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Anfíbios - Melanophryniscus cambaraensis

Avaliação do Risco de Extinção de Melanophryniscus cambaraensis Braun & Braun, 1979, no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Magno Vicente Segalla2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Adrian Garda4, Alexandre de Assis Hudson3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Christine Strüsmann6, Cínthia Aguirre Brasileiro7, Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Leôncio Pedrosa Lima3, Márcio Roberto Costa Martins11, Marinus Steven Hoogmoed16, Patrick Colombo15, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Renato Neves Feio13, Reuber Albuquerque Brandão14, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Tecnológica Federal de Viçosa - UFV
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

16 Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG

Haddad, C. F. B., Segalla, M. V., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Garda, A., Hudson, A. A., Cruz, C. A. G., Strüsmann, C., Brasileiro, C. A., Silvano, D. L., Nomura, F., Pinto, H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Lima, L. P., Martins, M. R. C.,Hoogmoed, M. S., Colombo, P., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Feio, R. N., Brandão, R. A., Bastos, R. P. & Caramaschi, U. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Melanophryniscus cambaraensis Braun & Braun, 1979. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7507-anfibios-melanophryniscus-cambaraensis.html

 Melanophryniscus cambaraensis site  Melanophryniscus cambaraensis
Foto: Daniel Loebmann
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura
Família:  Bufonidae

Nomes comuns:  Sapinho-verde-de-barriga-vermelha, Brazilian Redbelly Toad (Frost 2010).

Sinonímias: Não há.

Notas taxonômicas:  Espécie incluída no grupo de Melanophryniscus tumifrons (Caramaschi & Cruz 2002).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Vulnerável (VU) B1ab(iii)

Justificativa: Melanophryniscus cambaraensis é endêmica do Brasil, ocorre no Planalto das Araucárias do estado do Rio Grande do Sul. Existem somente duas subpopulações conhecidas, em duas áreas protegidas: uma no Parque Nacional da Serra Geral, município de Cambará do Sul (localidade-tipo) e outra na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, em São Francisco de Paula.  É uma espécie restrita a campos de altitude e a áreas florestadas, onde se utiliza de poças temporárias para reprodução. Em função de seu comportamento reprodutivo explosivo, existe uma carência de dados sobre a extensão de ocorrência, de modo que a sua estimativa em função da conectividade dos ambientes potencialmente favoráveis é de algo entre 5.000 e menos de 20.000 km2 (B1). Essa área se encontra fortemente impactada em decorrência da agropecuária e uso econômico de florestas de pinheiros; aliando-se esses impactos à baixa capacidade de dispersão da espécie, infere-se que sua população esteja severamente fragmentada (isolamento genético e geográfico) (a), esses impactos causam também declínio contínuo da qualidade do hábitat e da extensão de ocorrência [b(iii)]. Portanto, Melanophryniscus cambaraensis foi categorizada como Vulnerável (VU) pelo critério B1ab(iii).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:
Na Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção a espécie foi avaliada como Dados insuficientes (DD) (MMA 2003, Machado 2005).

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior:
A mudança da categoria foi em decorrência de novas informações disponíveis sobre o táxon e melhor aplicação dos critérios de avaliação.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  A espécie foi categorizada como Dados insuficientes, pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) (Garcia et al. 2004).
Listas estaduais: Na lista de espécies ameaçadas do estado do Rio Grande do Sul foi avaliada como Vulnerável (VU) (Marques et al. 2002).


Melanophryniscus cambaraensis é endêmica do Brasil, ocorre no Planalto das Araucárias do Estado do Rio Grande do Sul. Existem somente duas subpopulações conhecidas, em duas áreas protegidas: uma na cachoeira Fortaleza dos Aparados da Serra, no Parque Nacional da Serra Geral, município de Cambará do Sul (localidade-tipo) (área de 173,59 km2), e outra na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, no município de São Francisco de Paula (área de 16 km2). Apesar da espécie ser conhecida para apenas duas localidades, não há informação que indique que a espécie tenha alguma especialização de hábitat. Sendo assim, em função da conectividade dos ambientes potencialmente favoráveis à ocorrência da espécie, estima-se que sua extensão de ocorrência seja algo entre 5.000 e quase 20.000 km2.

A espécie não é registrada na localidade-tipo desde o ano de descrição (1979). Portanto a única subpopulação que tem sido registrada é a da Floresta Nacional de São Francisco de Paula, em São Francisco de Paula, onde, durante os eventos de reprodução explosiva, a espécie é facilmente encontrada no sítio reprodutivo (riacho temporário). Após a reprodução, é muito difícil encontrar os indivíduos. Até o momento, só foi registrado um sítio reprodutivo na Floresta Nacional.

É um anfíbio de reprodução do tipo explosiva, caracterizada por ocorrer em um curto período de tempo (geralmente apenas alguns dias), quando vários indivíduos deixam seus abrigos e, simultaneamente, migram em direção aos corpos d´água temporários durante e imediatamente após intensas chuvas (Kwet & Di-Bernardo 1999, Garcia & Vinciprova 2003). Além de explosiva, a reprodução é não é sazonal, ou seja, apesar de habitar uma região subtropical, caracterizada por apresentar estações bem definidas, os eventos de reprodução explosiva ocorrem repetidamente, em intervalos irregulares, ao longo de todo o ano (Santos et al. 2010). Machos e fêmeas migram simultaneamente em direção ao local de reprodução (R. R. Santos, C. Both & T. Grant, em preparação) principalmente durante os períodos diurnos (Santos & Grant 2010). Entretanto, a atividade reprodutiva (machos em atividade de vocalização, amplexos e desovas) ocorre tanto durante o dia quanto durante a noite (V. Z. Caorsi, R. R. Santos & T. Grant, em preparação). Um ciclo migratório completo (migração pré-reprodutiva + atividade de reprodução + migração pós-reprodutiva) tem duração de aproximadamente 14 dias, sendo a quantidade chuva acumulada num período de 72h o preditor desse ciclo (R. R. Santos, C. Both & T. Grant, em preparação).

As únicas duas subpopulações conhecidas estão localizadas em unidades de conservação (Parque Nacional da Serra Geral, no município de Cambará do Sul e Floresta Nacional de São Francisco de Paula, no município de São Francisco de Paula). A subpopulação de Cambará do Sul não é registrada há 31 anos. Atualmente, há um inquérito instaurado que reivindica a área da Floresta Nacional de São Francisco de Paula para Território Indígena (Ivan B. Amaral, comunicação pessoal, 2010), o que pode acarretar impactos provenientes das atividades tradicionais indígenas. As áreas de campos sofrem pressão de atividades agropecuárias e para o manejo de florestas de pinheiros (Pinus sp.), o que provoca a redução dos ambientes propícios para a reprodução da espécie. Este fator pode ser importante, uma vez que a espécie tem reprodução explosiva, sendo raramente registrada.    

A espécie é beneficiada pelo Plano de Ação Nacional para Conservação de Répteis e Anfíbios Ameaçados da Região Sul do Brasil (Brasil 2012).

Parque Nacional da Serra Geral e Floresta Nacional de São Francisco de Paula.

Aumento de estudos sobre a distribuição, história natural e da dinâmica populacional da espécie. Ações de uso da terra (e.g., empreendimentos hidrelétricos, exploração de madeira, expansão agrícolas) que entrem em conflito com a conservação da espécie devem ter como condicionante, programas de monitoramento das subpopulações diretamente impactadas e de conservação da espécie. Independentemente do resultado do inquérito instaurado que reivindica a área da Floresta Nacional de São Francisco de Paula para Território Indígena, a espécie deve ter um programa de conservação na localidade. Elaboração do plano de manejo e avaliação da efetividade das Unidades de Conservação com relação à espécie (Parque Nacional da Serra Geral - Fortaleza dos Aparados da Serra – Cambará do Sul, e Floresta Nacional de São Francisco de Paula).

Brasil, 2012. Portaria nº 25, de 17 de fevereiro de 2012. Diário Oficial da União. Edição nº 36, Seção 1, 22 de fevereiro de 2012.

Braun, P.C. & Braun, C.A.S.B. 1979. Nova espécie de Melanophryniscus Gallardo, 1961 do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil (Anura, Bufonidae). Iheringia. Sér. Zool, 54: 7–16.

Caramaschi, U. & C.A.G. Cruz. 2002. Taxonomic status of Atelopus pachyrhynus Miranda-Ribeiro, 1920, redescription of Melanophryniscus tumifrons (Boulenger, 1905), and descriptions of two new species of Melanophryniscus from the state of Santa Catarina, Brazil (Amphibia, Anura, Bufonidae). Arquivos do Museu Nacional, 60(4): 303-314.

Frost, D. R. 2010. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 5.5. Disponível em: <http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia/>. Acesso em: 21/08/2010.

Garcia, P.C.A. & Vinciprova, G. 2003. Anfíbios. p.85-100. In Fontana, C.S.; Bencke, G.A. & Reis, R.E. (eds.). Livro vermelho da fauna ameaçada de extinção no Rio Grande do Sul. Porto Alegre. Edipucrs.

Garcia, P.; Kwet, A. & Silvano, D. 2004. Melanophryniscus cambaraensis. The IUCN Red List of Threatened Species 2004. <http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2004.RLTS.T54817A11208173.en>. (Acesso em: 21/08/2010).

Kwet, A. & Di-Bernardo, M. 1999. Pró-Mata Anfíbios. Porto Alegre: Edipucrs. 107 p.

Machado, A.B.M. 2005. Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção: incluindo as especies quase ameaçadas e deficientes em dados. Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas, 157p.

Marques, A.A.B.; Fontana, C.S.; Véles, E.; G.A. Bencke, G.A.; Schneider, M. & Reis, R.E., (orgs.). 2002. Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção do Rio Grande de Sul. Decreto nº 41.672 de 11 de junho de 2002. Publicações Avulsas FZB, 11. Porto Alegre: FZB/MCT-PUCRS/PANGEA. 52p.

MMA (Ministério do Meio Ambiente ), 2003. Instrução Normativa n°. 3, de 27 de maio de 2003. Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF.

Santos, R.R. & Grant, T. 2010. Diel pattern of migration in a poisonous toad from Brazil and the evolution of chemical defenses in diurnal amphibians. Evolutionary Ecology, 25: 249-258. Published online: 16 July 2010. DOI: 10.1007/s10682-010-9407-0.

Santos, R.R.; Leonardi, S.B.; Caorsi, V.Z. & Grant, T. 2010. Directional orientation of migration in an aseasonal explosive breeding toad from Brazil. Journal of Tropical Ecology, 26: 415–421.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP).

Avaliadores: Adrian Garda  (UFRN), Alexandre de Assis Hudson (RAN/ICMBio), Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Cinthia Aguirre Brasileiro (UNIFESP), Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBio), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Leôncio Pedrosa Lima (RAN/ICMBio), Magno Segalla (consultor-RAN/ICMBio), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Patrick Colombo (FZB/RS), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Renato Neves Feio (UFV), Reuber Albuquerque Brandão (UnB), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), Magno Vicente Segalla (consultor-PNUD/RAN/ICMBio), Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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