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Anfíbios - Cycloramphus semipalmatus

Avaliação do Risco de Extinção de Cycloramphus semipalmatus (Miranda-Ribeiro, 1920), no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Magno Vicente Segalla2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Adrian Garda4, Alexandre de Assis Hudson3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Christine Strüsmann6, Cínthia Aguirre Brasileiro7, Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Leôncio Pedrosa Lima3, Márcio Roberto Costa Martins11, Marinus Steven Hoogmoed16, Patrick Colombo15, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Renato Neve Feio13, Reuber Albuquerque Brandão14, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Tecnológica Federal de Viçosa - UFV
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS

16 Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG

Haddad, C. F. B., Segalla, M. V., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Garda, A., Hudson, A. A., Cruz, C. A. G., Strüsmann, C., Brasileiro, C. A., Silvano, D. L., Nomura, F., Pinto, H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Lima, L. P., Martins, M. R. C., Hoogmoed, M. S, Colombo, P., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Feio, R. N., Brandão, R. A., Bastos, R. P. & Caramaschi, U. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Cycloramphus semipalmatus (Miranda-Ribeiro, 1920). Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7676-anfibios-cycloramphus-semipalmatus.html

   Cycloramphus semipalmatus
Foto:
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura

Família: Cycloramphidae

Nomes comuns: Campo Grande Button Frog (Frost 2010)..

Sinonímias: Iliodiscus semipalmatus (Frost 2010).

Notas taxonômicas: Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Dados insuficientes (DD).

Justificativa: Cycloramphus semipalmatus é endêmica do Brasil, do bioma Mata Atlântica, da Serra do Mar, no estado de São Paulo. Trata-se se espécie com hábitat-específico (riachos encachoeirados de montanha, em floresta ombrófila densa). Até pouco tempo atrás, a região de Cubatão sofria forte impacto com a poluição do ar. Espécies do gênero vêm sofrendo declínio populacional sendo que a causa é desconhecida. Embora a extensão de ocorrência calculada seja de 2.042,10 km², os dados sobre a história de vida, incluindo hábitat utilizado e reprodução são insuficientes para uma avaliação adequada quanto a distribuição, status populacional e ameaças. Portanto, Cycloramphus semipalmatus foi categorizada como Dados insuficientes (DD).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes: Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas:
Internacional: A espécie foi avaliada como Quase ameaçada (NT) pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) (Verdade & Heyer 2004).
Listas estaduais: Na Lista da fauna ameaçada de extinção no estado de São Paulo foi avaliada como Vulnerável (VU) (B1abiii) (Bressan et al. 2009, Estado de São Paulo 2008).


Cycloramphus semipalmatus é endêmica do Brasil, da Serra do Mar, no estado de São Paulo. Ocorre na Estação Biológica de Boracéia, Salesópolis; Casa Grande, Salesópolis; Caminho do Mar, Ribeirão Pires; Estação Ferroviária Campo Grande, Santo André, São Paulo; Paranapiacaba, Santo André; Engenheiro Ferraz e Rio Grande da Serra, no estado de São Paulo (Magno Segalla, comunicação pessoal, 2010). A extensão de ocorrência calculada por meio do mínimo polígono convexo a partir dos pontos de registro é de 2.042,1 km2.

A maioria das espécies desse gênero está distribuída nas regiões serranas da Mata Atlântica do sul e sudeste do Brasil, mas há também algumas espécies com distribuição disjunta no sul da Bahia (Verdade 2005). Não ocorre de forma abundante nos locais onde é conhecida (Verdade & Heyer 2004).

Cycloramphus semipalmatus ocorre no bioma Mata Atlântica,trata-se de espécie com hábitat-específico vive em floresta ombrófila densa, nas rochas emergentes em riachos encachoeirados de montana.  Sua biologia é pouco conhecida. É uma espécie noturna, cujos machos vocalizam na estação chuvosa. A dieta, reprodução e larva não são conhecidas, mas a semelhança com seus congêneres e o hábitat que ocupa sugerem que se alimenta de artrópodes e pequenos vertebrados, que a desova é depositada sobre as rochas úmidas, os machos são territoriais e protegem os ovos, e que os girinos são semiterrestres, alimentando-se sobre as rochas na zona de respingo das cachoeiras (Bressan et al.  2009). Na Estação Biológica de Boraceia, C. semipalmatus era encontrado sempre em riachos encachoeirados e nunca nos paredões rochosos úmidos da pedreira (Heyer et al. 1990).

Devido ao pouco conhecimento que se tem sobre a espécie, não se sabe quais são as ameaças que podem levá-la a extinção. Todavia, embora a poluição do município de Cubatão tenha diminuído, ela foi muito intensa até recentemente. Espécies do gênero vêm sofrendo declínio populacional sendo que a causa é desconhecida.

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna do Sudeste da Mata Atlântica, cuja aprovação está prevista para 2015 (Vivian Uhlig, comunicação pessoal, 2014).

Parque Estadual da Serra do Mar, Área Natural Tombada Serra do Mar e de Paranapiacaba e Estação Biológica de Boraceia.

Estudos urgentes sobre história de vida e distribuição são necessários para melhor compreeender o estado de conservação da espécie, tendo em vista a falta de registros recentes e o fato de que algumas espécies de Cycloramphus declinaram por razões inexplicáveis (Verdade & Heyer 2004).

Bressan, P.M.; Kierulff, M.C.M. & Sugieda, A. M. 2009. Fauna ameaçada de extinção no estado de São Paulo: vertebrados. São Paulo. Fundação Zoológico de São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente.

Estado de São Paulo, 2008. Decreto Estadual Nº 53.494 de 2 de outubro de 2008. Declara as Espécies da Fauna Silvestre Ameaçadas, as Quase Ameaçadas, as Colapsadas, as Sobre-explotadas, as Ameaçadas de Sobre-explotação e com dados insuficientes para avaliação no Estado de São Paulo e dá providências correlatas. Diário Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, seção 1, 118 (187).

Frost, D. R. 2010. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 5.5. Disponível em: <http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia/>. Acesso em: 02/12/2010.

Heyer, W.R.; Rand, A.S.; Cruz, C.A.G.; Peixoto, O.L. & Nelson, C.E. 1990. Frogs of Boracéia. Arquivos de Zoologia, 31: 235-410.

Verdade, V. & Heyer, R. 2004. Cycloramphus semipalmatus. The IUCN Red List of Threatened Species. Version 2015.2. <http://www.iucnredlist.org/details/56379/0>. (Acesso em: 02/12/2010).

Verdade, V.K. 2005. Relações filogenéticas entre as espécies dos gêneros Cyclorhamphus Tschudi 1838 e Zachaenus Cope 1866 (Anura, Leptodactylidae). Tese (Doutorado em Zoologia). Instituto de Biociências. Universidade de São Paulo.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador(es):
Márcio Roberto Costa Martins (USP)

Avaliadores:
Adrian Garda (UFRN), Alexandre de Assis Hudson (RAN/ICMBio), Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Cinthia Aguirre Brasileiro (UNIFESP), Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBio), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Leôncio Pedrosa Lima (RAN/ICMBio), Magno Segalla (consultor-RAN/ICMBio), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Patrick Colombo (FZB/RS), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Renato Neves Feio (UFV), Reuber Albuquerque Brandão (UnB), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), Magno Vicente Segalla (consultor-PNUD/RAN/ICMBio), Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio).

familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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