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Répteis - Placosoma cipoense

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Placosoma cipoense Cunha, 1966, NO BRASIL



Guarino Rinaldi Colli1, Jéssica Fenker Antunes 2, Leonardo Gonçalves Tedeschi1, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Adriano Lima Silveira4, Cristiano de Campos Nogueira5, Diva Maria Borges-Nojosa6, Gabriel Corrêa Costa7, Geraldo Jorge Barbosa de Moura8, Gisele Regina Winck9, Juliana Rodrigues dos Santos Silva10, Laura Verrastro Vinas11, Marco Antônio Ribeiro Júnior12, Marinus Steven Hoogmoed12, Moacir Santos Tinoco13, Patrícia Almeida dos Santos9, Rafael Martins Valadão3, Roberto Baptista de Oliveira14, Teresa Cristina Sauer de Avila Pires12, Vanda Lúcia Ferreira15 e Vanderlaine Amaral de Menezes9
 
1. Universidade de Brasília - UnB
2. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - Bolsista/RAN/ICMBio
3. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4. Museu Nacional – MN/UFRJ
5. Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo - MZUSP
6. Universidade Federal do Ceará - UFC
7. Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN
8. Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
9. Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
10. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - FEMPTEC/RAN/ICMBio
11. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
12. Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
13. Universidade Catolica do Salvador - UCSAL
14. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
15. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS
 

Colli, G. R.; Fenker, J. A.;Tedeschi, L. G;Bataus, Y. S. L; Uhlig, V. M.;Lima, A. S.;Nogueira, C. C.;  Borges-Nojosa, D. M.;Costa, G. C.;Moura, G. J. B.;Winck, G. R.;Silva, J. R. S.;Vinas, L. V.;Ribeiro Júnior, M. A.; Hoogmoed, M. S; Tinoco, M.S.;Santos, P. A.;Valadão, R. M.;Oliveira, R. B.; Avila-Pires, T. C. S.;Ferreira, V. L. & Menezes, V. A.. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Placosoma cipoense Cunha, 1966, no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8316-repteis-placosoma-cipoense

 Placosoma cipoense Mauro Teixeira Jr site  Placosoma cipoense
Placosoma cipoense Foto: Mauro Teixeira Jr
Elaboração: Leonardo Tedeschi (UnB) e
Uhlig, M.V. (NGeo/RAN/ICMBio), 2013

Ordem:  Squamata
Família:  Gymnophthalmidae.

Nomes comuns:  Lagartinho-do-cipó. Cunha's Brazilian Lizard (Uétz, 2013).

Sinonímias:  Não há.

Notas taxonômicas:  Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Em perigo (EN) B1ab(iii).

Justificativa:  Placosoma cipoense é endêmica do Brasil, da região sudeste, ocorre no estado de Minas Gerais em Campos Rupestres (Bioma Cerrado), na Serra do Espinhaço. Trata-se de espécie rara (difícil detecção),  há mais de 10 anos não era encontrada, porém, em 2011, houve registro para o Parque Nacional (PARNA) da Serra do Cipó e em 2013 para o Parque Estadual  (PAREST) do Pico do Itambé. Atualmente são conhecidos sete indivíduos encontrados na natureza. Sua extensão de ocorrência calculada é de 664km2 (B1). É possível pensar que a espécie encontra-se em menos de cinco localizações (a), pois o PARNA da Serra do Cipó e o PAREST do Morro do Intendente sofrem anualmente com incêndios, muitas vezes criminosos (manejo de fogo voltado para agricultura) propiciando a erosão solo, consequentemente fragmentação do hábitat, no PAREST da Serra do Pico do Itambé o ambiente é impactado (fragmentado) pelo pisoteio do gado introduzido ilegalmente e na Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira a maior ameaça à espécie é a expansão urbana. Essas perturbações, também ocorrem fora das Unidades de Conservação, e contribuem para o declínio continuado da qualidade do hábitat [b(iii)]. Por essas razões, Placosoma cipoense foi avaliada como Em perigo (EN) pelo critério B1ab(iii).


Histórico das avaliações nacionais anteriores:  Na Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção, a espécie foi avaliada como Em perigo (EN) B1ab(i)+2ab(ii) (MMA, 2003; Machado et al., 2008).

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Novas ou melhores informações disponíveis.

Avaliações em outras escalas: 
Internacional:  Não há.
Estaduais: Na lista vermelha do estado de Minas Gerais a espécie foi classificada como Vulnerável (VU) B1ab(iii) (Biodiversitas 2008).



Placosoma cipoense é endêmica do Brasil. Conhecida do estado Minas Gerais na região da Serra do Cipó (que faz parte da Serra do Espinhaço) (Relatórios de atividades do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade – SISBio, 2013; Cunha, 1966; Machado et al., 2008). Sua extensão de ocorrência é de 664 km2, calculada via mínimo polígono convexo formado a partir dos pontos de registro. Tendo em vista que se trata de um polígono tão pequeno e que a espécie ficou tanto tempo sem registro, é importante destacar as localidades do primeiro registro (PAREST Serra do Intendente) das dos mais recentes (em 2011, para o PARNA Serra do Cipó e em 2013 para o PAREST do Pico do Itambé).

Não há informações disponíveis sobre abundância para esta espécie. Aparentemente, trata-se de espécie rara (difícil detecção). Atualmente são conhecidos sete indivíduos encontrados na natureza (Hugo Bonfim, comunicação pessoal, 2014).

Atinge comprimento rostro-cloacal máximo de 80 mm. Exemplares coletados foram encontrados sob troncos ou em frestas de pedras, em regiões de Campos Rupestres (bioma Cerrado), sem vegetação arbustiva ou próximas às matas de galeria baixas, na região da serra do Espinhaço e adjacências. Ocorre entre 900 e 1.200 m de altitude (Martins & Molina, 2008). Os indivíduos coletados durante as ações de implementação do Plano de Ação da Herpetofauna do Espinhaço, no Parque Nacional (PARNA) da Serra do Cipó e Parque Estadual (PAREST) da Serra do Pico do Itambé, os registros da espécie foram em Campo Rupestre acima de 1.300 metros de altitude, próximos à pequenas nascentes e córregos (Hugo Bonfim, comunicação pessoal, 2014).

A alteração do hábitat, caudada pelo fogo frequente, destruição, descaracterização e fragmentação das matas e campos rupestres representa a ameaça mais imediata à conservação da espécie (Martins & Molina, 2008).  No Parque Nacional (PARNA) da Serra do Cipó a espécie sofre com a constante  perda de habitat, como consequências dos incêndios, muitas vezes criminosos, que deixam o solo exposto sujeito a erosão (os campos rupestres são ambientes frágeis e de baixa resiliência). Um ano após a ocorrência do grande incêndio de 2012, a espécie não foi mais detectada no local onde havia sido encontrada 2011. No Parque Estadual (PAREST) da Serra do Pico do Itambé, a presença ilegal e intensa de gado na Unidade de Conservação tem ocasionado fragmentação dos campos rupestres. No PAREST da Serra do Intendente, a fragmentação decorrente de incêndios criminosos e outras ações antrópicas é uma ameaça constante à preservação da espécie.
Outras ameaças como a expansão urbana e autorizações de construções em áreas de campo rupestre na Área de Proteção Ambiental (APA) do Morro da Pedreira colocam a espécie em risco. Por exemplo, a degradação ocorrida na região da Cabeça de Boi (face leste da Serra do Espinhaço na APA do Morro da Pedreira) através da abertura indiscriminada de estradas em área de campo rupestre e de intensa ocorrência de nascentes, para o parcelamento da área com intenção de venda de chácaras. Essa atitude deu início ao preocupante processo de erosão deste ambiente frágil e de baixa resiliência. Atividades crescentes de mineração em áreas próximas ou contínuas às áreas de ocorrência do P. cipoense também causam forte impacto ao ambiente (Hugo Bonfim, comunicação pessoal, 2014).

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Répteis e Anfíbios Ameaçados de Extinção na Serra do Espinhaço (Brasil 2012).

Parque Nacional da Serra do Cipó, Área de Proteção Ambiental Serra do Intendente, Parque Natural Municipal de Piraputangas, Parque Natural Municipal Ribeirão do Campo e Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira. Parque estadual da Serra do Pico do Itambé

Segundo Martins & Molina (2008), a proteção de ambientes de altitude como a serra do Espinhaço é essencial para a conservação da espécie, bem como iniciativas de conservação, como projetos de educação ambiental no Parque Nacional Serra do Cipó. Por ser uma espécie pouco conhecida, novos estudos com sua distribuição, ecologia e história natural são necessários.

BIODIVERSITAS. Listas vermelhas das espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção em Minas Gerais. 2008. Disponível em: <www.biodiversitas.org.br/publicacoes>. Acesso em: 10/3/2013.

BRASIL. Portaria nº 24, de 17 de fevereiro de 2012. Diário Oficial da União. Edição nº 36, Seção 1, 22 de fevereiro de 2012.

CUNHA, O. R. D. Sobre uma nova espécie de lagarto do estado de Minas Gerais Placosoma cipoense sp. n. (Lacertilia, Teiidae). Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, v. 61, p. 1-11, 1966.

Instituto Chico Mendes de Biodiversidade. Relatórios de atividades do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade – SISBio, disponibilizado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), 2013.

MACHADO, A. B. M.; DRUMMOND, G. M. & PAGLIA, A. P. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Belo Horizonte: Ministério do Meio Ambiente, Fundação Biodiversitas, v. IIp. 1420.2008.

MMA (Ministério do Meio Ambiente). Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. Instrução Normativa n°. 3, de 27 de maio de 2003. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF.2003.

UÉTZ, P. Placosoma cipoense. Reptile Database. http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus= Placosoma &species= cipoense. Acesso em :10/022013.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Lagartos no Brasil

Local e Data da Avaliação: Iperó - SP, no período de 7 a 11 de outubro de 2013.

Facilitador(es): Marina Palhares de Almeida (COABIO/ICMBio) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)

Avaliadores:
Adriano Lima Silveira (MN/UFRJ), Cristiano de Campos Nogueira (MZUSP), Diva Maria Borges-Nojosa (UFC), Gabriel Corrêa Costa (UFRGN), Geraldo Jorge Barbosa de Moura (UFRPE), Gisele Regina Winck  (UERJ), Guarino Rinaldi Colli  (UnB), Juliana Rodrigues dos Santos Silva  (FEMPTEC/RAN/ICMBio), Laura Verrastro Vinas (UFRGS), Marco Antônio Ribeiro Júnior (MPEG), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Moacir Santos Tinoco (UCSAL), Patrícia Almeida dos Santos (UERJ), Rafael Martins Valadão  (RAN/ICMBio), Roberto Baptista de Oliveira (PUCRS), Teresa Cristina Sauer de Avila Pires (MPEG), Vanda Lúcia Ferreira (UFMS), Vanderlaine Amaral de Menezes (UERJ).

Colaborador(es): Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília  (CHUNB) e Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO/ICMBio).

Apoio: Jéssica Fenker Antunes (Bolsista/RAN/ICMBio), Leonardo Gonçalves Tedeschi (UnB), Nadya Lima (Bolsista/RAN/ICMBio), Rafael Martins Valadão (RAN/ICMBio), Guarino Rinaldi Colli (UnB),
Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Juliana Rodrigues dos Santos Silva  (FEMPTEC/RAN/ICMBio) e Vera Lúcia Ferreira Luz (RAN/ICMBio).


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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