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Invertebrados Aquáticos - Physa marmorata Guilding, 1828 - Caramujo

Classificação Taxonômica
Grupo
Classe:
Ordem:
Família:
Espécie:
Nome Vulgar:
Invertebrados Aquáticos
Gastropoda
Pulmonata
Physidae
Physa marmorata Guilding, 1828
Caramujo
Categoria de Ameaça
Categoria Validada:
Critério Validado:
Presença Lista Anterior:
VU
A4ce
Justificativa
Physa marmorata tem como localidade-tipo a ilha Saint Vincent, no Caribe, com vários registros na América Central e América do Sul. No Brasil, foi encontrada nos seguintes estados: RO, TO, MA, RN, BA, MT, GO, MG, RJ, SP, PR e SC. Encontrada bem adaptada a corpos d’água límnicos, principalmente lênticos e menos poluídos, incluindo lagos (naturais e artificiais), riachos, rios, represas, valas de drenagem, pântanos, corpos d água temporários e piscinas à beira da estrada, embora seja sensível à luz solar direta, falta de oxigênio, a dessecação e a falta de alimento. A descaracterização dos habitats devido ao desenvolvimento econômico e de infraestruturas, e urbanização, somado ao aumento da construção de barragens, representam ameaças a essa subpopulação. Outra ameaça à espécie é a presença da espécie exótica Physa acuta mais adaptada a ambientes poluídos e com superioridade reprodutiva sobre P. marmorata. O monitoramento da malacofauna límnica realizado entre 2000 e 2011 na área da UHE Serra da Mesa, GO, demonstrou um declínio populacional da espécie P. marmorata, ao contrário da espécie congenérica exótica P. acuta, após sua introdução no reservatório. Dos 24 pontos de amostragem analisados, distribuídos numa área com 1.784km² (volume de água represada), em três diferentes períodos, a percentagem das espécies P. marmorata e P. acuta foram, respectivamente: 16,7% e 0%, nos anos de 2000 e 2001; 87,5% e 0% (2005 e 2006); e 70,8% e 75% (2010 e 2011). Por se tratar de uma espécie com ciclo de vida curto, o declínio foi calculado dentro do período de 10 anos, a partir dos dados de 5 anos atrás e da projeção para 5 anos no futuro. Assumindo uma taxa de crescimento da P. acuta ao ano, e consequentemente, perda de P. marmorata foi observado que em 6 anos, o aumento de P. acuta foi de 75%, enquanto que a redução de P. marmorata foi de ~17%. Assumindo-se que essa taxa se manterá, nos próximos 5 anos, haverá uma redução de ~35% de P. marmorata na área avaliada, e como a espécie exótica ocorre no Brasil inteiro, é possível suspeitar que esse mesmo declínio acontecerá em toda a população brasileira. Portanto, P. marmorata foi categorizada como Vulnerável – VU pelo critério A4ce.
Especialistas
Eduardo Colley – MZUSP, Igor Christo Myahira - UERJ e UNIRIO, Ingrid Heydrich - FZB/RS, Isabela Cristina Brito Gonçalves – UERJ, Lenita Tallarico – UNICAMP, Luiz Eduardo Macedo Lacerda – UERJ, Maria Júlia Martins Silva – UnB, Meire Silva Pena - PUC/MG, Monica Ammon Fernandez – FIOCRUZ, Norma Campos Salgado - MN/UFRJ, Silvana Carvalho Thiengo - Fiocruz/RJ, Sonia Barbosa dos Santos – UERJ, Suzete Rodrigues Gomes – MZUSP.
Referências
Bony, Y.K., Kouassi, N.C., Diomandé, D., Gourene, G., Verdoit-Jarraya, V. & Pointier, J.P. 2008. Ecological conditions for spread of the invasive snail Physa marmorata (Pulmonata: Physidae) in the Ivory Coast. African Zoology 43(1): 53-60.
Coleção de Moluscos do Instituto Oswaldo Cruz
Fernandez, M.A. 2011. Variação espaço-temporal da malacofauna límnica em dois reservatórios no rio Tocantins, com ênfase na transmissão da esquistossomose, no período entre junho de 2004 e outubro de 2010. Tese de Doutorado, Pós-graduação em Biologia Parasitária, Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, 188p.
Fernandez, M.A., Thiengo, S.C. & Manzano, F.V. 2013. Monitoramento dos moluscos límnicos hospedeiros de parasitoses humanas na área de influência da Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa, Goiás, Brasil. XXIX Seminário Nacional de Grandes Barragens, Porto de Galinhas, 8 a 11 de abril.
Núñez V 2010. Differences on allocation of available resources in growth, reproduction, and survival, in na exotic gastropod of Physidae compared to an endemic one. Iheringia, Série Zoologia, 100 (3): 275-279.
Paraense, W.L. 1986. Physa marmorata Guilding, 1828 (Pulmonata: Physidae). Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, 81 (4): 459-469.
Pastorino, G. & Darrigran, G., 2011. Physa marmorata. In: IUCN 2013. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2014.2. . Downloaded on 01 August 2014.
Pinto, H.A., Brant, S.V. & Melo, AL., 2014. Physa marmorata (Mollusca: Physidae) as a natural intermediate host of Trichobilharzia (Trematoda: Schistosomatidae), a potential causative agente of avian cercarial dermatites in Brazil. Acta Tropica 138:38-43.
Taylor, D.W. 2003. Introduction to Physidae (Gastropoda: Hygrophila); biogeography, classification, morphology. Revista de Biología Tropical, 51 (Suppl. 1): 1-287.
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