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Anfíbios - Hypsiboas freicanecae

Avaliação do Risco de Extinção de Hypsiboas freicanecae (Carnaval & Peixoto, 2004), no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Iberê Farina Machado2, João Gabriel Ribeiro Giovanelli2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Carlos Eduardo Conte4, Caroline Zank15, Christine Strüsmann6, Clarissa Coimbra Canedo18, Daniel Loebmann19,Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Luciana Barreto Nascimento17, Márcio Roberto Costa Martins11, Marcelo Felgueiras Napoli16, Marcelo Gordo13, Marinus Steven Hoogmoed20, Mirco Solé Kienle21, Natan Medeiros Maciel9, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Ricardo Jannini Sawaya7, Rodrigo Lingnau22, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Paraná - UFPR
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Federal do Amazonas - UFAM
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
16 Universidade Federal da Bahia - UFBA
17 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUCMinas
18 Universidade Federal do Rio de Janeiro -UFRJ
19 Universidade Federal do Rio Grande - FURG
20 Museu Paraense Emilio Goeldi - MPEG
21 Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC
22 Universidade Tecnológica Federal do Paraná -UTFPR


Haddad, C. F. B., Machado, I. F., Giovanelli, J. G. R., Bataus,  Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Cruz, C. A. G., o Conte, C. E., Zank, C., Strüsmann, C., Canedo, C. C., Loebmann, D., Silvano, D. L., Nomura,  F., Pinto,  H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Nascimento, L. B., Martins, M. R. C., Napoli, M. F., Gordo, M., Hoogmoed, M. S.,  Kienle, M. S., Maciel, N. M., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Sawaya, R. J., Lingnau, R., Bastos, R. P. e Caramaschi, U.. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Hypsiboas freicanecae (Carnaval & Peixoto, 2004). Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7616-anfibios-hypsiboas-freicanecae.html

   Hypsiboas freicanecae
Foto:
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem: Anura

Família: Hylidae

Nomes comuns: Desconhecidos.

Sinonímias: Hyla freicanecae, Boana freicanecae (Frost 2011).

Notas taxonômicas: Esta espécie pertencia ao gênero Hyla, mas foi movida para o nome genérico de Hypsiboas (Faivovich et al. 2005). Única espécie do grupo pulchellus (sensu Faivovich et al. 2005) que ocorre no Nordeste do Brasil (Daniel Loebamnn, comunicação pessoal, 2011).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Dados insuficientes (DD).

Justificativa: Hypsiboas freicanecae é endêmica do Brasil, ocorre em fragmento de mata conservados do bioma Mata Atlântica da região nordeste do país, conhecida apenas de duas localidades, uma delas na Reserva Particular do Patrimônio Natural (localidade-tipo), no estado de Pernambuco e outra na Fazenda Bananeiras, município de Murici, no estado de Alagoas. Os dados sobre a história de vida da espécie, incluindo hábitat utilizado e reprodução, são insuficientes para uma avaliação adequada quanto a distribuição, status populacional e ameaças; porém, a destruição de áreas de floresta e construção de barragens representa uma ameaça potencial para a espécie. Portanto, Hypsiboas freicanecae foi categorizada como Dados insuficientes (DD).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes: Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas:
Internacional: A espécie foi categorizada como Dados insuficientes (DD) pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) (Stuart 2010).
Listas estaduais: Não há.


Hypsiboas freicanecae é endêmica do Brasil, conhecida  apenas de duas localidades, uma delas a localidade-tipo na Serra do Quengo (700m acima do nível do mar), na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Frei Caneca, no município de Jaqueira, no estado de Pernambuco (Carnaval & Peixoto 2004, Stuart 2010). A outra localidade é no estado de Alagoas, na Fazenda Bananeiras, município de Murici (na Área de Proteção Ambienta de Murici) (Cardoso et al. 2006, Frost 2011, Santos 2009). Presume-se que ocorra em outros fragmentos mais conservados.  Todavia, em estudos recentes na região da Zona da Mata de Pernambuco, a espécie só foi observada na sua localidade-tipo, entre 600 a 700 metros de altitude, podendo sugerir que pressões do entorno desses fragmentos possam estar limitando sua distribuição (Ednilza Maranhão, comunicação pessoal, 2011).

Considerada rara, é uma espécie pouco abundante segundo Santos (2009). Poucos indivíduos são encontrados na localidade-tipo em Pernambuco e também em Murici/Alagoas (Ednilza Maranhão, comunicação pessoal, 2011). A tendência populacional é desconhecida por não existirem estudos suficientes para evidenciar uma variação na população.

Hypsiboas freicanecae ocorre em riachos de fragmentos de Mata Atlântica de Pernambuco e Alagoas (Daniel Loebamnn, comunicação pessoal, 2011). A localidade-tipo desta espécie é na floresta perto de um riacho, pequeno e raso, com cerca de 1m de largura e 0,5 m de profundidade. Os indivíduos foram encontrados em ramos 0.5-1m acima do solo. As larvas foram encontradas no mesmo riacho, e uma massa esférica de cerca de 30 ovos foi encontrada em anexo a um de tronco caído na água (Stuart 2010). A vocalização foi observada durante o dia e à noite em época chuvosa (Ednilza maranhão, comunicação pessoal, 2011).

Devido ao pouco conhecimento que se tem sobre a espécie, não se sabe quais são as ameaças que podem levá-la a extinção. Todavia, é importante destacar que com a destruição de muitas áreas florestadas devido às enchentes ocorridas em 2010 e 2011, no estado de Pernambuco e com os novos empreendimentos de construção de barragens os fragmentos de Mata Atlântica, incluindo a RPPN Frei Caneca, estão ameaçados. Carnaval et al. (2006) descrevem larvas com anormalidades no disco oral, associando à presença do fungo Batrachochytrium dendrobatidis, porém, Altig (2007) questiona esta informação sugerindo que as malformações podem ter outras causas.

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para Conservação da Herpetofauna Ameaçada da Mata Atlântica Nordestina (Brasil 2013).

Área de Proteção Ambiental de Murici e Reserva Particular do Património Natural Frei Caneca.

Estudos sobre história de vida e distribuição são necessários para melhor compreeender o estado de conservação da espécie.
Recomenda-se uma ação conjunta dos governos federal, estadual e municipais para minimizar os efeitos que os empreendimentos hidrelétricos (barragens) vão causar na região (diminuir ainda mais a conectividade entre os fragmentos florestados).
Apoio mais direto às RPPNs, principalmente a RPPN Frei Caneca, e fiscalização mais direcionada às áreas de preservação permanentes (APP), nessas áreas existem os melhores vestígios de Mata Atlântica no estado de Pernambuco, com destaque para o complexo Urubu (Ednilza Maranhão, comunicação pessoal, 2011). Outro ponto que deve ser alvo de mais investigação é o registro do fungo Batrachochytrium em larvas e adultos desse anuro na sua localidade-tipo (Carnaval et al. 2006, Santos 2009).

Altig, R. 2007. Comments on the description and evaluations of tadpole mouthpart anomalities. Herpetological Conservation and Biology, 2(1): 1-4.

Brasil, 2013.  Portaria ICMBio nº. 200 de 1° de Julho de 2013. Diário Oficial da União. Edição nº 125/2013, Seção 1, terça-feira, 02 de julho de 2013.

Cardoso, M.C.S. et al. 2006. Hypsiboas freicanecae (NCN) Geographical Distribution. Herpetological Review, 37(4): 489.

Carnaval, A.C.O.Q. & Peixoto, O.L. 2004. A new species of Hyla from northeastern Brazil (Amphibia, Anura, Hylidae). Herpetologica, 60(3): 387–395.

Carnaval, A.C.O.Q., Puschendorf, R., Peixoto, O.L., Verdade, V.K. & Rodrigues, M.T. 2006. Amphibian chytrid fungus broadly distributed in the Brazilian Atlantic Rain forest. Ecohealth, 3(1):41-48.

Faivovich, J.; Haddad, C.F.B; Garcia, P.C.A.; Frost, D.R. Campbell, J.A. & Wheeler, W.C. 2005. Systematic review of the frog family Hylidae, with special reference to Hylinae: Phylogenetic analysis and taxonomic revision. Bull. Amer. Mus. Nat. Hist., 294: 240.

Frost, D.R. 2011. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 5.5. <http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia/>. (Acesso em: 02/05/2011).

Santos, S.P.L. 2009. Diversidade e distribuição temporal de anfíbios anuros na RPPN Frei Caneca, Jaqueira, Pernambuco. Monografia (Graduação em Ciências Biológicas). Universidade Federal de Pernambuco, Recife.

Stuart, S. 2010. Hypsiboas freicanecae. The IUCN Red List of Threatened Species 2010. <http://www.iucnredlist.org/details/61777/0>. (Acesso em: 02/05/2011).

II Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 6 a 10 de junho de 2011

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)

Avaliadores: Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Carlos Eduardo Conte (UFPR), Caroline Zank (UFRGS), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Clarissa Coimbra Canedo (UFRJ), Daniel Loebmann (FURG),  Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBIO), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBIO),  João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Luciana Barreto Nascimento (PUCMinas), Marcelo Gordo (UFAM), Marcelo Felgueiras Napoli (UFBA), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Mirco Solé Kienle (UESC), Natan Medeiros Maciel (UFG), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Ricardo Jannini Sawaya (UNIFESP), Rodrigo Lingnau (UTFPR), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Cíntia Maria Silva Coimbra (RAN/ICMBio), Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça (RAN/ICMBio), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Ilka Barroso D’Avila Ferreira  (estagiária-CIEE/RAN/ICMBio), Iberê Farina Machado (consultor-PNUD/RAN/ICMBio)Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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