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Anfíbios - Hypsiboas semiguttatus

Avaliação do Risco de Extinção de Hypsiboas semiguttatus (A. Lutz, 1925), no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Magno Vicente Segalla2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Adrian Garda4, Alexandre de Assis Hudson3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Christine Strüsmann6, Cínthia Aguirre Brasileiro7, Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Leôncio Pedrosa Lima3, Márcio Roberto Costa Martins11, Marinus Steven Hoogmoed16, Patrick Colombo15, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Renato Neves Feio13, Reuber Albuquerque Brandão14, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Tecnológica Federal de Viçosa - UFV
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

16 Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG

Haddad, C. F. B., Segalla, M. V., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Garda, A., Hudson, A. A., Cruz, C. A. G., Strüsmann, C., Brasileiro, C. A., Silvano, D. L., Nomura, F., Pinto, H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Lima, L. P., Martins, M. R. C., Hoogmoed, M. S.,Colombo, P., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Feio, R. N., Brandão, R. A., Bastos, R. P. & Caramaschi, U. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Hypsiboas semiguttatus (A. Lutz, 1925). Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio.http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7506-anfibios-hypsiboas-semiguttatus.html

 Hypsiboas semiguttatus Paulo Garcia  Hypsiboas semiguttatus
Foto: Paulo Garcia 
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem: Anura
Família:  Hylidae

Nomes comuns:  Speckled Treefrog (Frost 2010).

Sinonímias: Boana semiguttata, Hyla semiguttata (Frost 2010).

Notas taxonômicas:
Espécie descrita a partir de um único exemplar (fêmea) coletado em 1920 no município de São Bento do Sul, estado de Santa Catarina. Machos possuem braços hipertrofiados e pré-polex com espinho arqueado, presença de linha labial branca que se estende até abaixo do tímpano, presença de linha dorsolateral que se estende desde a região dos olhos até a região inguinal, coxas imaculadas ou com pequenos pontos brancos em fundo escuro e ossos verdes (Garcia et al. 2007).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Em perigo (EN) B1ab(iii).

Justificativa: Hypsiboas semiguttatus é endêmica do Brasil, do bioma Mata Atlântica, ocorre na Serra do Mar e borda do planalto entre os estados do Paraná e Santa Catarina. Atualmente é encontrada apenas em duas localidades com alto grau de preservação no estado do Paraná. O mesmo não se observa para o estado de Santa Catarina (localidade tipo, São Bento do Sul), onde a espécie não é encontrada há mais de 20 anos. Não existem informações sobre a dinâmica populacional da espécie. A extensão de ocorrência calculada é de 1.072,89 km2 (B1). A espécie ocorre de forma contínua em riachos de fundo rochoso no interior da floresta, numa faixa de altitude entre 500 e 1.100 m, no entanto, exceto para o estado do Paraná, seu hábitat encontra-se severamente fragmentado em decorrência da malha urbana extensa e expansão da agricultura, levando ao isolamento geográfico e genético de suas subpopulações (a), essas ameaças causam também declínio continuado da qualidade do hábitat e da extensão de ocorrência da espécie [b(iii)]. Por essas razões, Hypsiboas semiguttatus foi categorizada como Em perigo (EN) pelo critério B1ab(iii).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:  Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  A espécie foi categorizada como Menos preocupante (LC) pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) (Garcia et al. 2008).
Listas estaduais: Na lista vermelha do estado de Santa Catarina foi categorizada como Em perigo (EN) B1ab (iii, iv); B2ab(iii, iv) (Estado de Santa Catarina 2011).


Hypsiboas semiguttatus é endêmica do Brasil, ocorre nos estados de Santa Catarina e Paraná. A localidade tipo é o município de São Bento do Sul em Santa Catarina. Posteriormente a revisão de Garcia et al. (2007) restringiu sua ocorrência para o norte do estado de Santa Catarina e o leste do estado do Paraná (Garcia et al. 2007). Entretanto, a área onde a espécie ocorre, riachos no interior de área florestada, estende-se por uma área contínua na Serra do Mar, de modo que sua extensão de ocorrência é de 1.072,89 km2, calculada por meio do mínimo polígono convexo a partir dos pontos de registro.

No estado de Santa Catarina (localidade tipo, São Bento do Sul), a espécie não é encontrada há mais de 20 anos. Não existem informações sobre a dinâmica populacional da espécie. No Estado de Santa Catarina não foram encontradas subpopulações recentes, de modo que a distribuição real não é conhecida. A subpopulação registrada em 2006 para Serro e Gemido (São José dos Pinhais, Paraná; Conte & Rossa-Feres 2006) está dentro da a área de extensão de ocorrência estimada. Para a subpopulação registrada para Palmeira, Paraná, por Bernarde & Machado (2000) e associada a espécie de H. semiguttatus por Conte & Rossa-Feres (2006), existe dúvida quanto a taxonomia da espécie. Provavelmente esta subpopulação apresenta afinidade com H. semiguttatus, mas que apresenta biologia e morfologia distintas (Garcia 2003). A informação sobre o registro da espécie em Telêmeco Borba, Paraná, é baseada em um resumo publicado nos anais do VIII Congresso Florestal Brasileiro (Rocha et al. 2003), mas também existe dúvida quanto a identificação correta da espécie (Paulo Garcia, comunicação pessoal, 2010).

A reprodução ocorre em cursos d´água corrente em áreas florestais na zona de transição entre florestas de araucária e Mata Atlântica, em altitudes entre 800 e 1200 m. Emitem vocalizações entre os meses de outubro a fevereiro. Machos utilizam galhos e gramíneas próximos a cursos d´água limpa como sítios de vocalização. Provavelmente defendem território através de combates físicos, uma vez que todos os machos observados apresentam cicatrizes na região dorsal do corpo. Quando manuseados os indivíduos exalam um odor característico, que lembra o de grama molhada. Os girinos foram coletados em locais de águas calmas nos mesmos cursos d´água de onde são emitidas as vocalizações (Garcia et al. 2007).

Nas localidades com registros confiáveis, a espécie ocorre em remanescentes de Mata Atlântica que sofrem pressão tanto da expansão da malha urbana (São José dos Pinhais e Piraquara, no estado do Paraná), quanto da expansão da fronteira agrícola (Paulo Garcia, comunicação pessoal, 2010).

A espécie é beneficiada pelas ações previstas no Plano de Ação Nacional para Conservação de Répteis e Anfíbios Ameaçados da Região Sul do Brasil (Brasil 2012).

Parque Estadual do Pico do Marumbi, Estação Ecológica do Bracinho, Área de Proteção Ambiental do Rio Piraquara, Área de Proteção Ambiental do Rio Pequeno, Parque Estadual do Pau-Oco, Área de Proteção Ambiental Serra do Mar e Área de Proteção Ambiental de Guaratuba.

Aumento de estudos sobre a distribuição, história natural e da dinâmica populacional da espécie. Ações de uso da terra (e.g., empreendimentos hidrelétricos, exploração de madeira, expansão agrícolas) que entrem em conflito com a conservação da espécie devem ter como condicionantes programas de monitoramento das populações diretamente impactadas e de conservação da espécie. Criação de unidades de conservação na região nordeste do Estado de Santa Catarina.

Bernarde, P.S. & Machado, R.A. 2000. Riqueza de espécies, ambientes de reprodução e temporada de vocalização da anurofauna em Três Barras do Paraná, Brasil (Amphibia: Anura). Cuadernos del Herpetologia, Tucumán, 14(2): 93- 104.

Brasil, 2012. Portaria nº 25, de 17 de fevereiro de 2012. Diário Oficial da União. Edição nº 36, Seção 1, 22 de fevereiro de 2012.

Conte, C.E. & Rossa-Feres, D.C. 2006. Diversidade e ocorrência temporal da anurofauna (Amphibia, Anura) em São José dos Pinhais, Paraná, Brasil. Revista Brasileira de Biologia, 23: 162-175.

Estado de Santa Catarina, 2011. Resolução Consema Nº 002, de 06/12/2011. Lista Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Estado de Santa Catarina Estado de Santa Catarina Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável – SDS DOE-SC: 02-08.

Frost, D. R. 2010. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 5.5. Disponível em: <http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia/>. Acesso em: 21/08/2010.

Garcia, P.C.A. 2003. Revisão taxonômica e análise filogenética das espécies do gênero Hyla Laurenti do complexo marginata/semiguttata (Amphibia, Anua, Hylidae). Tese (Doutorado em Zoologia). Rio Claro-SP. Unesp. 213p.

Garcia, P.C.A.; Faivovich, J. & Haddad, C.F.B. 2007. Redescription of Hypsiboas semiguttatus, with the description of a new species of the Hypsiboas pulchellus group. Copeia, 2007(4): 933-951.

Garcia, P.; Silvano, D. & Faivovich, J. 2008. Hypsiboas semiguttatus. The IUCN Red List of Threatened Species 2008. <http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2008.RLTS.T55651A11348352.en>. (Acesso em: 21/08/2010)

Rocha, V.L; Machado, R.A; Filipaki, S.A.; Fier, I.S.N. & Pucci, J.A.L. 2003. A biodiversidade da Fazenda Monte Alegre da Klabin S/A – no estado do Paraná. In: Anais VIII Congresso Flores- tal Brasileiro, São Paulo, 2: 1-12.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP).

Avaliadores: Adrian Garda  (UFRN), Alexandre de Assis Hudson (RAN/ICMBio), Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Cinthia Aguirre Brasileiro (UNIFESP), Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBio), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Leôncio Pedrosa Lima (RAN/ICMBio), Magno Segalla (consultor-RAN/ICMBio), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Patrick Colombo (FZB/RS), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Renato Neves Feio (UFV), Reuber Albuquerque Brandão (UnB), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), Magno Vicente Segalla (consultor-PNUD/RAN/ICMBio), Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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