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Anfíbios - Cycloramphus bolitoglossus

Avaliação do Risco de Extinção de Cycloramphus bolitoglossus (Werner, 1897), no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Iberê Farina Machado2, João Gabriel Ribeiro Giovanelli2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Carlos Eduardo Conte4, Caroline Zank15, Christine Strüsmann6, Clarissa Coimbra Canedo18, Daniel Loebmann19,Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Luciana Barreto Nascimento17, Márcio Roberto Costa Martins11, Marcelo Felgueiras Napoli16, Marcelo Gordo13, Marinus Steven Hoogmoed20, Mirco Solé Kienle21, Natan Medeiros Maciel9, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Ricardo Jannini Sawaya7, Rodrigo Lingnau22, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Paraná - UFPR
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Federal do Amazonas - UFAM
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
16 Universidade Federal da Bahia - UFBA
17 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUCMinas
18 Universidade Federal do Rio de Janeiro -UFRJ
19 Universidade Federal do Rio Grande - FURG
20 Museu Paraense Emilio Goeldi - MPEG
21 Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC
22 Universidade Tecnológica Federal do Paraná -UTFPR


Haddad, C. F. B., Machado, I. F., Giovanelli, J. G. R., Bataus,  Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Cruz, C. A. G., o Conte, C. E., Zank, C., Strüsmann, C., Canedo, C. C., Loebmann, D., Silvano, D. L., Nomura,  F., Pinto,  H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Nascimento, L. B., Martins, M. R. C., Napoli, M. F., Gordo, M., Hoogmoed, M. S.,  Kienle, M. S., Maciel, N. M., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Sawaya, R. J., Lingnau, R., Bastos, R. P. e Caramaschi, U.. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Cycloramphus bolitoglossus (Werner, 1897). Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8125-anfibios-cycloramphus-bolitoglossus

   Cycloramphus bolitoglossus
Foto:
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura
Família: Cycloramphidae

Nomes comuns: Sapinho-de-riacho e Blumenau Button Frog (Frost 2011).

Sinonímias: Borborocoetes bolitoglossus, Craspedoglossa sanctae-catharinae, Craspedoglossa (= Zachaenus) sanctae-catharinae, Craspedoglossa bolitoglossa, Eupsophus bolitoglossus e Zachaenus bolitoglossus (Frost 2011).

Notas taxonômicas: Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Quase ameaçada (NT)

Justificativa: Cycloramphus bolitoglossus é endêmica do Brasil, do bioma Mata Atlântica da região sul do país. Trata-se de espécie terrícola que vive geralmente enterrada no folhiço, com distribuição restrita à Serra do Mar, com registros nos estados do Paraná e Santa Catarina. Sua extensão de ocorrência calculada é de 6.929,9 km2 (B1). Essa região vem sofrendo fragmentação e declínio continuado da qualidade do hábitat, principalmente em decorrência da extração de madeira e expansão agrícola [b(iii)]. Contudo, a tendência populacional é desconhecida e não há informação de que a fragmentação do ambiente esteja causando interrupção do fluxo gênico entre as subpopulações. Por essas razões, Cycloramphus bolitoglossus foi avaliada como Quase ameaçada (NT), aproximando-se de Vulnerável (VU).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes: Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  Na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), a espécie foi avaliada como Dados insuficientes (DD) (Heyer et al. 2004).
Listas estaduais: Na lista vermelho da fauna ameaçada no estado do Paraná a espécie foi avaliada como Dados insuficientes (DD), (Mikich & Bérnils 2004).


Cycloramphus bolitoglossus é endêmica do Brasil, da região sul do país, apresenta distribuição restrita à Serra do Mar, entre as altitudes de 640 a 1000 metros (Heyer et al. 2004).  A espécie ocorre no estado de Santa Catarina, com registros no município de São Bento do Sul (Gutsche et al. 2007), de Blumenau, na Serra do Itajaí, Parque Nacional da Serra do Itajaí (Lingnau et al. 2008),  e nos municípios de Itajaí, Corupá, Joinville e Garuva (Lucas 2008). No estado do Paraná, tem registros em Tijucas do Sul (Conte & Machado 2005), São José dos Pinhais (Conte & Rossa-Feres 2006) e Fazenda Rio Grande (Conte & Rossa-Feres 2007). Sua extensão de ocorrência calculada é de 6.929,0km2, tomando por base o mínimo polígono convexo formado a partir dos pontos de registro.

A espécie apresenta reprodução explosiva (Lingnau et al. 2008). Espécimes de antigas coletas nos arredores de São Bento do Sul e Corupá foram recentemente encontrados em três museus na Alemanha (Gutsche et al. 2007a, b). A tendência populacional é desconhecida por não existir estudos suficientes para evidenciar uma variação na população.

Cycloramphus bolitoglossus ocorre no bioma Mata Atlântica na região sul do Brasil, na Serra do Mar, entre as altitudes de 640 a 1000 metros. Trata-se de espécie terrícola que vive geralmente enterrada no folhiço. Deposita seus ovos no solo, onde as larvas eclodem e se desenvolvem, longe da água (Heyer et al. 2004). A atividade de vocalização ocorre em poucos dias do ano (Verdade 2005), após chuva torrencial, no interior do fragmento florestal entremeados à serrapilheira, distantes da água (Conte & Machado 2005).

A perda e fragmentação de hábitat devido ao desmatamento decorrente do desenvolvimento agrícola e madeireiro é uma ameaça potencial à espécie (Heyer et al. 2004). Entretanto, não se sabe se essas alterações no ambiente estão causando isolamento genético das subpopulações da espécie.

Cycloramphus bolitoglossus é uma das espécies alvo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Anfíbios e Répteis Ameaçados da Região Sul do Brasil (Brasil 2012).

Parque Nacional da Serra do Itajaí, Parque Municipal nas Nascentes do Garcia, Reserva Particular do Patrimônio Natural Parque Ecológico ARTEX e Reserva Particular do Patrimônio Natural Caetezal.

São necessários estudos sobre história de vida, reprodução, tendência populacional e distribuição, assim como, verificar o efeito da alteração do ambiente natural sobre a espécie.

Brasil. Portaria nº 25, de 17 de fevereiro de 2012. Diário Oficial da União. Edição nº 36, Seção 1, 22 de fevereiro de 2012.

Conte, C. E. & Machado, R. A. 2005. Riqueza de espécies e distribuição espacial em comunidade de anuros (Amphibia, Anura) em uma localidade de Tijucas do Sul, Paraná, Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, v. 22, n. 4, p. 940-948.

Conte C. E. & Rossa-Feres, D. C. 2007. Riqueza e distribuição espaço-temporal de anuros em um remanescente de Floresta de Araucária no sudeste do Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, v. 24, n. 4, p. 1025-1037.

Conte C. E. & Rossa-Feres, D. C. 2006. Diversidade e ocorrência temporal da anurofauna (Amphibia, Anura) em São José dos Pinhais, Paraná, Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, v. 23, n. 1, p. 162-175.

Cunha, G. F. Projeto “Diagnóstico socioambiental para criação da unidade de conservação em Itapema/SC”. Florianópolis: UFSC, 2010.

Gutsche, A., Kwet, A., Kucharzewski, Lingnau, R. & Günther R.. 2007a .Wilhelm Ehrhardt and an evaluation of his amphibians and reptiles held in the Herpetological Collection of the Museum für Naturkunde, Berlin. Mitteilungen aus dem Museum für Naturkunde in Berlin, Zoologische Reihe, v. 83, n. 1, p. 80-93.

Gutsche, A., Kwet, A., Kucharzewski, Lingnau, R. & Günther R.. 2007b. Historical Collections of Amphibians and Reptiles from Brazil by Wilhelm Ehrhardt, deposited at the Zoological Museum of the University of Hamburg. Mitteilungen aus dem hamburgischen zoologischen Museum und Institut, v. 104, p. 175-194.

Heyer, R., Segalla, M.V., Silvano, D. & Verdade, V.. 2004. Cycloramphus bolitoglossus. In: IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2010.4. Disponível em: <www.iucnredlist.org>. Acesso em: 12 mai. 2011.

Lingnau, R., Solé, M. Dallacorte, F. & Kwet Axel. 2008. Description of the advertisement call of Cycloramphus bolitoglossus (Werner, 1897), with comments on other species in the genus from Santa Catarina,south Brazil (Amphibia, Cycloramphidae). North-Western Journal of Zoology, v. 4, n. 2, p. 224-235, 2008.  

Lucas, E. M. G.. 2008. Diversidade e conservação de anfíbios anuros no Estado de Santa Catarina, sul do Brasil. 202 pp. (Tese) Universidade de São Paulo. Instituto de Biociências. Departamento de Ecologia. Sao Paulo.

Mikich, S. B. & Bérnils, R. S. 2004. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do estado do Paraná. Curitiba: Governo do Estado do Paraná, Instituto Ambiental do Paraná, SEMA, 764p.

Verdade, V. 2005. Relações filogenéticas entre as espécies dos gêneros Cycloramphus Tschudi 1838 e Zachaenus Cope 1866 (Anura, Leptodactylidae). Universidade de São Paulo.

II Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 6 a 10 de junho de 2011

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)

Avaliadores: Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Carlos Eduardo Conte (UFPR), Caroline Zank (UFRGS), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Clarissa Coimbra Canedo (UFRJ), Daniel Loebmann (FURG),  Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBIO), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBIO),  João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Luciana Barreto Nascimento (PUCMinas), Marcelo Gordo (UFAM), Marcelo Felgueiras Napoli (UFBA), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Mirco Solé Kienle (UESC), Natan Medeiros Maciel (UFG), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Ricardo Jannini Sawaya (UNIFESP), Rodrigo Lingnau (UTFPR), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Cíntia Maria Silva Coimbra (RAN/ICMBio), Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça (RAN/ICMBio), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Ilka Barroso D’Avila Ferreira  (estagiária-CIEE/RAN/ICMBio), Iberê Farina Machado (consultor-PNUD/RAN/ICMBio)Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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