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Répteis - Stenocercus azureus

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Stenocercus azureus (Müller, 1882), NO BRASIL



Guarino Rinaldi Colli1, Jéssica Fenker Antunes 2, Leonardo Gonçalves Tedeschi1, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Adriano Lima Silveira4, Cristiano de Campos Nogueira5, Diva Maria Borges-Nojosa6, Gabriel Corrêa Costa7, Geraldo Jorge Barbosa de Moura8, Gisele Regina Winck9, Juliana Rodrigues dos Santos Silva10, Laura Verrastro Vinas11, Marco Antônio Ribeiro Júnior12, Marinus Steven Hoogmoed12, Moacir Santos Tinoco13, Patrícia Almeida dos Santos9, Rafael Martins Valadão3, Roberto Baptista de Oliveira14, Teresa Cristina Sauer de Avila Pires12, Vanda Lúcia Ferreira15 e Vanderlaine Amaral de Menezes9
 
1. Universidade de Brasília - UnB
2. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - Bolsista/RAN/ICMBio
3. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4. Museu Nacional – MN/UFRJ
5. Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo - MZUSP
6. Universidade Federal do Ceará - UFC
7. Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN
8. Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
9. Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
10. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - FEMPTEC/RAN/ICMBio
11. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
12. Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
13. Universidade Catolica do Salvador - UCSAL
14. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
15. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS
 

Colli, G. R.; Fenker, J. A.;Tedeschi, L. G;Bataus, Y. S. L; Uhlig, V. M.;Lima, A. S.;Nogueira, C. C.;  Borges-Nojosa, D. M.;Costa, G. C.;Moura, G. J. B.;Winck, G. R.;Silva, J. R. S.;Vinas, L. V.;Ribeiro Júnior, M. A.; Hoogmoed, M. S; Tinoco, M.S.;Santos, P. A.;Valadão, R. M.;Oliveira, R. B.; Avila-Pires, T. C. S.;Ferreira, V. L. & Menezes, V. A.. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Stenocercus azureus (Müller, 1882), no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8173-repteis-stenocercus-azureus

 Stenocercus azureus Guilherme Adams site  Stenocercus azureus
Stenocercus azureus Foto: Guilherme Adams
Elaboração: Leonardo Tedeschi (UnB) e
Uhlig, M.V. (NGeo/RAN/ICMBio), 2013

Ordem:  Squamata
Família: Tropiduridae.

Nomes comuns: Iguaninha-azul; lagarto-das-pedras

Sinonímias:  Tropidocephalus azureus, Liolaemus azureus, Saccodeira azureaProctotretus azureus (Uetz, 2013).

Notas taxonômicas:  Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Em perigo (EN) A2c.

Justificativa:  Stenocercus azureus ocorre no Brasil e no Uruguai, com poucas subpopulações conhecidas. Foi descrita em 1882. É elegível para avaliação regional. No Brasil existem registros para os estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Não há informações disponíveis sobre a sua biologia/ecologia. Os locais onde a espécie foi registrada vêm sofrendo acelerada perda de hábitat (agricultura, parque eólico e silvicultura no Rio Grande do Sul). Além disso, as duas subpopulações do estado de São Paulo e Paraná são registros históricos (década de 30), e provavelmente já não ocorrem mais nesses estados. O registro de uma das subpopulações no Rio Grande do Sul data de 1970, sem mais nenhum registro recente para essa área, a qual se encontra severamente descaracterizada pela agricultura. É possível que esta subpopulação, se ainda existente, esteja em situação crítica. Sendo assim, suspeita-se que entre 50-80% da população da espécie tenha sido reduzida nos últimos 10 anos (maior que três gerações da espécie) (A2c). Deve-se ressaltar que as alterações do hábitat continuam ocorrendo. Por esses motivos, Stenocercus azureus foi categorizada como Em perigo (EN), pelos critérios A2c.

Histórico das avaliações nacionais anteriores:  Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas: 
Internacional:  Não há.
Estaduais: Na lista vermelha do estado de São Paulo a espécie foi avaliada como Em Perigo (EN) B2ab (ii,iii) (Marques et al., 2009) e na lista vermelha do estado do Paraná foi avaliada como Dados insuficientes (DD) (Bérnils et al, 2004).



Stenocercus azureus ocorre no Uruguai e no Brasil, nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Sua presença na Argentina é provável, mas não há espécimes coletados para confirmação (Morais & Martins, 2010; Nogueira & Rodrigues, 2006; Torres-Carvajal, 2004; 2007). Segundo Marques et al. (2009), os registros para as duas subpopulações do estado de São Paulo (Limeira e Itapetininga) são históricos, bem como registros para o Paraná. Sua extensão de ocorrência no Brasil é de 28.187 km2, correspondendo a 33,1% da distribuição global, no entanto são históricos, a espécie nunca mais foi encontrada.

Stenocercus azureus é encontrada pouco frequentemente, parecendo ser naturalmente rara. No estado de São Paulo, as localidades encontram-se muito fragmentadas e com muito poucos remanescentes de vegetação nativa, sugerindo que, se as subpopulações ainda permanecem nesses locais, estas estariam sujeitas ao declínio constante na extensão e qualidade do hábitat (Marques et al., 2009). Não há informações disponíveis sobre variações populacionais nesta espécie. Entretanto, considerando que as localidades do estado de São Paulo são registros históricos (década de 30), e o único registro de uma das subpopulações do estado do Rio Grande do Sul data da década de 1970 (dados de coleção, Fundação Zoobotânica de Porto Alegre), e todas as áreas estão totalmente alteradas (agricultura), há a possibilidade de que essas três subpopulações tenham sido suprimidas dessas localidades. Considera-se que 10 anos é tempo superior a três gerações da espécie. Diante desses fatos, suspeita-se que entre 50-80% da população da espécie tenha sido reduzida em função das perturbações ambientais ocorridas no passado e que ainda perduram.

Caracterizada por sua coloração dorsal azul celeste com manchas negras orladas de branco (Torres-Carvajal, 2007), atinge comprimento rostro-cloacal máximo de 59 mm nos machos e 83 mm nas fêmeas. A postura de ovos é realizada em torno de janeiro, onde fêmeas continham de 6 a 9 ovos oviductuais (Torres-Carvajal et al., 2006; Torres-Carvajal, 2007). Sua biologia é pouco conhecida, no Rio Grande do Sul ocorre em áreas abertas e descontínuas de campos rochosos e tem atividade diurna (Laura Verrastro, comunicação pessoal, 2013). Tomando por base estudos com espécies congêneres, acredita-se que S. azureus se alimente principalmente de artrópodes (Bernils et al., 2004).

A maioria das subpopulações conhecidas se encontra em locais já alterados. No Rio Grande do Sul a maior parte da área de distribuição está sob influência da silvicultura, de parques eólicos e agricultura em geral. Suspeita-se que quatro subpopulações (duas no estado de São Paulo, uma no estado do Paraná e uma do Rio Grande do Sul) já tenham sido extintas devido às atividades agrícolas.

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Anfíbios e Répteis Ameaçados da Região Sul do Brasil (Brasil 2012).

Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã.

Como a espécie é muito pouco conhecida, levantamentos de fauna e estudos sobre sua distribuição e história natural são necessários para um plano de conservação adequado. Além disso, recomenda-se a inclusão da APA do Ibirapuitã em uma categoria de Unidade de Conservação mais restritiva.

BERNILS, R. S.; MOURA-LEITE, J. C.; MORATO, S. A. Répteis. In: MIKICH, S. B. B., R. S. (Ed.). Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no estado do Paraná. Curitiba: Instituto Ambiental do Paraná, p.764, 2004.

MARQUES, O. A. V.  et al. Répteis. In: BRESSAN, P. M. K., M, C. M. SUGIEDA, A. M. (Ed.). Fauna Ameaçada de extinção no  estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo: Fundação Parque Zoológico de São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente, 2009.

MORAIS, S. M. R. D.; MARTINS, M. B. Levantamento da taxocenose de Squamata em uma área de pampa em Santana do Livramento, RS, Brasil. 2010. Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Biociências.

NOGUEIRA, C.; RODRIGUES, M. T. The genus Stenocercus (Squamata: Tropiduridae) in extra-amazonian Brazil, with the description of two new species. South American Journal of Herpetology, v. 1, n. 3, p. 149-165, 2006.

TORRES-CARVAJAL, O. Stenocercus azureus (NCN). Reproduction. Herpetological Review, v. 35, n. 2, p. 172, June 2004

TORRES-CARVAJAL, O. A taxonomic revision of South American Stenocercus (Squamata: Iguania) lizards. Herpetological Monographs, v. 21, n. 1, p. 76-178, 2007.

TORRES-CARVAJAL, O.; SCHULTE, J. A.; CADLE, J. E. Phylogenetic relationships of South American lizards of the genus Stenocercus (Squamata: Iguania): A new approach using a general mixture model for gene sequence data. Molecular Phylogenetics and Evolution, v. 39, p. 171-185, 2006.

UETZ, P.. Stenocercus azureus. Reptile Databese. http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus= Stenocercus &species= azureus . Acesso em :10/04/2013.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Lagartos no Brasil

Local e Data da Avaliação: Iperó - SP, no período de 7 a 11 de outubro de 2013.

Facilitador(es): Marina Palhares de Almeida (COABIO/ICMBio) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)

Avaliadores:
Adriano Lima Silveira (MN/UFRJ), Cristiano de Campos Nogueira (MZUSP), Diva Maria Borges-Nojosa (UFC), Gabriel Corrêa Costa (UFRGN), Geraldo Jorge Barbosa de Moura (UFRPE), Gisele Regina Winck  (UERJ), Guarino Rinaldi Colli  (UnB), Juliana Rodrigues dos Santos Silva  (FEMPTEC/RAN/ICMBio), Laura Verrastro Vinas (UFRGS), Marco Antônio Ribeiro Júnior (MPEG), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Moacir Santos Tinoco (UCSAL), Patrícia Almeida dos Santos (UERJ), Rafael Martins Valadão  (RAN/ICMBio), Roberto Baptista de Oliveira (PUCRS), Teresa Cristina Sauer de Avila Pires (MPEG), Vanda Lúcia Ferreira (UFMS), Vanderlaine Amaral de Menezes (UERJ).

Colaborador(es): Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília  (CHUNB) e Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO/ICMBio).

Apoio: Jéssica Fenker Antunes (Bolsista/RAN/ICMBio), Leonardo Gonçalves Tedeschi (UnB), Nadya Lima (Bolsista/RAN/ICMBio), Rafael Martins Valadão (RAN/ICMBio), Guarino Rinaldi Colli (UnB),
Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Juliana Rodrigues dos Santos Silva  (FEMPTEC/RAN/ICMBio) e Vera Lúcia Ferreira Luz (RAN/ICMBio).


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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