Ir direto para menu de acessibilidade.
Início do conteúdo da página

Répteis - Leposternon polystegum

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Leposternon polystegum (Duméril, 1851), NO BRASIL



Guarino Rinaldi Colli1, Jéssica Fenker Antunes2, Leonardo Gonçalves Tedeschi1, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Adriano Lima Silveira4, Carlos Frederico Duarte da Rocha5, Cristiano de Campos Nogueira6, Fernanda de Pinho Werneck7, Geraldo Jorge Barbosa de Moura8, Gisele Regina Winck5, Mara Cíntia Kiefer9, Marco Antônio de Freitas10, Marco Antônio Ribeiro Júnior11, Marinus Steven Hoogmoed11, Moacir Santos Tinoco12, Rafael Martins Valadão3, Renata Cardoso Vieira13, Renata Perez Maciel13, Renato Gomes Faria14, Renato Recoder15, Robson Waldemar Ávila16, Selma Torquato da Silva17, Síria Lisandra de Barcelos Ribeiro18 e Teresa Cristina Sauer de Avila Pires11.

1. Universidade de Brasília - UnB
2. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - Bolsista/RAN/ICMBio
3. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4. Museu Nacional – MN/UFRJ
5. Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
6. Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo - MZUSP
7. Instituo Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA
8. Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
9. Universidade Federal Fluminense - UFF
10. Parque Nacional Catimbau - Parna Catimbau/ICMBio
11. Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
12. Universidade Catolica do Salvador - UCSAL
13. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
14. Universidade Federal de Sergipe - UFSE
15. Universidade de São Paulo - USP
16. Universidade Regional do Cariri - URCA
17. Universidade Federal de Alagoas - UFAL
18. Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA
 

Colli, G. R.; Fenker, J. A.;Tedeschi, L. G.;Bataus, Y. S. L; Uhlig, V. M.; Silveira, A. L.; Rocha, C. F. D.;Nogueira, C. C.;Werneck, F. P.;Moura, G. J. B.;Winck, G. R.;Kiefer, M. C.; Freitas, M. A.; Ribeiro Júnior, M. A.;Hoogmoed, M. S.; Tinoco, M. S.; Valadão, R. M.; Vieira, R. C.; Maciel, R. P.; Faria, R. G.; Recoder, R.; Ávila, R. W.; Silva, S. T.; Ribeiro, S L. B & Avila-Pires, T. C. S.. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de  Leposternon polystegum (Duméril, 1851), no Brasil. Processo de avaliação do estado de conservação da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8870-repteis-leposternon-polystegum

   Leposternon polystegum
Foto:
Elaboração: Leonardo Tedeschi (UnB) e
NGeo/RAN/ICMBio, 2014

Ordem:  Squamata
Família:  Amphisbaenidae.

Nomes comuns: Cobra-de-duas-cabeças. Bahia Worm Lizard  (Uétz, 2014).

Sinonímias: Lepidosternon grayii, Leposternon polystegoides, Amphisbaena polystegum, Amphisbaena polystega (Uétz, 2014).

Notas taxonômicas: Esta espécie pertence a um complexo de espécies que atualmente está sob revisão taxonômica (Ribeiro 2010).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Menos preocupante (LC).

Justificativa: Leposternon polystegum é endêmica do Brasil, com registros nos estados do Pará, Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro e em todos os estados da região Nordeste, exceto Paraíba. Ocorre nos biomas Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado, em várias unidades de conservação, e em ambientes antropizados.  Sua extensão de ocorrência calculada é de 1.950.345,4 km2. Não são conhecidas ameaças evidentes que possam afetar a espécie ao ponto de colocá-la em risco de extinção. Por essas razões, Leposternon polystegum foi avaliada como Menos preocupante (LC).
 

Histórico das avaliações nacionais anteriores: Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior:  Não é o caso.

Avaliações em outras escalas: 
Internacional:  Na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) a espécie foi avaliada, em 2009, como Menos Preocupante (LC) (Duarte, 2010).
Estaduais:  Não há.



Leposternon polystegum é endêmica do Brasil, com registros nos estados do Pará, Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro e em todos os estados da região Nordeste, exceto Paraíba (Andrade et al., 2006; Barros-Filho & Valverde, 1996; Borges-Nojosa & Caramaschi, 2003; Cintra et al., 2009; Dal Vechio et al., 2013; Gomes et al., 2009; Loebmann & Haddad, 2010; Moura et al., 2011; Pavan & Dixo, 2004; Perez & Ribeiro, 2008; Ribeiro et al., 2008; 2011; 2012; Salles et al., 2010; Schimdt, 1936; Silveira, 2007; CHUNB, 2014). Sua extensão de ocorrência é de 1.950.345,4 km2, calculada via mínimo polígono convexo formado a partir dos pontos de registro.

 Não há informações disponíveis sobre abundância para esta espécie ou tendência populacional.

Os anfisbenídeos são répteis fossoriais, principal característica do grupo, o que molda a sua morfologia, ecologia e habitat. Devido a isto, é um dos grupos de Squamata menos conhecidos. Possui corpo cilíndrico, robusto, uniforme, desprovido de patas e mãos, a cauda é forte e curta, com o mesmo formato que a cabeça (Cunha, 1961). As espécies do gênero Leposternon possuem sempre a cabeça dorsoventralmente comprimida. Leposternon polystegum atinge comprimento rostro-cloacal entre 30-35 mm e os machos são maiores que fêmeas (Gomes et al, 2009). Ocorre nos biomas Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado e ambientes antropizados. Na região semi-árida do Nordeste do Brasil é confundida com serpentes venenosas, e morta por isto (Alves et al, 2012). Ocorre em ambientes de campo sujo com gramíneas e em meio ao folhiço. Foram encontrados seis ovos em um espécime durante o mês de dezembro. Destaca-se que aspectos reprodutivos sobre o gênero são raros Filho et al, 1996). Alimenta-se de insetos, com destaque para Hymenoptera, Formicidae, cupins e larvas de coleóptera (Filho et al, 1996; Gomes et al, 2009).

Embora haja perda de vegetação nativa na área de distribuição da espécie, para conversão em áreas de pastagem, agricultura e urbanização, não há ameaças evidentes que possam levar a espécie a algum grau de risco de extinção.

A espécie ocorre na área de abrangência  do Plano de Ação Nacional para Conservação da Herpetofauna Ameaçada da Mata Atlântica Nordestina, (Brasil 2013) e do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna da Mata Atlântica do Sudeste, cuja aprovação está prevista para 2015 (Vivian Uhlig, comunicação pessoal, 2014).

Área de Proteção Ambiental Bonfim / Guaraíra, Área de Proteção Ambiental das Nascentes do Rio Vermelho, Área de Proteção Ambiental de Petrópolis, Área de Proteção Ambiental de Upaon-Açu / Miritiba / Alto Preguiças, Área de Proteção Ambiental Serra do Lajeado e Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins.

Levantamentos de fauna direcionados ao grupo e estudos sobre sua distribuição e história natural são necessários para um melhor conhecimento da distribuição da espécie.

ALVES, R. R. N. et al. A zoological catalogue of hunted reptiles in the semiarid region of Brazil. Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, v. 8, n. 27, p. 1-29, 2012.

ANDRADE, D. V.; NASCIMENTO, L. B.; ABE, A. S. Habits hidden underground: a review on the reproduction of the Amphisbaenia with notes on four neotropical species. Amphibia-Reptilia, v. 27, n. 2006, p. 207-217, Jun 2006.

BARROS-FILHO, J. D. D.; VALVERDE, M. C. C. Notas sobre Amphisbaenia (Reptilia, Squamata) da microrregião de Feira de Santana, estado da Bahia, Brasil. Sitientibus, v. 14, p. 57-68, 1996.

BORGES-NOJOSA, D. M.; CARAMASCHI, U. Composição e análise comparativa da diversidade e das afinidades biogeográficas dos lagartos e anfisbenídeos (Squamata) dos brejos nordestinos. In: (Ed.), 2003.

BRASIL Portaria ICMBio nº. 200 de 1° de Julho de 2013. Diário Oficial da União. Edição nº 125/2013, Seção 1, terça-feira, 02 de julho de 2013.

CHUNB (Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília). Consulta. Departamento de Zoologia, Universidade de Brasília - UnB. Campus Darcy Ribeiro, Brasília, Distrito Federal. 2014.

CINTRA, C. E. D.; SILVA, H. L. R.; JR., N. J. D. S. Herpetofauna, Santa Edwiges I and II hydroelectric power plants, state of Goiás, Brazil. Check List, v. 5, n. 3, p. 570-576, 2009.

CUNHA, O. R. II. Lacertilios da Amazônia. Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, nova série, Zoologia, Belem v.39, p. 1-189.1961.
   
DAL-VECHIO, F. et al. The herpetofauna of The Estação Ecológica de Uruçuí-Una, state of Piauí, Brazil. Papéis Avulsos de Zoologia, v. 53, n. 16, p. 225-243, 2013.

DUARTE, J. 2010. Amphisbaena polystegum. The IUCN Red List of Threatened Species 2010: e.T176240A7202760. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2010-4.RLTS.T176240A7202760.en: Acessado em 10/02/2014.

FILHO, J. D. D. B.; VALVERDE, M. C. C. Notas sobre os Amphisbaenia (Reptilia, Squamata) da microrregião de Feira de Santana, estado da Bahia, Brasil. Sitientibus Serie Ciencias Biologicas, v. 14, p. 57-68, 1996.

GOMES, J. O. et al. Diet composition in two sympatric Amphisbaenian species (Amphisbaena ibijara and Leposternon polystegum) from the Brazilian Cerrado. Journal of Herpetology, v. 43, n. 3, p. 377-384, Sep 2009.

LOEBMANN, D.; HADDAD, C. F. B. Amphibians and reptiles from a highly diverse area of the Caatinga domain: composition and conservation implications. Biota Neotropica, v. 10, n. 3, p. 227-256, Jul-Sep 2010.

MOURA, G. J. B. D. et al. Herpetofauna de Pernambuco. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Centro Nacional de Informação Ambiental, 2011.

PAVAN, D.; DIXO, M. 2002-2004. A herpetofauna da Área de influência do reservatório da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, Palmas, TO. Humanitas, v. 4, n. 6, p. 13-30, 2004.

PEREZ, R.; RIBEIRO, S. Reptilia, Squamata, Amphisbaenidae, Leposternon spp.: Distribution extension, new state record, and geographic distribution map. Check List, v. 4, n. 3, p. 291-294, 2008.

RIBEIRO, S. C. et al. The squamata fauna of the Chapada do Araripe, Northeastern Brazil. Cadernos de Cultura e Ciência, v. 1, n. 1, p. 67-76, 2008.

RIBEIRO, S. R. et al. Description of a New Pored Leposternon (Squamata, Amphisbaenidae) from the Brazilian Cerrado. South American Journal of Herpetology, v. 6, n. 3, p. 177-188, 2011.

RIBEIRO, S. C. et al. Amphibians and reptiles from the Araripe bioregion, northeastern Brazil. Salamandra, v. 48, n. 3, p. 133-146, 30 October 2012.

SALLES, R. D. O. L.; WEBER, L. N.; SILVA-SOARES, T. Reptiles, Squamata, Parque Natural Municipal da Taquara, municipality of Duque de Caxias, state of Rio de Janeiro, Southeastern Brazil. Check List, v. 6, n. 2, p. 280-286, 2010.

SCHMIDT, K. P. Notes on Brazilian Amphisbaenians. Herpetologica, v. I, p. pp. 28-32, 1936.

SILVEIRA, A. L. Amphisbaena fuliginosa wiedi. Herpetological Review, v. 38, n. 4, p. 481, December 2007.

UÉTZ, P.. Amphisbaena polystegum. Reptile Database. http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus=Amphisbaena&species=polystegum. Acesso em: 10/02/2014.

Oficina de Avaliação do Estado de Conservação das Anfisbênias no Brasil

Local e Data da Avaliação: Iperó - SP, no período de 18 a 22 de agosto de 2014.

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)

Avaliadores :
Adriano Lima Silveira (MN/UFRJ), Carlos Frederico Duarte da Rocha (UERJ), Cristiano de Campos Nogueira (MZUSP), Fernanda de Pinho Werneck (INPA),  Geraldo Jorge Barbosa de Moura (UFRPE), Gisele Regina Winck  (UERJ), Marco Antônio Ribeiro Júnior (MPEG), Mara Cíntia Kiefer (UFF), Marco Antônio de Freitas (PARNA Catimbau), Marco Antônio Ribeiro Júnior (MPEG), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Moacir Santos Tinoco (UCSAL),  Rafael Martins Valadão (RAN/ICMBio), Renata Cardoso Vieira (UFRGS), Renata Perez Maciel (UFRGS), Renato Gomes Faria (UFSE), Renato Recoder (USP), Robson Waldemar Ávila (URCA), Selma Torquato da Silva (UFAL),Síria Lisandra de Barcelos Ribeiro (UFOPA),Teresa Cristina Sauer de Avila Pires (MPEG).

Colaborador(es):
Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília (CHUNB) e Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO/ICMBio).

Apoio: Augusto de Deus Pires (RAN/ICMBio), Jéssica Fenker Antunes (Bolsista/RAN/ICMBio), Leonardo Gonçalves Tedeschi (UnB), Nadya Lima (Bolsista/RAN/ICMBio), Rafael Martins Valadão (RAN/ICMBio), Guarino Rinaldi Colli (UnB), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
Fim do conteúdo da página