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Anfíbios - Ceratophrys ornata

Avaliação do Risco de Extinção de Ceratophrys ornata (Bell, 1843), no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Magno Vicente Segalla2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Adrian Garda4, Alexandre de Assis Hudson3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Christine Strüsmann6, Cínthia Aguirre Brasileiro7, Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Leôncio Pedrosa Lima3, Márcio Roberto Costa Martins11, Marinus Steven Hoogmoed16, Patrick Colombo15, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Renato Neve Feio13, Reuber Albuquerque Brandão14, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Tecnológica Federal de Viçosa - UFV
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS

16 Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG

Haddad, C. F. B., Segalla, M. V., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Garda, A., Hudson, A. A., Cruz, C. A. G., Strüsmann, C., Brasileiro, C. A., Silvano, D. L., Nomura, F., Pinto, H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Lima, L. P., Martins, M. R. C., Hoogmoed, M. S., Colombo, P., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Feio, R. N., Brandão, R. A., Bastos, R. P. & Caramaschi, U. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Ceratophrys ornata (Bell, 1843). Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8137-anfibios-ceratophrys-ornata

   Ceratophrys ornata
Foto:
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura

Família: Ceratophryidae

Nomes comuns: Sapo-Untanha, Sapo-Intanha, Sapo-de-Chifre. Argentina Horned Frog, Bell’s Ceratophrys, Ornate Horned Frog (Frost 2010).

Sinonímias: Uperodon ornatum, Trigonophrys rugiceps, Ceratophrys ornate, Ceratophrys ensenadensis, Ceratophrys ensenadensis e Ceratophrys (Ceratophrys) ornate (Frost 2010).

Notas taxonômicas: Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Quase ameaçada (NT)

Justificativa: Ceratophrys ornata ocorre no e Brasil, Argentina e Uruguai. É elegível para a avaliação regional. No Brasil, ocorre no bioma Pampa, na região sul do país, no extremo sul do estado do Rio Grande do Sul. É espécie rara, conhecida de poucos registros, provavelmente devido ao hábito semifossorial. Sua extensão de ocorrência calculada para o Brasil é de 4.569,7 km2 (B1) e provavelmente sua área de ocupação seja bem menor. Na área de sua distribuição há plantio de arroz, uso de agrotóxico, canais de drenagem e expansão urbana, causando fragmentação e declínio contínuo da área e da qualidade do hábitat [b(iii)]. Contudo, a tendência populacional, no país, é desconhecida e não há informação de que a fragmentação do ambiente esteja causando interrupção do fluxo gênico entre as subpopulações. Por essas razões, Ceratophrys ornata foi avaliada como Quase ameaçada (NT), aproximando-se de Em perigo (EN).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes: Na Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção, a espécie foi avaliada como Dados insuficientes (DD) (Machado 2005).

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Mais informações disponíveis sobre a espécie.

Avaliações em outras escalas:
Internacional: Na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), a espécie foi avaliada como Quase ameaçada (NT) (Kwet et al. 2004).
Listas estaduais: Na Lista Vermelha do estado de Rio Grande do Sul foi avaliada como Vulnerável (VU) (Marques et al. 2002).


Ceratophrys ornata ocorre na Argentina, Uruguai e Brasil (Langone 1995, Frost 2011). No Brasil, tem distribuição somente para a região sul do país, mais especificamente para o extremo sul do estado do Rio Grande do Sul. São conhecidos poucos registros localizados muito próximos entre si, nos municípios de Santa Vitória do Palmar (Braun & Braun 1980), Rio Grande (Gaye et al. 1988) e na Escatção Ecológica do Taim (Gayer et al. 1988). Sua extensão de ocorrência foi calculada em 4.569,7  km2, via mínimo polígono convexo formado a partir dos pontos de registro no Brasil até a fronteira com a distribuição global da espécie, tomando por base o shape de UICN de 2014.

Não há informação sobre a população, devido ao hábito semifossorial e comportamento reprodutivo explosivo, o que justifica a baixa presença de material em coleção. Não se sabe se há aporte das populações dos países vizinhos. A tendência populacional, no país, é desconhecida e não há informação de que a fragmentação do ambiente esteja causando interrupção do fluxo gênico entre as subpopulações.

A espécie ocorre no bioma Pampa, é associada a solos arenosos da planície litorânea. Reproduz-se em poças temporárias, após chuvas fortes (comportamento reprodutivo explosivo). Tem hábito semifossorial, permanecendo enterrada fora da estação reprodutiva, o que dificulta o encontro (rara).

Existe uma área utilizada para o plantio de arroz dentro da extensão de ocorrência da espécie o que pode provocar a poluição dos ambientes de reprodução, contaminação com agrotóxicos e drenagens de brejos. A espécie não tolera ambientes antropizados segundo Paulo. C. A. Garcia (comunicação pessoal, 2010). C. ornata é utilizada como animal de estimação (Pistoni & Toledo 2010). Segundo Kwet et al. (2004), é eliminada pelas populações humanas locais, pois existem crenças infundadas, de que seja venenosa.

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Anfíbios e Répteis Ameaçados da Região Sul do Brasil (Brasil 2012).

Estação Ecológica do Taim.

São necessários estudos sobre história de vida, reprodução, tendência populacional e distribuição, assim como, verificar o efeito da alteração do ambiente natural sobre a espécie.

Brasil. Portaria nº 25, de 17 de fevereiro de 2012. Diário Oficial da União. Edição nº 36, Seção 1, 22 de fevereiro de 2012.

Braun, P. C. & Braun, C. A. S.. 1980. Lista previa dos anfíbios do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Iheringia, (Zoología)(56):121-146.

Braun, P. C., Braun, C. A. S.  & Schuler P. M. D.. 1980. Observações sobre o comportamento alimentar de Ceratophrys ornata (Bell, 1843) em cativeiro. Revista Brasileira de Biologia, 40(2): 401-403.

Frost, D. R. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 5.5. Disponível em: <http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia/>. Acesso em: 13/07/2010.

Gayer, S. M. P., Krause , L. & Gomes, N.. 1988. Lista preliminar dos anfíbios da Estação Ecológica do Taim, Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, 5(3):419-425.

Kwet, A., Skuk, G., Silvano, D., Lavilla, E., Di Tada, I. & Lajmanovich, R.. 2004. Ceratophrys ornata. The IUCN Red List of Threatened Species 2004: e.T56340A11464790. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2004.RLTS.T56340A11464790.en. Acesso em: 13 de julho de 2010.

Langone, J. A. 1995 “1994”. Ranas y sapos del Uruguay (Reconocimiento y aspectos biológicos).
Museo Dámaso Antonio Larrañaga. Intendencia Municipal de Montevideo. Serie Divulgación, 5:1-127.

Machado, A.B.M. 2005. Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção: incluindo as listas das espécies Quase ameaçadas e as Deficientes em dados. Belo Horizonte. Fundação Biodiversitas.

Marques, A. A. B. De, Fontana, C. S. & Vélez, E. 2002. Lista das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto n 41.672, de 11 de junho de 2002. Publicações Avulsas da Fundação Zoobotânica. Porto Alegre: FZB/MCT-PUCRS/PANGEA.

Pistoni, J. & Toledo, L. F.. 2010. Amphibian ilegal trade in Brazil: What do we know? South American Journal of Herpetology, 5(1), 2010, 51-56.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador(es):
Márcio Roberto Costa Martins (USP)

Avaliadores:
Adrian Garda (UFRN), Alexandre de Assis Hudson (RAN/ICMBio), Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Cinthia Aguirre Brasileiro (UNIFESP), Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBio), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Leôncio Pedrosa Lima (RAN/ICMBio), Magno Segalla (consultor-RAN/ICMBio), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Patrick Colombo (FZB/RS), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Renato Neves Feio (UFV), Reuber Albuquerque Brandão (UnB), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), Magno Vicente Segalla (consultor-PNUD/RAN/ICMBio), Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio).

familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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