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Anfíbios - Thoropa lutzi

Avaliação do Risco de Extinção de Thoropa lutzi Cochran, 1938, no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Magno Vicente Segalla2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Adrian Garda4, Alexandre de Assis Hudson3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Christine Strüsmann6, Cínthia Aguirre Brasileiro7, Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Leôncio Pedrosa Lima3, Márcio Roberto Costa Martins11, Marinus Steven Hoogmoed16, Patrick Colombo15, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Renato Neve Feio13, Reuber Albuquerque Brandão14, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Tecnológica Federal de Viçosa - UFV
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS

16 Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG

Haddad, C. F. B., Segalla, M. V., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Garda, A., Hudson, A. A., Cruz, C. A. G., Strüsmann, C., Brasileiro, C. A., Silvano, D. L., Nomura, F., Pinto, H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Lima, L. P., Martins, M. R. C., Hoogmoed, M. S.,Colombo, P., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Feio, R. N., Brandão, R. A., Bastos, R. P. & Caramaschi, U. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Thoropa lutzi Cochran, 1938. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7797-anfibios-thoropa-lutzi.html

   Thoropa lutzi
Foto:
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura

Família: Cycloramphidae

Nomes comuns: Rãzinha dos rochedos, Lutz's River Frog (Frost 2010).

Sinonímias: Eupsophus lutzi (Frost 2010).

Notas taxonômicas: Espécie similar a T. miliaris. Possui corpo relativamente pequeno, com superfície ventral imaculada e espinho diminuto bipartido no polegar (Cochran 1938).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Dados insuficientes (DD).

Justificativa: Thoropa lutzi é endêmica do Brasil, do bioma Mata Atlântica da região sudeste do país, conhecida dos estados do Rio de Janeiro (municípios do Rio de Janeiro, Petrópolis e Goytacazes), Minas Gerais (município Alto Caparaó) e Espírito Santo (municípios de Mimoso do Sul, Santa Teresa e Muniz Freire). Essa região vem sofrendo forte alterações ambientais em decorrência da agricultura, silvicultura, extração de madeira nativa, expansão urbana, atividade turística e incêndios. Todavia, não se sabe quais os efeitos dessas interferências ambientais sobre a espécie. A subpopulação do município do Rio de Janeiro há mais de 30 anos não é mais encontrada. Nas demais localidades a espécie é naturalmente rara. Embora a área de extensão de ocorrência calculada seja de 30.949,6 km2, os dados sobre história de vida, incluindo hábitat utilizado e reprodução, são insuficientes para uma avaliação adequada quanto a distribuição, status populacional e ameaças. Por isso, Thoropa lutzi foi avaliada como Dados insuficientes (DD).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes: Na Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção, a espécie foi avaliada como Vulnerável (VU)  A1c + B1 + 2abc (MMA 2003, Machado 2005).

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Com base nas informações atuais e na aplicação mais adequada dos critérios da UICN, esta classificação (VU) não se sustenta.

Avaliações em outras escalas:
Internacional: Na lista vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), a espécie foi avaliada como Em Perigo (EN) B1ab(iii,v)+2ab(iii,v) (Carvalho-e-Silva & Carnaval 2004).
Listas estaduais: Na lista do Estado do Espírito Santo foi avaliada como Em Perigo (EN) B2a (Gasparini et al. 2007). Na lista do Estado de Minas Gerais foi avaliada como Dados Insuficientes (DD) (Estado de Minas Gerais 2010). Na lista do Estado do Rio de Janeiro foi avaliada como Possivelmente Ameaçada (PA) (Berlgallo et al 2000).


Thoropa lutzi é endêmica do Brasil, da região sudeste do país. Conhecida para os estados do Espírito Santo (municípios de Mimoso do Sul, Santa Teresa e Muniz Freire) e de Minas Gerais (município Alto Caparaó) (Gasparini et al 2007). Tem registro também no estado do Rio de Janeiro, nos municípios do Rio de Janeiro (Recreio do Bandeirante e Tijuca) e de Petrópolis (Independência) (Cochran 1938), e ainda para o município de Campos dos Goytacazes, nesse mesmo Estado. A área de extensão de ocorrência é de 30.949,6 km2, calculada por meio do mínimo polígono convexo formado a partir dos pontos de registro, excluindo-se a parte marinha.

A subpopulação no município do Rio de Janeiro está desaparecida há mais de 30 anos (Ulisses Caramaschi, comunicação pessoal, 2010) e não é conhecida a causa. Em 2002 foram registrados três indivíduos para o Espírito Santo, sendo dois no município de Muniz Freire e um para o município de Mimoso do Sul (João Gasparini, comunicação pessoal, 2010). Em museus, os lotes desta espécie são sempre pequenos (com dois a três indivíduos) indicando a raridade natural da espécie.

Thoropa lutzi ocorre em lajes rochosas de áreas florestadas do bioma Mata Atlântica, entre 200-800m de altitude, na região sudeste do Brasil (Carvalho-e-Silva & Carnaval 2004). A coloração dorsal assemelha-se a uma rocha molhada. Os ovos são depositados nas fissuras das rochas e os girinos se desenvolvem aderidos à rocha molhada (Izecksohn & Carvalho-e-Silva  2001).

A região onde a espécie ocorre, bioma Mata Atlântica da região sudeste do país, há anos vem sofrendo forte alteração no ambiente em decorrência da agricultura, silvicultura, extração de madeira nativa, expansão urbana, atividade turística e incêndios. Todavia, não se sabe quais os efeitos dessas interferências ambientais sobre a espécie.

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Aquáticas Ameaçadas de Extinção da Bacia do Rio Paraíba do Sul (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) (Brasil 2012), e do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna da Mata Atlântica do Sudeste, cuja aprovação está prevista para 2015 (Vivian Uhlig, comunicação pessoal, 2014).

Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São João/Mico-Leão-Dourado, Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim, Área de Proteção Ambiental de Petrópolis, Estação Ecológica da Guanabara, Floresta Nacional de Pacotuba, Parque Nacional da Serra dos Órgãos e Parque Nacional do Caparaó e Parque Nacional da Tijuca.

São necessárias expedições às prováveis áreas de ocorrência para detecções de subpopulações e posterior monitoramento. Estudos sobre história de vida e distribuição são necessários para melhor compreeender o estado de conservação da espécie, assim como, verificar o efeitos das alterações ambientais sobre a espécie.

Bergallo, H.G.; Rocha, C.F.D.& Alves, M.A.S.; Van Sluys, M. (orgs.). 2000. A Fauna Ameaçada de Extinção do Estado do Rio de Janeiro. Ed. UERJ. 168 p.

Cochran, D.M. Diagnoses of new frogs from Brazil. Proceedings of the Biological Society of Washington 51: 41-42. 1938.

Estado de Minas Gerais. 2008. Deliberação Copam Nº 366, de 21 de setembro de 2007. Aprova a Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais. Órgão Oficial dos Poderes do Estado, Belo Horizonte, 15 dez.

Estado de Minas Gerais. 2010. Normativa Copam Nº 147, De 30 de Abril de 2010. Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais Deliberação. Publicado no Diário do Executivo – “Minas Gerais” – 04/05/2010.

Frost, D. R. 2010. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 5.5. Disponível em: < http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia >. Acesso em: 09/07/2010.

Gasparini, J. L.; Almeida, A. P.; Cruz, C. A. G. & Feio, R. N. 2007. Os anfíbios ameaçados de extinção no Estado do Espírito Santo. (Capítulo 6). Pp. 75-86. In: Passamani, M. & Mendes, S. L. 2007. Espécies da fauna ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo. Vitória: Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica. 140p.

Izecksohn, E. & Carvalho-E-Silva, S.P. 2001. Anfíbios do Município do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 148pp.

MMA (Ministério do Meio Ambiente), 2003. Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. Instrução Normativa n°. 3, de 27 de maio de 2003. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF.

Passamani, M. & Mendes, S. L. 2007. Espécies da fauna ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo. Vitória: Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica. 140pp.

Carvalho-e-Silva, S. P. & Carnaval, A. C.. 2004. Thoropa lutzi. The IUCN Red List of Threatened Species 2004: e.T21816A9321926. < http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2004.RLTS.T21816A9321926.en >.  09/07/2010.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador(es):
Márcio Roberto Costa Martins (USP)

Avaliadores:
Adrian Garda (UFRN), Alexandre de Assis Hudson (RAN/ICMBio), Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Cinthia Aguirre Brasileiro (UNIFESP), Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBio), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Leôncio Pedrosa Lima (RAN/ICMBio), Magno Segalla (consultor-RAN/ICMBio), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Patrick Colombo (FZB/RS), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Renato Neves Feio (UFV), Reuber Albuquerque Brandão (UnB), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), Magno Vicente Segalla (consultor-PNUD/RAN/ICMBio), Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio).

familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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