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Anfíbios - Brachycephalus alipioi

Avaliação do Risco de Extinção de Brachycephalus alipioi Pombal & Gasparini, 2006, no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Iberê Farina Machado2, João Gabriel Ribeiro Giovanelli2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Carlos Eduardo Conte4, Caroline Zank15, Christine Strüsmann6, Clarissa Coimbra Canedo18, Daniel Loebmann19,Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Luciana Barreto Nascimento17, Márcio Roberto Costa Martins11, Marcelo Felgueiras Napoli16, Marcelo Gordo13, Marinus Steven Hoogmoed20, Mirco Solé Kienle21, Natan Medeiros Maciel9, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Ricardo Jannini Sawaya7, Rodrigo Lingnau22, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Paraná - UFPR
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Federal do Amazonas - UFAM
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
16 Universidade Federal da Bahia - UFBA
17 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUCMinas
18 Universidade Federal do Rio de Janeiro -UFRJ
19 Universidade Federal do Rio Grande - FURG
20 Museu Paraense Emilio Goeldi - MPEG
21 Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC
22 Universidade Tecnológica Federal do Paraná -UTFPR


Haddad, C. F. B., Machado, I. F., Giovanelli, J. G. R., Bataus,  Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Cruz, C. A. G., o Conte, C. E., Zank, C., Strüsmann, C., Canedo, C. C., Loebmann, D., Silvano, D. L., Nomura,  F., Pinto,  H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Nascimento, L. B., Martins, M. R. C., Napoli, M. F., Gordo, M., Hoogmoed, M. S.,  Kienle, M. S., Maciel, N. M., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Sawaya, R. J., Lingnau, R., Bastos, R. P. e Caramaschi, U.. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Brachycephalus alipioi Pombal & Gasparini, 2006. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8123-anfibios-brachycephalus-alipioi

   Brachycephalus alipioi
Foto:
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura
Família: Brachycephalidae

Nomes comuns: Pingo-de-ouro.

Sinonímias: Não há.

Notas taxonômicas: Brachycephalus alipioi pode ser diferenciada de outras espécies semelhantes por uma combinação de caracteres morfológicos (Pombal-Júnior & Gasparini, 2006).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Quase ameaçada (NT)

Justificativa: Brachycephalus alipioi é endêmica do Brasil, do bioma Mata Atlântica, conhecida apenas de três localidades, próximas entre si, restritas à floresta nebular altimontana da serra central do estado do Espírito Santo. Sua extensão de ocorrência calculada é de 279,3 km2 (B1). B. alipioi é considerada espécie rara (de difícil encontro), podendo ser encontrada em grupos de 20 indivíduos, como também, indivíduos solitários, no chão da floresta ou em meio à serapilheira. A região onde a espécie ocorre sofre declínio continuado de área e da qualidade do habitat [b(iii)], devido principalmente, às alterações antrópicas causadas pelo aumento da silvicultura (plantio de Eucaliptus e Pinnus), da agricultura (plantio de hortaliças e morango), uso de agrotóxicos e construção de condomínios de luxo. Contudo, a tendência populacional é desconhecida e não há informação de que a fragmentação do ambiente esteja causando interrupção do fluxo gênico entre as subpopulações. Por essas razões, Brachycephalus alipioi foi avaliada como Quase ameaçada (NT), aproximando-se de Em perigo (EN).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes: Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  Na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), a espécie foi avaliada como Dados insuficientes (DD) (Angulo 2008).
Listas estaduais: Não há.


Brachycephalus alipioi é endêmica do Brasil, da serra central do estado do Espirito Santo, região sudeste do país. Podendo ser encontrada em sua localidade-tipo "Fazenda Aoki ou Fazenda dos Japoneses", município de Vargem Alta, e municípios vizinhos de Castelo (Parque Estadual Forno Grande) e Santa Teresa, no estado do Espírito Santo. O local exato onde os espécimes foram coletados em Santa Teresa não é conhecido. No entanto, quando os espécimes foram coletados, em 1952, o município de Santa Teresa era maior que sua área atual, logo, é possível que a localidade indicada como Santa Teresa não seja parte do atual município (Pombal-Junior & Gasparini 2006). Sua extensão de ocorrência calculada é de 279,3 km2, tomando por base o mínimo polígono convexo formado a partir dos pontos de registro.

Brachycephalus alipioi é considerada espécie rara (de difícil encontro), ocorre no bioma Mata Atlântica, podendo ser encontrada em subpopulações de “manchas”, com grupos de até 20 indivíduos e indivíduos solitários, sempre em serapilheira abundante e úmida no interior de floresta nebular altimontana da serra central do estado do Espirito Santo (Municípios de Vargem Alta e Castelo) (Pombal-Junior & Gasparini 2006). A tendência populacional é desconhecida.

Espécie de pequeno porte e diurna, pode ser encontrada no chão da floresta ou em meio à serapilheira (Pombal-Junior & Gasparini 2006). Pouca informação sobre sua reprodução é conhecida, uma fêmea dissecada (MNRJ 26049) apresentou óvulos grandes e despigmentados, que sugerem o desenvolvimento direto, como outras espécies do gênero (Pombal-Júnior 1999).

Ainda há muito pouca informação sobre a extensão de ocorrência, status e exigências ecológicas (Angulo 2008). No entanto, na área de ocorrência da espécie, apesar de ainda bem preservada, há um preocupante aumento da  silvicultura (plantio de Eucaliptus e Pinnus), agricultura (plantio de hortaliças e morango) – consequentemente uso de agrotóxicos, além de construção de condomínios de luxo. Todavia, não se sabe se a fragmentação do ambiente está causando isolamento das subpopulações da espécie, interrompendo o fluxo gênico.

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para Conservação da herpetofauna da Mata Atlântica do Sudeste, cuja aprovação está prevista para 2015 (Vívian Uhilg, comunicação pessoal, 2014).

Parque Estadual Forno Grande, Parque Estadual da Pedra Azul.

Estudos sobre história de vida, reprodução, tendência populacional e distribuição, assim como, verificar o efeito da alteração do ambiente natural sobre a espécie, são necessários para concluir a avaliação do estado de conservação da espécie.

Angulo, A. 2008. Brachycephalus alipioi. In: IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2010.4. Disponível em: <www.iucnredlist.org>. Acesso em: 20 mai. 2011.

Pombal-Júnior, J.P.. 1999.Oviposição e desenvolvimento de Brachycephalus ephippium (Spix) (Anura, Brachycephalidae). Revista Brasileira de Zoologia, v. 16, p. 967-976.

Pombal-Júnior, J.P. & Gasparini, J.L.. 2006. A new Brachycephalus (Anura: Brachycephalidae) from the Atlantic Rainforest of Espírito Santo, southeastern Brazil. South America Journal of Herpetology, v. 1, p. 87-93.

II Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 6 a 10 de junho de 2011

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)

Avaliadores: Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Carlos Eduardo Conte (UFPR), Caroline Zank (UFRGS), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Clarissa Coimbra Canedo (UFRJ), Daniel Loebmann (FURG),  Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBIO), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBIO),  João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Luciana Barreto Nascimento (PUCMinas), Marcelo Gordo (UFAM), Marcelo Felgueiras Napoli (UFBA), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Mirco Solé Kienle (UESC), Natan Medeiros Maciel (UFG), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Ricardo Jannini Sawaya (UNIFESP), Rodrigo Lingnau (UTFPR), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Cíntia Maria Silva Coimbra (RAN/ICMBio), Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça (RAN/ICMBio), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Ilka Barroso D’Avila Ferreira  (estagiária-CIEE/RAN/ICMBio), Iberê Farina Machado (consultor-PNUD/RAN/ICMBio)Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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