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Anfíbios - Crossodactylus schmidti

Avaliação do Risco de Extinção de Crossodactylus schmidti Gallardo, 1961, no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Iberê Farina Machado2, João Gabriel Ribeiro Giovanelli2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Carlos Eduardo Conte4, Caroline Zank15, Christine Strüsmann6, Clarissa Coimbra Canedo18, Daniel Loebmann19,Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Luciana Barreto Nascimento17, Márcio Roberto Costa Martins11, Marcelo Felgueiras Napoli16, Marcelo Gordo13, Marinus Steven Hoogmoed20, Mirco Solé Kienle21, Natan Medeiros Maciel9, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Ricardo Jannini Sawaya7, Rodrigo Lingnau22, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Paraná - UFPR
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Federal do Amazonas - UFAM
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
16 Universidade Federal da Bahia - UFBA
17 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUCMinas
18 Universidade Federal do Rio de Janeiro -UFRJ
19 Universidade Federal do Rio Grande - FURG
20 Museu Paraense Emilio Goeldi - MPEG
21 Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC
22 Universidade Tecnológica Federal do Paraná -UTFPR


Haddad, C. F. B., Machado, I. F., Giovanelli, J. G. R., Bataus,  Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Cruz, C. A. G., o Conte, C. E., Zank, C., Strüsmann, C., Canedo, C. C., Loebmann, D., Silvano, D. L., Nomura,  F., Pinto,  H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Nascimento, L. B., Martins, M. R. C., Napoli, M. F., Gordo, M., Hoogmoed, M. S.,  Kienle, M. S., Maciel, N. M., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Sawaya, R. J., Lingnau, R., Bastos, R. P. e Caramaschi, U.. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Crossodactylus schmidti Gallardo, 1961. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8124-anfibios-crossodactylus-schmidti

   Crossodactylus schmidti
Foto:
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura
Família: Hylodidae

Nomes comuns: Schmidt's Spinythumb Frog (Frost 2011).

Sinonímias: Não há.

Notas taxonômicas: Existem indícios de que as populações fora do Brasil possam ser de outra espécie.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Quase ameaçada (NT)

Justificativa: Crossodactylus schmidti é encontrada no Brasil, Argentina e Paraguai. É elegível para a avaliação regional. No Brasil, ocorre no bioma Mata Atlântica, na região sul do país, com registros de ocorrência nos estado do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Sua extensão de ocorrência calculada é de 13.020,1km2 (B1). Esta espécie é restrita a ambientes florestais, alguns registros estão dentro de áreas protegidas e outros em ambientes naturais intensamente fragmentados  (desmatamento para extração de madeira e expansão agrícola), e impactados pelo uso excessivo de agrotóxicos e despejo de resíduo industrial, causando a poluição do solo e cursos d’água. Essas interferências causam declínio de área e qualidade do hábitat da espécie [b(iii)]. Contudo, a tendência populacional é desconhecida e não há informação de que a fragmentação do ambiente esteja causando interrupção do fluxo gênico entre as subpopulações. Por essas razões, Crossodactylus schmidti foi avaliada como Quase ameaçada (NT), aproximando-se de Vulnerável (VU).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes: Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  Na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), a espécie foi avaliada como Quase ameaçada (NT) (Segalla et al. 2004).
Listas estaduais: Na revisão da lista das espécies da fauna ameaçada de extinção do estado de Santa Catarina a espécie foi avaliada como Criticamente ameaçada (CR) (A2c;B1(<100)a+b(iii, iv); B2(<10)a+b(iii, iv)) (IGNIS 2011).


Crossodactylus schmidti ocorre em áreas florestais preservadas da Argentina, Paraguai e Brasil. A localidade-tipo é em Misiones na Argentina (Segalla et al. 2004, Frost 2011). No Brasil, ocorre no estado do Paraná (com registros nos  municípios de Três Barras de Paraná, Matelândia, Porto Camargo, Maringá e Bandeirantes), no estado de Santa Catarina tem registros nos  municípios de São Miguel do Oeste, Concórdia e Seara) e no estado do Rio Grande do Sul tem registros nos  municípios de Derrubadas, Braga, Dois Irmãos das Missões, Frederico Westphalen, Iraí e Taquaruçu do Sul) (Caldart et al. 2010, Lucas & Garcia 2011, Segalla et al. 2004, Rodrigo Lingnau, comunicação pessoal, 2011). Sua extensão de ocorrência é calculada em 13.020,1km2, via mínimo polígono convexo formado a partir dos pontos de registro no Brasil até a fronteira com a distribuição global da espécie, tomando por base o shape de UICN de 2010.

A população de Crossodactylus schmidti é naturalmente rara, adicionalmente, a tendência populacional é desconhecida por não existir estudos suficientes para evidenciar uma variação.

C. schmidti ocorre no bioma Mata Atlântica, perto de córregos permanentes e riachos de águas limpas e com fundo pedregoso, onde se reproduz (Segalla et al. 2004, Rodrigo Lingnau, comunicação pessoal, 2011). É provável que não tolere a perturbação do hábitat (Segalla et al 2004).

As ameaças a esta espécie incluem o corte seletivo e corte raso de florestas primárias, a poluição do solo e da água devido às práticas agrícolas, poluição industrial e resíduos orgânicos. A introdução e disseminação da Rã Touro, Lithobates catesbeianus, espécie exótiva invasora, é também uma ameaça a esta espécie (Segalla et al 2004).

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Anfíbios e Répteis Ameaçados da Região Sul do Brasil (Brasil 2012).

Parque Estadual do Turvo, Parque Estadual do Rio Guarani, Parque Estadual Fritz Plaumann e Parque Nacional do Iguaçu e Reserva Indígena do Guarita.

São necessários estudos sobre história de vida, reprodução, genética (para saber se a espécie na Argentina corresponde a uma subpopulação ou forma um único pool populacional), tendência populacional e distribuição, assim como, verificar o efeito da alteração do ambiente natural sobre a espécie. Faz-se necessáiro também, a recuperação e proteção das Áreas de Proteção Permanente na extensão de ocorrência da espécie.

Brasil. Portaria nº 25, de 17 de fevereiro de 2012. Diário Oficial da União. Edição nº 36, Seção 1, 22 de fevereiro de 2012.

Caldart, V. M., Iop, S., Santos, T. G. & Cechin, S. Z. 2010. Extension of the geographical distribution of two anuran species for Rio Grande do Sul State, Brazil, with comments on natural history. Biota Neotropical, v. 10, n. 3, p. 1-5.

IGNIS. IGNIS - Planejamento e Informação Ambiental. Lista de espécies ameaçadas do estado de Santa Catarina. Disponível em: <http://ignis.org.br/lista/>. Acesso em: 20 mai. 2011.

Frost, D. R. 2011. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 5.5. Disponível em: <http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia/>. Acesso em: 20/05/2011.

Lucas, E. M. & Garcia, P. C. A.  2011. Amphibia, Anura, Hylidae Rafinesque, 1815 and Hylodidae Günther, 1858: Distribution extension and new records for Santa Catarina, southern Brazil. Check List. Journal of Species Lists And Distribution, v. 7, n. 1, p. 13–16.

Machado, C. 2012.Amphibia, Anura, Hylodidae, Crossodactylus schmidti Gallardo, 1961: New record for Rio Grande do Sul, Brazil. Check List 8(3): 501-501.

Segalla, M. S., Garcia, P., Silvano, D., Lavilla, S. & Baldo, D.. 2004. Crossodactylus schmidti. The IUCN Red List of Threatened Species 2004: e.T56355A11467213. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2004.RLTS.T56355A11467213.en. Acesso em: 20/05/2011.

II Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 6 a 10 de junho de 2011

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)

Avaliadores: Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Carlos Eduardo Conte (UFPR), Caroline Zank (UFRGS), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Clarissa Coimbra Canedo (UFRJ), Daniel Loebmann (FURG),  Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBIO), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBIO),  João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Luciana Barreto Nascimento (PUCMinas), Marcelo Gordo (UFAM), Marcelo Felgueiras Napoli (UFBA), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Mirco Solé Kienle (UESC), Natan Medeiros Maciel (UFG), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Ricardo Jannini Sawaya (UNIFESP), Rodrigo Lingnau (UTFPR), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Cíntia Maria Silva Coimbra (RAN/ICMBio), Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça (RAN/ICMBio), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Ilka Barroso D’Avila Ferreira  (estagiária-CIEE/RAN/ICMBio), Iberê Farina Machado (consultor-PNUD/RAN/ICMBio)Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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