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Anfíbios - Ischnocnema oea

Avaliação do Risco de Extinção de Ischnocnema oea (Heyer, 1984), no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Magno Vicente Segalla2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Adrian Garda4, Alexandre de Assis Hudson3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Christine Strüsmann6, Cínthia Aguirre Brasileiro7, Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Leôncio Pedrosa Lima3, Márcio Roberto Costa Martins11, Marinus Steven Hoogmoed16, Patrick Colombo15, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Renato Neve Feio13, Reuber Albuquerque Brandão14, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Tecnológica Federal de Viçosa - UFV
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS

16 Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG

Haddad, C. F. B., Segalla, M. V., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Garda, A., Hudson, A. A., Cruz, C. A. G., Strüsmann, C., Brasileiro, C. A., Silvano, D. L., Nomura, F., Pinto, H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Lima, L. P., Martins, M. R. C., Hoogmoed, M. S., Colombo, P., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Feio, R. N., Brandão, R. A., Bastos, R. P. & Caramaschi, U. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Ischnocnema oea (Heyer, 1984) Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8119-anfibios-ischnocnema-oea

 Ischnocnema oea site  Ischnocnema oea
Foto: João Luiz Gasparini
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura

Família: Brachycephalidae

Nomes comuns: Espírito Santo Robber Frog (Frost 2010).  Rãzinha-do-folhiço (Haddad 2013).

Sinonímias: Eleutherodactylus oeus, Eleutherodactylus (Eleutherodactylus) oeus (Frost 2010).

Notas taxonômicas: Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Quase ameaçada (NT)

Justificativa: Ischnocnema oea é endêmica do Brasil, do bioma Mata Atlântica, da região sudeste do país. De acordo com a o artigo de descrição, a espécie era conhecida somente da localidade tipo, no município de Santa Teresa, estado do Espírito Santo. Entretanto, há registros recentes para outras localidades no Espírito Santo e para os municípios de Nova Friburgo e Cambuci, no estado do Rio de Janeiro e para o município de Muriaé, no estado de Minas Gerais. Sua área de extensão de ocorrência calculada é de 19.666,3km2 (B1). As informações disponíveis não permitem avaliar se existe uma tendência de redução populacional, ou se a espécie é naturalmente rara. O crescimento progressivo da pecuária, da fruticultura, horticultura e da silvicultura ameaça os fragmentos florestais e os corpos d’água da região, causando fragmentação e declínio continuado na área e qualidade do hábitat [b(iii)]. Não há informação de que a fragmentação do ambiente esteja causando interrupção do fluxo gênico entre as subpopulações. Por essas razões, Ischnocnema oea foi avaliada como Quase ameaçada (NT), aproximando-se de Vulnerável (VU).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:
Na Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção, incluindo as listas das espécies Quase ameaçadas e Dados insuficientes, a espécie foi avaliada como Dados insuficientes (DD) (Machado 2005).

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior:
Mais informações sobre a espécie e melhor aplicação dos critérios.

Avaliações em outras escalas:
Internacional: Na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), a espécie foi avaliada como Quase ameaçada (NT) (Pimenta & Peixoto 2004).
Listas estaduais: Na lista vermelha do Espírito Santo a espécie foi avaliada como Dados insuficientes (DD) (Estado do Espírito Santo 2005, Gasparini et al. 2007).


Ischnocnema oea é endêmica do Brasil, da região sudeste do país, conhecida para o estado do Espírito Santo (ES), com registro no município de Santa Teresa (localidade-tipo) (Heyer 1984), e registros mais recentes nos municípios de Vargem Alta, Domingos Martins (no Parque Estadual de Pedra Azul) e Santa Teresa (na Reserva Biológica Augusto Ruschi) (João Gasparini, comunicação pessoal, 2010), na Reserva Biológica duas Bocas, no município de Cariacica (Tonini et al. 2010) e ainda no município de Alfredo Chaves (Almeida et al. 2011). No  estado do Rio de Janeiro, há registro em Macaé de Cima,  no município de Nova Friburgo, distante 335km da localidade-tipo (Silva-Soares et al. 2009),  e no município de Cambuci (Almeida-Gomes et al. 2010). No estado de Minas Gerais tem registro da espécie para o município de Muriaé, na Usina da Fumaça (Mangia et al., 2011). A extensão de ocorrência calculada por meio do mínimo polígono convexo, formado a partir dos pontos de registro é de 19.666,3km².

A espécie foi descrita em 1984 e somente agora, quase trinta anos depois foi publicado o seu encontro em outras regiões. Rödder et al. (2007) estudaram os anfíbios de todo o município de Santa Teresa, incluindo assim, Ischnocnema oea, mas não determinaram com mais precisão aonde estão a(s) subpopulações(ão) da espécie no município. Também é rara nas duas novas localidades em que foi registrada recentemente paro estado do Espírito Santo (João Gasparini, comunicação pessoal, 2010). A tendência populacional é desconhecida, pois não há estudos nesse sentido.

Ischnocnema oea ocorre no bioma Mata Atlântica, da região sudeste do país, habita  folhiço no chão de florestas primárias e secundárias de áreas montanhosas (Pimenta & Peixoto 2004).  As espécies deste gênero possuem desenvolvimento direto e desovam no folhiço, as desovas são muito sensíveis à desidratação e por isso esses animais dependem de uma boa camada de folhas e de alta umidade, fatores que apenas uma mata em bom estado de conservação pode fornecer. Por isso tais espécies são consideradas espécies bioindicadoras de boa qualidade ambiental (Van Sluys et. al. 2009).

Ao descrever a espécie, Heyer (1984) não define com precisão geográfica a localidade tipo, tendo possivelmente utilizado a coordenada do município de Santa Teresa, Espírito Santo. O crescimento progressivo da pecuária, do cultivo do morango e de hortaliças em geral, ameaçam os fragmentos florestais e os corpos d’água da região. Na região de Nova Friburgo, Rio de Janeiro, a espécie foi coletada dentro de uma fazenda e não há informações de quais atividades são desenvolvidas na região. O aumento das atividades relacionadas à silvicultura, sobretudo plantio de eucalipto, representa uma grande ameaça para a espécie. No entanto, não há informação de que a fragmentação do ambiente esteja causando o isolamento das subpopulações (interrompendo do fluxo gênico).

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Aquáticas Ameaçadas de Extinção da Bacia do Rio Paraíba do Sul (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) (Brasil 2012),  e do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna da Mata Atlântica do Sudeste, cuja aprovação está prevista para 2015 (Vivian Uhlig, comunicação pessoal, 2014)

Parque Municipal de São Lourenço, Reserva Biológica Augusto Ruschi, Reserva Particular do Patrimônio Natural Usina Coronel Domiciano, Área de Proteção Ambiental Municipal Babilônia, reserva Biológica Duas Bocas, Parque Estadual Pedra Azul e Estação Biológica de Santa Lúcia.

São necessários estudos sobre história de vida, reprodução, tendência populacional e distribuição, assim como, verificar o efeito da alteração do ambiente natural sobre a espécie.

Almeida, A. P.; Gasparini, J. L. & Peloso, P. L. V. 2011. Frogs of the State of Espírito Santo, Southeastern Brazil – The need for looking at the “coldspots”. Check List 7 (4): 542-560.

Almeida-Gomes, M., Almeida-Santos, M., Goyannes-Araújo, P., Borges-Júnior, V. N. T., Vrcibradic, D., Siqueira, C.C. Ariani, C. V., Dias, A. S., Souza, V. V., Pinto, R. R., Van Sluys, M. & Rocha, C. F. D. 2010. Anurofauna of an Atlantic Rainforest fragment and its surroundings in Northern Rio de Janeiro State, Brazil.  Braz. J. Biol., vol. 70, no. 3 (suppl.), p. 871-877.

Brasil. 2012. Portaria nº 107, de 11 de outubro de 2012. Diário Oficial da União. Edição n° , Seção 1, 15 de novembro de 2012.

Estado do Espírito Santo. 2005. Decreto Nº 1499/2005. Declara as espécies da Fauna e da Flora ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo. Publicado no Diário Oficial do Espírito Santo, em 13 de junho de 2005.Pp 3-16.

Frost, D. R. 2010. Ischnocnema oea. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 5.5. Disponível em: <http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia/>. Acesso em: 31/08/2010.

Gasparini, J. L.; Almeida, A. P.; Cruz, C. A. G. & Feio, R. N. 2007. Os anfíbios ameaçados de extinção no Estado do Espírito Santo. (Capítulo 6). Pp. 75-86. In: Passamani, M. & Mendes, S. L. 2007. Espécies da fauna ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo. Vitória: Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica. 140p.

Haddad, C. B.; Toledo, L. F.; Prado, C. P. A., Loebmann, D., Gasparini, J. L. & Sazima, I.. 2013. Guia dos Anfíbios da Mata Atlântica: Diversidade e Biologia. São Paulo: Anolisbook. 544p.

Heyer, W. R.1984 . Variation, systematics, and zoogeography of Eleutherodactylus guentheri and closely related species. Smithsonian Contributions to Zoology. 402: 1-52.

Machado, A.B.M. 2005. Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção: incluindo as espécies quase ameaçadas e deficientes em dados– Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas, 160p.

Mangia, S., Da Silva, E. T., Sant’Anna, A. C. & Santana D. J.. 2011. Amphibia, Anura, Brachycephalidae, Ischnocnema oea (Heyer, 1984): Distribution extension, new state record and geographic distribution map. Check List, Volume 7, Issue 2.

Pimenta, B. & Peixoto, O. L.. 2004. Ischnocnema oea. The IUCN Red List of Threatened Species 2004: e.T56806A11535175. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2004.RLTS.T56806A11535175.en. Acesso em: 31/08/2010.

Rödder, D., Teixeira, R. L., Ferreira, R. B & Dantas, R.B.. 2007a. Anuran hotspots: The municipality of Santa Teresa, Espírito Santo, southeastern Brazil. Salamandra, 43: 91-110.

Tonini, J. F. R., Carão, L. M., Pinto, I. S., Gasparini, J. L., Leite, Y. L. R. & Costa, L. P. 2010. Non-volant tetrapods from Reserva Biologica de Duas Bocas, state of Espirito Santo, Southeastern Brazil. Biota Neotropica. 10(3): 339-351.

Silva-Soares, T.; Ferreira, R.B.; Costa, P.N. 2009. Geographic distribution: Ischnocnema oea (Espírito Santo robber frog). Herpetological Review. 40(1): 108

Van Sluys, M., Cruz, C.A.G., Vrcibradic D., Silva, H. R., Gomes, A. M. & Rocha, C. F. D. 2009. Anfíbios nos remanescentes florestais de Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro. In. Bergallo, H. G., Fidalgo, E. C. C., Rocha, C. F. D., Uzêda, M. C., Costa, M. B., Alves, M. A. S., Vans Sluys, M., Santos, M. A., Costa, T. C. C. & Cozzolino, A. C. R. 2009. Estratégias e ações para a conservação da biodiversidade no estado do Rio de Janeiro. Instituto Biomas. Rio de Janeiro. 342pp.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador(es):
Márcio Roberto Costa Martins (USP)

Avaliadores:
Adrian Garda (UFRN), Alexandre de Assis Hudson (RAN/ICMBio), Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Cinthia Aguirre Brasileiro (UNIFESP), Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBio), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Leôncio Pedrosa Lima (RAN/ICMBio), Magno Segalla (consultor-RAN/ICMBio), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Patrick Colombo (FZB/RS), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Renato Neves Feio (UFV), Reuber Albuquerque Brandão (UnB), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):
João Luiz Rosetti Gasparini (UFES).

Apoio:
Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), Magno Vicente Segalla (consultor-PNUD/RAN/ICMBio), Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio).

familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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