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Répteis - Philodryas livida

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Philodryas livida (Amaral, 1923), NO BRASIL



Márcio Roberto Costa Martins1, Cristiano de Campos Nogueira2, Bruno Ferreto Fiorillo3, Josué Anderson Rêgo Azevedo3, Yeda Soares de Lucena Bataus4, Vívian Mara Uhlig4, Adriano Lima Silveira5, Antônio Jorge Suzart Argôlo6, Carlos Roberto Abrahão4, Christine Strüssmann7, Daniel Loebmann8, Fausto Erritto Barbo2, Francisco Luís Franco9, Gabriel Corrêa Costa10, Geraldo Jorge Barbosa de Moura11, Hussam El Dine Zaher2, Márcio Borges Martins12, Maria Ermelinda do Espírito Santo Oliveira13, Marinus Steven Hoogmoed14, Otavio Augusto Vuolo Marques9, Paulo Gustavo Homem Passos15,Renato Silveira Bérnils16, Ricardo Alexandre Kawashita Ribeiro17, Ricardo Jannini Sawaya 18 e Thaís Barreto Guedes da Costa9.

1. Universidade de São Paulo - USP
2. Museu de Zoologia da Universadade de São Paulo - MZUSP
3. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - bolsista-RAN/ICMBio
4. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
5. Engenharia e Gestão de Projetos Ltda - AMPLO
6. Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC
7. Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
8. Universidade Federal do Rio Grande - FURG
9. Instituto Butantan - IB
10. Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
11. Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE
12. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
13. Universidade Federal do Amazonas -UFAM
14. Museu Paraense Emilio Goeldi - MPEG
15. Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
16. Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
17. Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT

Martins, M. R. C.,  Nogueira, C. C., Fiorillo, B. F., Azevedo,  Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Silveira, A. L., Argôlo, A. J. S., Abrahão, C. R., Strüssmann, C., Loebmann, D., Barbo, F. E., Franco, F. L., Costa, G. C., Moura, G. J. B., Zaher, H. D., Martins, M. B.,   Oliveira, M. E. E. S., Hoogmoed, M. S., Marques, O. A. V., Passos, P. G. H., Bérnils,  R. S., Ribeiro, R. A. K., Sawaya, R. J., & Costa, T. B. G.. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Philodryas livida (Amaral, 1923),  no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7885-repteis-philodryas-livida.html

 Philodryas livida site  Philodryas livida
Foto: Cristiano Nogueria
Elaboração: Azevedo, J.A.R. (UnB) e
Uhlig, M.V. (NGeo/RAN/ICMBio), 2012

Ordem:  Squamata
Família: Dipsadidae

Nomes comuns:  Não há.

Sinonímias: Philodryas lividum (Uetz 2012).

Notas taxonômicas:  Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Vulnerável (VU) A2c

Justificativa: Philodryas livida é endêmica do Brasil, com registro nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Embora a extensão de ocorrência calculada para a espécie seja de 235.985 km2, trata-se de espécie especialista em fisionomias campestres de Cerrado, que têm sido drasticamente reduzidas e fragmentadas. Nos últimos dez anos houve uma redução de 30,5% da área de ocupação da espécie devido à expansão agrícola (conversão de áreas naturais em pastagem e plantio em larga escala de monoculturas). Considerando que o período de 10 anos, seja maior que o período de três gerações para a espécie, e suas especificidades ecológicas, infere-se que a redução de seu hábitat seja equivalente à redução da população (maior ou igual 30%), sendo que as causas não cessaram (A2c). Por esses motivos, Philodryas livida foi categorizada como Vulnerável (VU) pelo critério A2c.

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:  Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas: 
Internacional:  Na lista vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza  (UICN), foi avaliada como Vulnerável (VU), segundo o critério A2c (Nogueira 2010)
Estaduais: Na lista vermelha do estado de São Paulo foi avaliada como Vulnerável (VU) (Estado de São Paulo 2008).



Philodryas lívida é endêmica do Brasil, com registro nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A extensão de ocorrência foi calculada em 235.985 km2, via mínimo polígono convexo a partir dos pontos de registro. Cerca de 23% da área da distribuição (calculada pela soma da área de quadrículas de 6 minutos de lado coincidentes com a extensão de ocorrência) permaneciam como remanescentes de vegetação nativa em 2008.

Diante das altas e constantes taxas de perdas de ambientes campestres naturais da parte sul do Cerrado, suspeita-se de declínio contínuo das subpopulações desta espécie, que devem se encontrar extremamente reduzidas e fragmentadas. Esta redução foi estimada com base nos remanescentes campestres de Cerrado dentro da distribuição potencial (Maxent). Infere-se, assim, uma redução da população maior ou igual a 30%.  A porção sul do Cerrado, nos planaltos da alta bacia Platina, é a região mais impactada do bioma (Nogueira et al. 2011). As perdas de hábitat recentes devem ser ainda mais intensas e concentradas nas poucas áreas campestres remanescentes, uma vez que campos de interflúvio em topos de chapada são o tipo mais visado de ambiente para a expansão da agricultura mecanizada. Embora a espécie esteja categorizada como Vulnerável (VU) na lista regional de São Paulo, dados de área campestre remanescente no Cerrado paulista, indicam que há menos de 500 km2 (50.000 ha) de campos nativos de Cerrado no estado, o que indicaria a categoria de Em perigo (EN) para a espécie nesta parte de sua distribuição. Embora haja vários registros históricos para a espécie no interior de São Paulo, em amostragens recentes e intensivas na região de Brotas e Itirapina (onde a espécie conta com registros de coleção) Thomas & Fernandes (1996) não encontraram um único exemplar desta espécie (Sawaya et al. 2008). Apesar desta espécie ser bastante rara, a falta de registros recentes, exceto na região da maior área protegida de campos da parte sul do Cerrado, pode indicar declínios populacionais relevantes.

Os únicos registros recentes da espécie, fornecendo os únicos dados disponíveis sobre uso de ambiente a partir de observações de campo, foram obtidos a partir do encontro de seis exemplares na região do Parque Nacional das Emas, sudoeste do Estado de Goiás (Valdujo & Nogueira 1999, Valdujo et al. 2009). Todos os exemplares foram observados em áreas campestres do bioma Cerrado (campo limpo e campo sujo), ativos em deslocamento durante o dia, sobre o solo, em campos sujos com grande densidade de cupinzeiros e cavidades no solo. Desses seis exemplares, apenas um foi obtido fora da área protegida, em ambiente de campo sujo em bom estado de conservação. Nenhum exemplar foi obtido em áreas dominadas por ambientes antropizados, em coletas na região do entorno do parque (Valdujo et al. 2009). Aparentemente é espécie muito rara e especializada em hábitats campestres, em geral em áreas de planalto, acima de 600 m no Cerrado (´´chapadas´´).  Espécie de tamanho médio, com comprimento rostro-cloacal máximo de 693 mm (Sawaya et al. 2008). No Brasil central foi encontrada em áreas abertas no Cerrado (Thomas & Fernandes 1996, Valdujo & Nogueira 1999, Valdujo et al. 2009, Araujo et al. 2010, Cristiano Nogueira, comunicação pessoal, 2012).

As altas e constantes taxas de perdas de ambientes naturais do Cerrado, em decorrência da expansão agrícola (conversão de áreas naturais em pastagem e plantio em larga escala de monoculturas), constituem uma ameaça importante a esta espécie. Nos últimos dez anos houve um declínio de 30,5% da área de ocupação da espécie, calculada com base nos remanescentes campestres de Cerrado dentro da distribuição potencial (Maxent, limite de corte de 10% das presenças de treinamento).  Considerando o período de 10 anos, que se estima ser maior que o período de três gerações para a espécie, e suas especificidades ecológicas, infere-se que a redução de seu hábitat seja equivalente à redução da população (maior que 30%), sendo que as causas não cessaram.

Não é conhecida nenhuma ação específica para a conservação da espécie.

Estação Ecológica de Santa Bárbara, Parque Nacional das Emas, Área de Proteção Ambiental Corumbataí, Botucatu e Tejupá Perímetro Corumbataí.

Não há recomendações.

Araujo, C.O., Corrêa Filho, D.T. & Sawaya, R.J. 2010. Snake assemblage of Estação Ecológica de Santa Bárbara, SP: a Cerrado remnant in Southeastern Brazil. Biota Neotropica, 10(2): 235-245.

Estado de São Paulo, 2008. Decreto Estadual Nº 53.494 de 2 de outubro de 2008. Declara as Espécies da Fauna Silvestre Ameaçadas, as Quase Ameaçadas, as Colapsadas, as Sobre-explotadas, as Ameaçadas de Sobre-explotação e com dados insuficientes para avaliação no Estado de São Paulo e dá providências correlatas. Diário Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, seção 1, 118 (187).

Nogueira, C. 2010. Philodryas livida. In: IUCN 2012. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2012.2. <www.iucnredlist.org>. (Acesso em: 11/12/2012).

Nogueira, C., Ribeiro, S.R., Costa, G.C. & Colli, G.R. 2011. Vicariance and endemism in a Neotropical savanna hotspot: distribution patterns of Cerrado squamate reptiles. Journal of Biogeography, 38: 1907–1922.

Sawaya, R.J., Marques, O.A.V. & Martins, M. 2008. Composição e história natural das serpentes de Cerrado de Itirapina, São Paulo, sudeste do Brasil. Biota Neotropica, 8 (2): 127-149.

Thomas, R.A. & Fernandes, R. 1996. The systematic status of Platyinion lividum Amaral, 1923 (Serpentes: Colubridae: Xenodontinae). Herpetologica, 52 (2): 271-275.

Valdujo, P.H. & Nogueira, C. 1999. Philodryas livida. Geographic Distribution. Herpetological Review, 30 (1): 55-56.

Valdujo, P.H., Nogueira, C, Baumgarten, L., Rodrigues, F.H.G., Brandão, R.A., Eterovic, A. & Ramos-Neto, M.B. 2009. Squamate Reptiles from Parque Nacional das Emas and Surroundings, Cerrado of Central Brazil. Check List, 5(3): 405–417.

Uetz, P. 2012. Philodryas livida. Reptile Databese. http://reptile-tabase.reptarium.cz/species?genus=Philodryas&species=psammophidea. Acesso do em:10/02/2012.

II Oficina de Avaliação do Estado de Conservação das Serpentes no Brasil

Local e Data da Avaliação:
Iperó-SP, no período de 22 a 26 de outubro de 2012

Facilitador(es):
Márcio Roberto Costa Martins (USP) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio).


Avaliadores:
Adriano Lima Silveira (AMPLO); Antônio Jorge Suzart Argôlo (UESC); Carlos Roberto Abrahão (RAN/ICMBio); Cristiano de Campos Nogueira (MZUSP);  Christine Strüssmann (UFMT); Daniel Loebmann (FURG); Fausto Erritto Barbo (MZUSP); Francisco Luís Franco (Instituto Butantan); Gabriel Corrêa Costa (UFRN); Geraldo Jorge Barbosa de Moura (UFRPE); Hussam El Dine Zaher (MZUSP);  Márcio Borges Martins (UFRGS); Márcio Roberto Costa Martins (USP); Maria Ermelinda do Espírito Santo Oliveira (UFAM); Marinus Steven Hoogmoed (MPEG);  Otavio Augusto Vuolo Marques (Instituto Butantan);  Paulo Gustavo Homem Passos (MN/UFRJ); Renato Silveira Bérnils (UFES); Ricardo Alexandre Kawashita Ribeiro (UFMT); Ricardo Jannini Sawaya (UNIFESP); Thaís Barreto Guedes da Costa (Instituto Butantan).

Colaborador: 

Apoio:
Bruno Ferreto Fiorillo (bolsista, RAN/ICMBio), Cristiano de Campos Nogueira (MZUSP),  Josué Anderson Rêgo Azevedo (bolsista, RAN/ICMBio), Laura Rodrigues Vieira de Alencar (USP), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Vívian Mara Uhlig (RAN/ICMBio) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio).


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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