II (427.366,56 ha), FLONA Altamira (724.965,51 ha) (Boubli et al. 2008), APA do Tapajós (2.060.332,70 ha), FLONA do Jamanxim (1.301.683,04 ha), FLONA do Trairão (257.526,32 ha), Resex Riozinho do Anfrísio (736.340 ha).
Mato Grosso: RPPN do Cristalino (670 ha).





Desconhecida.





Bonvicino, C.R.; A. Langguth & Mittermeier, R.A. 1989. A study of pelage and geographic distribution in Alouatta belzebul (Primates; Cebidae). Revista Nordestina de Biologia, 6 (2): 139-148.

Boubli, J.P.; Di Fiore, A.; Rylands, A.B. & Mittermeier, R.A. 2008. Alouatta discolor. In: IUCN 2011. IUCN Red List of Threatened Species, Version 2011.2. www.iucnredlist.org. (Acesso em 12/01/2012).
Buss, G.; Fialho, M.S.; Rossato, R.S.; Sampaio, R.; Pinto, L.P. & Jerusalinsky, L. 2013. Levantamento preliminar dos primatas do Parque Nacional do Jamanxim, Pará. p. 265. In: II Congresso Latinoamericano e XV Congresso Brasileiro de Primatologia. Anais do II Congresso Latinoamericano e XV Congresso Brasileiro de Primatologia, SBPr.
Cabrera, A. 1957. Catalogo de los Mamíferos de América del Sur: I (Metatheria-Unguiculata-Carnivora).
Fernandes, M.E.B., Cardoso da Silva, J.M. & Silva-Júnior, J. de S. 1995. The monkeys of the islands of the Amazon estuary, Brazil: a biogeographic analysis. Mammalia, 59: 213-221.
Ferrari, S.F.; Iwanaga, S.; Ravetta, A.L.; Freitas, F.C.; Sousa, B.A.R.; Souza, L.L.; Costa, C.G. & Coutinho, P.E.G. 2003. Dynamics of primate communities along the Santarém-Cuiabá highway in south-central Brazilian Amazonia. In: Laura K. Marsh (org.), p/123-144, Primates in Fragments: Ecology and Conservation. Kluwer Academic/Plenum Publishers.
Gregorin, R. 2006. Taxonomia e variação geográfica das espécies do gênero Alouatta Lacépède (Primates, Atelidae) no Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, 23(1): 64–144.
Groves, C.P. 2001. Primate taxonomy. Smithsonian Institution Press. 350p.
Groves, C.P. 2005. Order Primates. p. 111-184. In: Wilson, D.E. & Reeder, D.M. (eds). Mammal Species of the World. 3rd edition. The Johns Hopkins University Press, Baltimore, MD. 743p.
Hagmann, G. 1908. Die Landsäugetiere der Insel Mexiana. Archiv für Rassen und Gesellschafts-Biologie, 1: 1-31.
Hill, C.W.O. 1962. Primates: comparative anatomy and taxonomy. V. Cebidae, Part B. Edinburgh University Press. 537p.
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Peres, C.A. 1994. Which are the largest New World monkeys? Journal of Human Evolution, 26: 245-249.
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Stanyon, R.; Tofanelli, S.; Morescalchi, M.A.; Agoramoorthy, G.; Ryder, O.A. & Wienberg, J. 1995. Cytogenetic analysis shows extensive genomic rearrangements between red howler (Alouatta seniculus Linnaeus) subspecies. American Journal of Primatology, 35: 171-183.





Citação:
Pinto, L. P.; Ravetta, A. L.; Buss, G. Rylands, A. B.; Veiga, L. M. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Alouatta discolor (Spix, 1823) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/lista-de-especies/7178-mamiferos-alouatta-discolor-guariba-de-maos-ruivas.html


Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Primatas Brasileiros.
Data de realização: 30 de julho a 03 de agosto de 2012.
Local: Iperó, SP.

Avaliadores:
Alcides Pissinatti, Amely B. Martins, André C. Alonso, André de A. Cunha, André Hirsch, André L. Ravetta, Anthony B. Rylands, Armando M. Calouro, Carlos E. Guidorizzi, Christoph Knogge, Fabiano R. de Melo, Fábio Röhe, Fernanda P. Paim, Fernando de C. Passos, Gabriela Ludwig, Gustavo R. Canale, Ítalo Mourthé, Jean P. Boubli, Jessica W. Lynch Alfaro, João M. D. Miranda, José Rímoli, Júlio C. Bicca-Marques, Leandro Jerusalinsky, Leandro S. Moreira, Leonardo G. Neves, Leonardo de C. Oliveira, Líliam P. Pinto, Liza M. Veiga, Márcio P. Carvalho, Maria Adélia B. de Oliveira, Marcos de S. Fialho, Mariluce R. Messias, Mônica M. Valença-Montenegro, Rosana J. Subirá, Renata B. Azevedo, Rodrigo C. Printes, Waldney P. Martins e Wilson R. Spironello.

Colaboradores:
Amely B. Martins (Ponto Focal), André C. Alonso (Apoio), Camila C. Muniz (Apoio), Carlos E. Guidorizzi (Facilitador), Emanuella F. Moura (Apoio), Fabiano R. de Melo (Coordenador de táxon), Gerson Buss (Apoio), Liza M. Veiga (Coordenador de táxon), Marcos de S. Fialho (Coordenador de táxon), Rosana J. Subirá (Facilitadora), Taissa Régis (Apoio) e Werner L. F. Gonçalves (Apoio).

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