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Anfíbios - Melanophryniscus montevidensis

Avaliação do Risco de Extinção de Melanophryniscus montevidensis Philippi, 1902, no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Magno Vicente Segalla2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Adrian Garda4, Alexandre de Assis Hudson3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Christine Strüsmann6, Cínthia Aguirre Brasileiro7, Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Leôncio Pedrosa Lima3, Márcio Roberto Costa Martins11, Marinus Steven Hoogmoed16, Patrick Colombo15, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Renato Neve Feio13, Reuber Albuquerque Brandão14, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Tecnológica Federal de Viçosa - UFV
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS

16 Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG

Haddad, C. F. B., Segalla, M. V., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Garda, A., Hudson, A. A., Cruz, C. A. G., Strüsmann, C., Brasileiro, C. A., Silvano, D. L., Nomura, F., Pinto, H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Lima, L. P., Martins, M. R. C., Hoogmoed, M. S., Colombo, P., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Feio, R. N., Brandão, R. A., Bastos, R. P. & Caramaschi, U. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Melanophryniscus montevidensis Philippi, 1902. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8121-anfibios-melanophryniscus-montevidensis

   Melanophryniscus montevidensis
Foto:
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura

Família: Bufonidae

Nomes comuns: Sapinho-de-barriga-vermelha-uruguaio, Sapito de Darwin, Red belly toad  e Montevideo Redbelly Toad.

Sinonímias: Phryniscus montevidensis e Melanophryniscus stelzneri montevidensis (Frost 2010).

Notas taxonômicas: Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Quase ameaçada (NT)

Justificativa: Melanophryniscus montevidensis ocorre no Uruguai (localidade-tipo, Montevidéu) e no Brasil. É elegível para avaliação regional. No Brasil,  ocorre no bioma Pampa, sendo conhecida para o sul do estado do Rio Grande do Sul, nos municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí. Trata-se de espécie de hábitat-específico (solos arenosos de planícies costeiras). Sua extensão de ocorrência no país foi calculada em 44,02km² (B1), não há registro da espécie em área protegida. Na região onde ocorre há plantio em larga escala de arroz e expansão imobiliária, causando perda contínua de área, qualidade e  desconectividade  do hábitat [b(iii)]. Contudo, a tendência populacional é desconhecida e não há informação de que a fragmentação do ambiente esteja causando interrupção do fluxo gênico entre as subpopulações. Por essas razões, Melanophryniscus montevidensis foi avaliada como Quase ameaçada (NT), aproximando-se de Criticamente em perigo (CR).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes: Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas:
Internacional: Na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), a espécie foi avaliada como Vulnerável (VU) A2ac;B1ab(iii,iv,v) (Langone 2004).
Listas estaduais: Não há.


Melanophryniscus montevidensis ocorre no Uruguai (localidade-tipo, Montevidéu) e no Brasil. No Brasil é conhecida para o sul do estado do Rio Grande do Sul, nos municípios de Santa Vitória do Palmar (Di Bernanrdo et al. 2006, Maneyro & Kwet 2008) e Chuí (Tedros et al. 2001, Marcelo Freire, comunicação pessoal, 2010). A Estação Ecológica do Taim, inserida ao sul do município de Rio Grande e ao norte de Santa Vitória do Palmar, potencialmente pode abrigar populações da espécie, porém estudo realizado sobre a anfibiofauna da unidade não registrou a presença da espécie (Gayer et al. 1988). Sua extensão de ocorrência no país foi calculada em 44,02km², via mínimo polígono convexo formado a partir dos pontos de registro no Brasil até a fronteira com a distribuição global da espécie, tomando por base o shape de UICN de 2010.

Atualmente não existe um estudo abordando aspectos biológicos da população brasileira de M. montevidensis. Durante atividades de campo realizadas no futuro empreendimento eólico (PESV) localizado no município de Santa Vitória do Palmar, entre abril de 2009 e março de 2010, foram identificadas três subpopulações na região do PESV, totalizando 89 indivíduos registrados em três áreas distintas (MAIA 2010). Estes 89 indivíduos foram observados em ambientes naturais de solos arenosos (Marcelo Freire, comunicação pessoal, 2010). Não há aporte das populações do país vizinho para a população no Brasil.

Esta espécie está associada a solos arenosos da planície litorânea (hábita-específico) e reproduz-se em ambientes temporários. Acredita-se que esta espécie também apresenta reprodução explosiva, conforme demais espécies do gênero (Langone 1994). No Rio Grande do Sul está associada ao bioma Pampa na região da planície costeira, em ambientes de dunas e campos arenosos, á banhados e áreas úmidas extensas remanescentes (Marcelo Duarte Freire, comunicação pessoal, 2010). Prigioni & Garrido (1989) detém as poucas observações de aspectos reprodutivos da espécie, citando observações sobre corte e descrevendo um tipo de movimento pendular durante amplexo do casal e brigas entre machos. Maneyro & Kwet (2008) compilam uma série de informações sobre a história natural desta espécie, porém não existem, até o momento informações, detalhadas sobre este aspecto (Marcelo Freire, comunicação pessoal, 2010).

Aparentemente, o maior impacto sobre as populações locais de M. montevidensis foi o desenvolvimento desenfreado da cultura do arroz (rizicultura) no município de Santa Vitória do Palmar, em meados dos anos 80 e início dos 90, quando 90.000 ha de área plantada de arroz ocupavam aproximadamente 1/5 da área do município, mas atualmente a atividade de rizicultura encontra-se em franco declínio, fato que a médio e longo prazo pode beneficiar populações locais de M. montevidensis.
O hábitat as espécie solos arenosos ao longo da planície costeira do sul Rio Grande do Sul, além das alterações ambientais causadas pela rizicultura (suspeita-se que possa provocar a contaminação dos ambientes de reprodução), sofre com a expansão imobiliária, que promove a desconectividade dos hábitats onde a espécie ocorre. Contudo, não há estudos ou indícios que de esteja causando o isolamento genético entre as subpopulações.
Segundo Maneyro & Kwet (2008), embora esta espécie não tenha sido incluída no livro vermelho do estado do Rio Grande do Sul, o fato de apresentar ocorrência em uma área geográfica restrita (planície costeira da região sul do estado do Rio Grande do Sul), justificaria a sua inclusão como espécie ameaçada.

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Anfíbios e Répteis Ameaçados da Região Sul do Brasil (Brasil 2012).

Não há registro.

São necessários estudos sobre história de vida, reprodução, tendência populacional e distribuição, assim como, verificar o efeito da alteração do ambiente natural sobre a espécie.
A subpopulação de M. montevidensis em melhor situação, em relação a sua conservação, é aquela localizada na Barra do Chuí, município de Santa Vitória do Palmar. O banhado do Salies, área anexa ao Saco do Jacaré na porção sul da Lagoa Mangueira pode ser considerada uma área potencial para a preservação da espécie. Outra área seria a antiga estrada de acesso entre a praia do Hermenegildo e a Barra do Chuí, onde são encontrados extensos ambientes de dunas, campos arenosos, banhados associados à dunas lacustres.

Brasil.2012. Portaria nº 25, de 17 de fevereiro de 2012. Diário Oficial da União. Edição nº 36, Seção 1, 22 de fevereiro de 2012.

Di-Bernardo, M., Maneyro, R. L. & Grillo, H. 2006. New Species of Melanophryniscus (Anura: Bufonidae) from Rio Grande do Sul, Southern Brazil. Journal of Herpetology, Vol. 40, No. 2, pp. 261–266.

Fontana, C.S., Bencke, G.A. & Reis, R. E. (eds.) 2003. Livro vermelho da fauna ameaçada de extinção no Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Edipucrs. 632 p.

Gayer, S., Krause, L. & Gomes N. 1988. Lista preliminar dos anfíbios da Estação Ecológica do Taim, Rio Grade do Sul, Brasil. Revta. Bras. Zool., 5(3) 419-425.

Langone, J. M. 1994. Ranas y sapos del Uruguay (Reconocimiento y aspectos biológicos). Museo Damásio Antonio Larrañaga. Serie de Divulgación (5): 1-123.

    Langone, J.. 2004. Melanophryniscus montevidensis. The IUCN Red List of Threatened Species 2004: e.T54824A11210277. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2004.RLTS.T54824A11210277.en. Acesso em: 21/08/2010.

Maneyro, R. & J. Langone. 2001. Caracterización de los Anfibios del Uruguay. Cuad. de Herpetol., 15 (2): 107-118.

Maneyro, R. & A. Kwet, 2008. Amphibians in the border region between Uruguay and Brazil: Updated species list with comments on taxonomy and natural history (Part I: Bufonidae) Stuttgarter Beiträge zur Naturkunde A, Neue Serie 1: 95–121; Stuttgart, 30.IV.2008.

MAIA, 2010. Parque Eólico de Santa Vitória do Palmar. Herpetofauna-Biol. Marcelo Duarte Freire. Relatório Final. MAIA - Meio Ambiente e Impacto Ambiental, FEPAM, 2010.

Nunes, D. Maneyro, R., Langone, J. & de Sá, R. 2004. Distribución geográfica de la fauna de anfibios del Uruguay. Smithsonian Herpetological Information Service. no. 134.

Prigioni, C. M.  & R. R.  Garrido. 1989. Algunas observaciones sobre la reproducción de Melanophryniscus stelzneri montevidensis (Anura, Bufonidae) Bol. Soc. Zool. Uruguay (2 época) p. 13-14.

Tedros, M., F. Kolenc & C. Borteiro. 2001. Melanophryniscus montevidensis (Philippi, 1902)(Anura, Bufonidae). Cuadernos de Herpetologia 15:60.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador(es):
Márcio Roberto Costa Martins (USP)

Avaliadores:
Adrian Garda (UFRN), Alexandre de Assis Hudson (RAN/ICMBio), Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Cinthia Aguirre Brasileiro (UNIFESP), Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBio), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Leôncio Pedrosa Lima (RAN/ICMBio), Magno Segalla (consultor-RAN/ICMBio), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Patrick Colombo (FZB/RS), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Renato Neves Feio (UFV), Reuber Albuquerque Brandão (UnB), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), Magno Vicente Segalla (consultor-PNUD/RAN/ICMBio), Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio).

familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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