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Anfíbios - Scinax muriciensis

Avaliação do Risco de Extinção de Scinax muriciensis Cruz, Nunes & Lima, 2011, no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Yeda Soares de Lucena Bataus2, Vívian Mara Uhlig2, Débora Leite Silvano3, Fausto Nomura4, Marinus Steven Hoogmoed5, Paulo Christiano de Anchieta Garcia6, Renato Neves Feio7 e Rodrigo Lingnau8.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
3 Universidade Católica de Brasília - UCB
4 Universidade Federal de Goiás - UFG
5 Museu Paraense Emilio Goeldi - MPEG
6 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
7 Universidade Tecnológica Federal de Viçosa -UFV
8 Universidade Tecnológica Federal do Paraná -UTFPR

Haddad, C. F. B., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Silvano, D. L., Nomura,  F. N., Hoogmoed, M. S., Garcia, P. C. A., Feio, R. N. & Lingnau, R..2016. Avaliação do Risco de Extinção de Scinax muriciensis Cruz, Nunes & Lima, 2011. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7756-anfibios-scinax-muriciensis.html

   Scinax muriciensis
Foto:
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem: Anura

Família: Hylidae

Nomes comuns: Desconhecidos.

Sinonímias: Não há.

Notas taxonômicas: Espécie recém-descrita (2011) e válida. Scinax muriciensis pertence ao clado Scinax catharinae (Cruz & Lima 2011).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Dados insuficientes (DD).

Justificativa: Scinax muriciensis é endêmica do Brasil, de áreas florestadas do bioma Mata Atlântica, da região nordeste do país. É recém-descrita (2011), conhecida apenas da localidade-tipo, Fazenda Bananeiras, dentro de unidade de conservação federal, Estação Ecológica de Murici, localizada no município de Murici, no estado de Alagoas. Entre o período de 2002 a 2009 havia 66% de remanescentes de vegetação nativa nessa região. A distribuição da espécie ainda não está bem estudada, é possível que ocorra fora da área protegida e, nesse caso, é possível que sofra perda de hábitat, em decorrência da conversão de áreas naturais em plantio de cana-de-açúcar em larga escala, agricultura de subsistência e formação de pastagens para o gado. Faltam ainda, informações sobre história de vida, incluindo hábitat utilizado e reprodução para uma avaliação mais adequada quanto a distribuição, status populacional e ameaças. Por essas razões Scinax muriciensis foi avaliada como Dados insuficientes (DD).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes: Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas: Não há.
Internacional:
Listas estaduais:


Scinax muriciensis é endêmica do Brasil, conhecida apenas da localidade-tipo, Fazenda Bananeiras, município de Murici, estado de Alagoas, região nordeste do país. Esta espécie representa a distribuição mais ao norte do clado Scinax catharinae (Cruz & Lima 2011). Na região da localidade do registro, aproximadamente 66% permanecia na forma de remanescentes de vegetação nativa em 2009, calculada pela intersecção do ponto de registro com um grid de quadrículas de 10x10 km de lado, contendo a porcentagem de remanescentes (PMDBBS/IBAMA, 2009) (IBAMA, 2014). No entanto, não há perdas de vegetação nativa significativa no período mais recente de 2002-2009 (PMDBBS/IBAMA 2009). A distribuição da espécie ainda não está bem estudada é possível que ocorra fora da área protegida.

A tendência populacional é desconhecida por não existirem estudos sobre variação na população.

Scinax muriciensis ocorre no bioma Mata Atlântica, com registro na Fazenda Bananeiras, como é conhecida a região, e está no "Centro de Endemismo Pernambuco" (Prance 1982, 1987 apud Cruz & Lima 2011), que inclui fragmentos de floresta ao norte do rio São Francisco, com um alto grau de endemismo de espécies de aves, bromélias, répteis e anfíbios (Cruz & Lima 2011). Scinax muriciensis pertence ao clado Scinax catharinae, sendo a distribuição mais ao norte do clado. Foi descoberta em uma região montanhosa caracterizada pelo terreno acidentado com elevações de 200-600 m, na maior parte coberta por floresta tropical (Mata Atlântica), a região compõe a Estação Ecológica de Murici. Essa área tem clima quente e úmido, com um verão seco e uma temporada de outono-inverno chuvosa. Os espécimes de Scinax muriciensis foram capturados perto de um córrego da floresta, a 1,0-1,5 m acima do solo (Cruz & Lima 2011). Ainda segundo esses autores a espécie é morfologicamente similar a S. strigilatus, caracterizada pelo tamanho médio (comprimento rostro-cloacal de machos adultos 27‒28.9 mm).

A região onde a espécie foi coletada sofre pressão pelas atividades humanas, principalmente pelo desmatamento para o plantio de cana-de-açúcar em larga escala, a agricultura de subsistência e pastagens para o gado (Cruz & Lima 2011).

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para Conservação da Herpetofauna Ameaçada da Mata Atlântica Nordestina (Brasil 2013).

Estação Ecológica de Murici e Área de Proteção ambiental de Murici.

Estudos sobre história de vida e distribuição são necessários para melhor compreeender o estado de conservação da espécie.

Brasil, Portaria ICMBio nº. 200 de 1° de Julho de 2013. Diário Oficial da União. Edição nº 125/2013, Seção 1, terça-feira, 02 de julho de 2013.

Cruz, C. A. G., Nunes, I. & de Lima, M. G. 2011. A new Scinax Wagler belonging to the S. catharinae clade (Anura: Hylidae) from the state of Alagoas, northeastern Brazil. Zootaxa 3096: 18–2.

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 2014. Projeto de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por Satélite (PMDBBS). Disponível em: < http://www.ibama.gov.br > Acesso em: 15 jul. 2014.

Prance, G.T., 1982. Forest refuges: evidences from woody angiosperms. In: Prance, G.T. (ed.) Biological Diversification in the Tropics. Columbia University Press, New York, pp. 137–158.

Prance, G.T., 1987. Biogeography of neotropical plants. In: Whitmore, T.C. & Prance, G.T. (Eds.) Biogeography and Quaternary History in Tropical America. Claredon Press, Oxford, pp. 175–196.

V Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Iperó – SP, de 18 a 20 de agosto de 2014.

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP)

Avaliadores: Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Renato Neves Feio (UFV) e Rodrigo Lingnau (UTFPR).

Colaborador(es):

Apoio: 
Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Rafael Martins Valadão (RAN/ICMBio), Tiago Quaggio Vieira (RAN/ICMBio), Augusto de Deus Pires (RAN/ICMBio), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio).

familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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