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Anfíbios - Adelophryne maranguapensis

Avaliação do Risco de Extinção de Adelophryne maranguapensis Hoogmoed, Borges & Cascon, 1994, no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Magno Vicente Segalla2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Adrian Garda4, Alexandre de Assis Hudson3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Christine Strüsmann6, Cínthia Aguirre Brasileiro7, Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Leôncio Pedrosa Lima3, Márcio Roberto Costa Martins11, Marinus Steven Hoogmoed16, Patrick Colombo15, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Renato Neves Feio13, Reuber Albuquerque Brandão14, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Tecnológica Federal de Viçosa - UFV
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

16 Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG

Haddad, C. F. B., Segalla, M. V., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Garda, A., Hudson, A. A., Cruz, C. A. G., Strüsmann, C., Brasileiro, C. A., Silvano, D. L., Nomura, F., Pinto, H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Lima, L. P., Martins, M. R. C., Hoogmoed, M. S., Colombo, P., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Feio, R. N., Brandão, R. A., Bastos, R. P. & Caramaschi, U. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Adelophryne maranguapensis Hoogmoed, Borges, & Cascon, 1994. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7496-anfibios-adelophryne-maranguapensis.html

 Adelophryne maranguapensis site  Adelophryne maranguapensis
Foto:  Daniel Cassiano Lima
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem: Anura
Família:  Eleutherodactylidae

Nomes comuns:  Desconhecido.

Sinonímias: Não há.

Notas taxonômicas:
Estudos recentes baseados em análises morfológicas, moleculares e bioacústicas indicam a possibilidade desta espécie ser idêntica a Adelophryne baturitensis (Célio Haddad, comunicação pessoal, 2010).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Vulnerável (VU) D2

Justificativa: Adelophryne maranguapensis é endêmica do Brasil, conhecida somente do Pico da Rajada na Serra de Maranguape, em uma área restrita de floresta úmida entre 800-900m de altitude, em um único morro em meio à matriz de Caatinga no estado do Ceará. Sua extensão de ocorrência calculada é de 13 km². É abundante localmente, contudo, sua área de ocupação é ainda menor e está sob forte pressão antrópica devido, principalmente, à expansão urbana na região (construção de casas de veraneio), que se não for controlada poderá agravar o risco de extinção da espécie em curto prazo. Por essas razões, Adelophryne maranguapensis foi categorizada como Vulnerável (VU) pelo critério D2.

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:
Na Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção a espécie foi avaliada como Em perigo (EN) B1ac(i) (MMA 2003, Machado et al. 2008).

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior:
Novas ou melhores informações atualmente disponíveis.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  A espécie foi categorizada como Em perigo (EN) B1ab (iii) pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) (Silvano & Borges-Nojosa 2004).
Listas estaduais: Não é o caso.



Esta espécie é conhecida somente do Pico da Rajada na Serra de Maranguape, no Estado do Ceará, nordeste do Brasil, nas encostas a 800-900m de altitude (Hoogmoed et al. 1994, Cassiano-Lima et al. 2011, Fouquet et al. 2012), restrita a enclave de floresta úmida em meio à matriz de Caatinga. Sua  extensão de ocorrência foi calculada em 13km², a partir de um recorte de imagem (WorldClim) acima de 800m de altitude, a partir do ponto de registro. Contudo,segundo especialistas sua área de ocupação é ainda menor.

A espécie é abundante nas áreas onde ocorre, é encontrada regularmente tanto em fragmentos florestais quanto em plantações de banana e bambu (Silvano & Borges-Nojosa 2004). Exemplares foram encontrados em 26 de 65 expedições de campo, em 10 pontos de ocorrência na região de Maranguape.

Trata-se de espécie de hábitat restrito, correspondente a enclaves de floresta úmida em meio à matriz de Caatinga no estado do Ceará. É espécie diurna, que vive em folhiço de florestas primárias e secundárias, bambu e plantações de bananeiras. Apresenta desenvolvimento direto. Desova encontrada na forma de postura em cima de folhas de bromélias durante a estação chuvosa (Borges-Nojosa, comunicação pessoal, 2010). Uma fêmea com ovos foi encontrada no mês de janeiro. Alguns adultos foram encontrados em bromélias e outros sobre o chão (Hoogmoed et al. 1994).

Além de ser espécie de hábitat-específico, o local onde ocorre tem histórico de desmatamento e conversão para plantações de café, banana e outras frutas. Entretanto, a maior ameaça à espécie é a expansão urbana na região (casas de veraneio), que caso não seja contida, poderá agravar o estado de conservação da espécie em curto prazo.

A espécie será beneficiada pelas ações do Plano de Ação Nacional para Conservação da Herpetofauna Ameaçada da Mata Atlântica Nordestina (Brasil 2013).

Não há registro da espécie.

Controle do desmatamento de áreas nativas voltada para a exploração imobiliária e de sua substituição por plantações de bananeiras (Silvano & Borges-Nojosa 2004).

Brasil, 2013. Portaria ICMBio nº. 200 de 1° de Julho de 2013. Diário Oficial da União. Edição nº 125/2013, Seção 1, terça-feira, 02 de julho de 2013.

Cassiano-Lima, D.; Borges-Nojosa, D. M.; Cascon, P. & Cechin , S. Z. 2011. The reproductive mode of Adelophryne maranguapensis Hoogmoed, Borges & Cascon, 1994, (Anura, Eleutherodactylidae) an endemic and threatened species from Atlantic Forest remnants in northern Brazil. North-Western Journal of Zoology, 7 (1): on-first. Article No.: 111109.

Fouquet. A.; Loebmann, D.; Castroviejo-Fisher, S.; Padial, J.M.; Orrico, V.G.D.; Lyra, M. L.; Roberto, I. J.;  Kok, P. J.R. Haddad, C.F.B. & Rodrigues, M.T.  2012. From Amazonia to the Atlantic forest: Molecular phylogeny of Phyzelaphryninae frogs reveals unexpected diversity and a striking biogeographic pattern emphasizing conservation challenges. Molecular Phylogenetics and Evolution, 65: 547–561.

Hoogmoed, M.S.; Borges, D.M. & Cascon, P. 1994. Three new species of the genus Adelophryne (Amphibia: Leptodactylidae) from northeastern Brazil, with remarks on the other species of the genus. Zoologische Mededelingen, 68: 271-300.

Machado, A. B. M.; Drummond, G. M. & Paglia, A. P. 2008. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Belo Horizonte: Ministério do Meio Ambiente, Fundação Biodiversitas, v. IIp. 1420. 

MMA (Ministério do Meio Ambiente), 2003. Instrução Normativa n°. 3, de 27 de maio de 2003. Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF.

Silvano, D. & Borges-Najosa, D. 2004. Adelophryne maranguapensis. The IUCN Red List of Threatened Species 2004.<http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2004.RLTS.T56302A11452757.en>. (Acesso em: 13/07/2010).

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP)

Avaliadores: Adrian Garda  (UFRN), Alexandre de Assis Hudson (RAN/ICMBio), Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Cinthia Aguirre Brasileiro (UNIFESP), Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBio), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Leôncio Pedrosa Lima (RAN/ICMBio), Magno Segalla (consultor-RAN/ICMBio), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Patrick Colombo (FZB/RS), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Renato Neves Feio (UFV), Reuber Albuquerque Brandão (UnB), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es): Diva Borges Mojosa (UFC)

Apoio:
Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), Magno Vicente Segalla (consultor-PNUD/RAN/ICMBio), Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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