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Anfíbios - Melanophryniscus spectabilis

Avaliação do Risco de Extinção de Melanophryniscus spectabilis Caramaschi & Cruz, 2002, no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Iberê Farina Machado2, João Gabriel Ribeiro Giovanelli2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Carlos Eduardo Conte4, Caroline Zank15, Christine Strüsmann6, Clarissa Coimbra Canedo18, Daniel Loebmann19,Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Luciana Barreto Nascimento17, Márcio Roberto Costa Martins11, Marcelo Felgueiras Napoli16, Marcelo Gordo13, Marinus Steven Hoogmoed20, Mirco Solé Kienle21, Natan Medeiros Maciel9, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Ricardo Jannini Sawaya7, Rodrigo Lingnau22, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Paraná - UFPR
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Federal do Amazonas - UFAM
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
16 Universidade Federal da Bahia - UFBA
17 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUCMinas
18 Universidade Federal do Rio de Janeiro -UFRJ
19 Universidade Federal do Rio Grande - FURG
20 Museu Paraense Emilio Goeldi - MPEG
21 Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC
22 Universidade Tecnológica Federal do Paraná -UTFPR


Haddad, C. F. B., Machado, I. F., Giovanelli, J. G. R., Bataus,  Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Cruz, C. A. G., o Conte, C. E., Zank, C., Strüsmann, C., Canedo, C. C., Loebmann, D., Silvano, D. L., Nomura,  F., Pinto,  H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Nascimento, L. B., Martins, M. R. C., Napoli, M. F., Gordo, M., Hoogmoed, M. S.,  Kienle, M. S., Maciel, N. M., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Sawaya, R. J., Lingnau, R., Bastos, R. P. e Caramaschi, U.. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Melanophryniscus spectabilis Caramaschi & Cruz, 2002. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8127-anfibios-melanophryniscus-spectabilis

   Melanophryniscus spectabilis
Foto:
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura
Família: Bufonidae

Nomes comuns: Desconhecidos.

Sinonímias: Não há.

Notas taxonômicas: Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Quase ameaçada (NT)

Justificativa: Melanophryniscus spectabilis é endêmica do Brasil, do bioma Mata Atlântica, apresenta distribuição restrita às bacias dos rios Irani, Do Engano e Jacutinga, todos tributários do rio Uruguai, no estado de Santa Catarina, região sul do país.  Sua extensão de ocorrência calculada é de 942,08 km2 (B1). Na região onde ocorre há diversas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), sendo que alguns reservatórios  alagaram localidades de registro da espécie. O declínio continuado da área e da qualidade do seu hábitat ocorre, também, devido ao plantio de espécies lenhosas exóticas, como o Pinus e o Eucalyptus e a expansão urbana. Contudo, a tendência populacional é desconhecida e não há informação de que a fragmentação do ambiente esteja causando interrupção do fluxo gênico entre as subpopulações. Por essas razões, Melanophryniscus spectabilis foi avaliada como Quase ameaçada (NT), aproximando-se de Em perigo (EN).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes: Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas:
Internacional: Na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), a espécie foi avaliada como Dados insuficientes (DD) (IUCN/SSC/ASG 2010).
Listas estaduais: Não há.


Melanophryniscus spectabilis é endêmica do Brasil, apresenta distribuição restrita às bacias dos rios Irani, Do Engano e Jacutinga, todos tributários do rio Uruguai, no estado de Santa Catarina (SC), região sul do país. A  Localidade-tipo é no Distrito de Nova Teutônia, município de Seara (Caramaschi & Cruz  2002), com registros mais recentes para os município de Arvoredo, Xavantina, Ponte Serrada, Itá, Arabutã, Xaxim, Xanxerê, Chapecó (Caramaschi & Cruz  2002,  Giasson et al. 2011), todos muito próximos. Sua extensão de ocorrência calculada é de 942.08 km2, tomando por base o mínimo polígono convexo formado a partir dos pontos de registro.

O último registro da espécie em coleção científica foi em 1965, porém, com as atividades de resgate e monitoramento de fauna, exigidos, para a instalação de pequenas centrais hidrelétricas (PCH), surgiram novos registros da espécie (IUCN/SSC/ASG 2010).
A espécie foi registrada com frequência, sempre após fortes chuvas, durante três anos de monitoramento de fauna em pequenas centrais hidrelétricas (PCH) no rio Irani, entretanto, algumas dessas localidades foram alagadas devido ao enchimento do lago das PCH’s. Na localidade-tipo, distrito de Nova Teotônia (SC), áreas de entorno do Museu Entomológico Fritz Plaumann a espécie é encontrada em abundância (Giasson et al. 2011).  Contudo, a tendência populacional é desconhecida, pois não há estudo nesse sentido.

Melanophryniscus spectabilis ocorre no bioma Mata Atlântica da região sul do Brasil, no estado de Santa Catarina, provavelmente até 730m de altitude (IUCN/SSC/ASG 2010). A pesar de ter sido coletada pela primeira vez em 1951, até agora pouco se sabe sobre suas exigências ecológicas. Assim como outras espécies do gênero Melanophryniscus tem reprodução do tipo explosiva em pequenas áreas úmidas com água corrente (Kwet & Di Bernardo 1999, Baldo & Basso 2004, Achaval & Olmos 2007, Santos et al 2010, Santos & Grant, 2010). Estes eventos de reprodução explosiva foram registrados em valas de drenagem a beira de estradas de chão batido, próximo a fragmentos de mata onde se formavam temporariamente, pequenos corpos d'água lóticos. Os machos vocalizam às margens  desses corpos d'água, geralmente onde a água é mais rasa, escondidos na base de vegetação emergente.

Espécies com distribuição restrita estão mais vulneráveis a ameaças como destruição, fragmentação ou qualquer alteração no seu hábitat. Neste sentido, Melanophryniscus spectabilis, apesar de abundante onde é encontrada, tem distribuição restrita e sua área de extensão de ocorrência é em uma região visada para a instalação de usinas hidrelétricas. Além disso, algumas localidades de ocorrência da espécie já foram perdidas através do enchimento dos lagos das PCH. Na região de entorno também se dá plantios de monoculturas de espécies lenhosas exóticas como Pinus e Eucalyptus e a expansão urbana.

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Anfíbios e Répteis Ameaçados da Região Sul do Brasil (Brasil 2012).

Área de Preservação Permanente Rio Uruguai.

São necessários estudos sobre história de vida, reprodução, tendência populacional e distribuição, assim como, verificar o efeito da alteração do ambiente natural sobre a espécie.

Brasil.2012. Portaria nº 25, de 17 de fevereiro de 2012. Diário Oficial da União. Edição nº 36, Seção 1, 22 de fevereiro de 2012.

Caramaschi, U. & Cruz, C. A. G.  2002. Taxonomic status of Atelopus pachyrhynus Miranda-Ribeiro, 1920, redescription of Melanophryniscus tumifrons (Boulenger, 1905), and descriptions of two new species of Melanophryniscus from the state of Santa Catarina, Brazil (Amphibia, Anura, Bufonidae). Arquivos do Museu Nacional, Rio de Janeiro, v. 60, n. 4, p. 303-314.

Giasson, L. O. M., Kunz, T. S. & Ghizoni-Jr, I. R. Amphibia, Anura, Bufonidae, Melanophryniscus spectabilis Caramaschi and Cruz, 2002: Distribution extension and geographic distribution map. Check List. Journal of Species Lists And Distribution, v. 7, n. 5, p. 641-644, 2011.
 
IUCN SSC Amphibian Specialist Group. 2010. Melanophryniscus spectabilis. The IUCN Red List of Threatened Species 2010: e.T54830A11212090. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2004.RLTS.T54830A11212090.en. Acesso em : 31/01/2011.

II Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 6 a 10 de junho de 2011

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)

Avaliadores: Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Carlos Eduardo Conte (UFPR), Caroline Zank (UFRGS), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Clarissa Coimbra Canedo (UFRJ), Daniel Loebmann (FURG),  Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBIO), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBIO),  João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Luciana Barreto Nascimento (PUCMinas), Marcelo Gordo (UFAM), Marcelo Felgueiras Napoli (UFBA), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Mirco Solé Kienle (UESC), Natan Medeiros Maciel (UFG), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Ricardo Jannini Sawaya (UNIFESP), Rodrigo Lingnau (UTFPR), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Cíntia Maria Silva Coimbra (RAN/ICMBio), Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça (RAN/ICMBio), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Ilka Barroso D’Avila Ferreira  (estagiária-CIEE/RAN/ICMBio), Iberê Farina Machado (consultor-PNUD/RAN/ICMBio)Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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