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Répteis - Leposoma baturitensis

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Leposoma baturitensis Rodrigues & Borges, 1997, NO BRASIL



Guarino Rinaldi Colli1, Jéssica Fenker Antunes 2, Leonardo Gonçalves Tedeschi1, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Adriano Lima Silveira4, Cristiano de Campos Nogueira5, Diva Maria Borges-Nojosa6, Gabriel Corrêa Costa7, Geraldo Jorge Barbosa de Moura8, Gisele Regina Winck9, Juliana Rodrigues dos Santos Silva10, Laura Verrastro Vinas11, Marco Antônio Ribeiro Júnior12, Marinus Steven Hoogmoed12, Moacir Santos Tinoco13, Patrícia Almeida dos Santos9, Rafael Martins Valadão3, Roberto Baptista de Oliveira14, Teresa Cristina Sauer de Avila Pires12, Vanda Lúcia Ferreira15 e Vanderlaine Amaral de Menezes9
 
1. Universidade de Brasília - UnB
2. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - Bolsista/RAN/ICMBio
3. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4. Museu Nacional – MN/UFRJ
5. Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo - MZUSP
6. Universidade Federal do Ceará - UFC
7. Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN
8. Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
9. Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
10. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - FEMPTEC/RAN/ICMBio
11. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
12. Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
13. Universidade Catolica do Salvador - UCSAL
14. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
15. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS
 

Colli, G. R.; Fenker, J. A.;Tedeschi, L. G;Bataus, Y. S. L; Uhlig, V. M.;Lima, A. S.;Nogueira, C. C.;  Borges-Nojosa, D. M.;Costa, G. C.;Moura, G. J. B.;Winck, G. R.;Silva, J. R. S.;Vinas, L. V.;Ribeiro Júnior, M. A.; Hoogmoed, M. S; Tinoco, M.S.;Santos, P. A.;Valadão, R. M.;Oliveira, R. B.; Avila-Pires, T. C. S.;Ferreira, V. L. & Menezes, V. A.. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Leposoma baturitensis Rodrigues & Borges, 1997, no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio.

 Leposoma baturitensis Daniel Loebmann site  Leposoma baturitensis
Leposoma baturitensis Foto: Daniel Loebmann
Elaboração: Leonardo Tedeschi (UnB) e
Uhlig, M.V. (NGeo/RAN/ICMBio), 2013

Ordem:  Squamata
Família:  Gymnophthalmidae.

Nomes comuns:  Desconhecidos.

Sinonímias:  Não há.

Notas taxonômicas:  Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Em Perigo (EN) B2ab(iii).

Justificativa: Leposoma baturitensis é endêmica do Brasil, restrita aos brejos-de-altitude (Serra de Baturité, Serra de Maranguape e Planalto da Ibiapaba), áreas florestadas relictuais de Mata Atlântica no estado do Ceará, no semiárido da Caatinga. Tomando-se por base as áreas dos brejos, estima-se que sua área de ocupação  seja de 457,1 km2(B2), podendo ser ainda menor. Devido ao alto nível de desmatamento, principalmente por conta do cultivo de monoculturas de banana e chuchu e da expansão imobiliária, essas regiões sofrem declínio contínuo da qualidade do hábitat [b(iii)]. São reconhecidas duas localizações, cujas subpopulações disjuntas podem ser consideradas severamente fragmentadas pela fragmentação do hábitat (a). Por esses motivos, Leposoma baturitensis foi categorizada como Em perigo (EN), pelo critério B2ab(iii).

Histórico das avaliações nacionais anteriores:  Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso.

Avaliações em outras escalas:  Não há.
Internacional: 
Estaduais: 



Leposoma baturitensis é endêmica do Brasil, restrita aos brejos-de-altitude (Serra de Baturité, Serra de Maranguape e Planalto da Ibiapaba), áreas florestadas relictuais de Mata Atlântica no estado do Ceará, semiárido da Caatinga. Sua localidade tipo é na Serra do Baturité, município de Pacoti, a 800 m de elevação (Borges-Nojosa & Caramaschi, 2003; Pellegrino et al., 2011). Sua área de ocupação é de 457,1 km2, tomando por base as áreas de brejos de altitude do Ceará, a partir de um recorte considerando a altitude acima de 800m com base em dados em formato raster de 30 arc segundos de resolução disponibilizados pelo WorldClim (2013). Porém, acredita-se que seja ainda menor.

Não existem informações sobre sua população, mas segundo Borges-Nojosa (2007) é considerada rara, e suas subpopulações são naturalmente fragmentadas, porém, devido às  fortes perturbações antrópicas nessas áreas, suas subpopulações estão ainda mais fragmentadas (isoladas).

Esta espécie é endêmica do semiárido do bioma Caatinga, ocorrendo em brejos-de-altitude áreas florestadas relictuais de Mata Atlântica. Sabe-se muito pouco sobre seus aspectos ecológicos, mas pode ser encontrada em áreas perturbadas nos espaços entre as raízes de bananeiras (Borges-Nojosa, 2007), e em florestas primárias e secundárias forrageando na serrapilheira durante o dia (Rodrigues & Borges, 1997; Roberto & Albano, 2012). É uma espécie rara em todas as áreas de ocorrência (Borges-Nojosa & Caramaschi, 2003; Borges-Nojosa, 2007). Atinge comprimento rostro-cloacal máximo de 35 mm e 76 mm de cauda (Rodrigues, 1997; Rodrigues & Borges, 1997). É caracterizada por uma única escama frontonasal, ventrais lanceoladas e grânulos cônicos na lateral do pescoço. Apresenta dimorfismo sexual, onde o macho apresenta o ventre e os flancos marrom escuro, enquanto a fêmea tem o ventre creme, com tom avermelhado, e dorso castanho (Rodrigues & Borges, 1997). Foi observado uma fêmea com dois ovos bem desenvolvidos em seu abdômen. Após a coleta, os ovos foram depositados (8,0 x 5,8 mm e 8,2 x 6,0 mm), mas não eclodiram. Esta ovoposição ocorreu no meio da estação chuvosa (Roberto & Albano, 2012).

Mesmo que os brejos de altitudes sejam considerados áreas prioritárias para a conservação da Caatinga, estes vêm sofrendo altos níveis de desmatamento, principalmente por conta das monoculturas de banana e chuchu e da ocupação humana (loteamentos) (Rodrigues & Borges, 1997), acentuando a fragmentação dos ambientes e consequentemente das subpopulações da espécie (isolamento genético).

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para Conservação da Herpetofauna Ameaçada da Mata Atlântica Nordestina (Brasil 2013).

Área de Proteção Ambiental da Serra de Baturité.

Os pesquisadores alertam para a necessidade urgente de estudos sobre biologia, ecologia e monitoramento da fauna de lagartos endêmicos destes enclaves montanhosos florestais do Nordeste. Destacam que medidas de conservação eficazes são necessárias para manutenção da biodiversidade local, em face aos altos índices de desmatamento nestas áreas.

BORGES-NOJOSA, D.; CARAMASCHI, U. Composição e análise comparativa da diversidade e das afinidades biogeográficas dos lagartos e anfisbenídeos (Squamata) dos brejos nordestinos. In: LEAL, I.; SILVA, J.M.C.; TABARELLI, M. (Orgs.) Ecologia e conservação da Caatinga. Universidade Federal de Pernambuco, Recife, p. 489-540, 2003.

BORGES-NOJOSA, D.M. Diversidade de Anfíbios e Répteis da Serra de Baturité, Ceará. In: OLIVEIRA, T.S.; ARAUJO, F.S. (Eds) Diversidade e Conservação da Biota na Serra de Baturité, Ceará. Edições UFC, Fortaleza, p.225-247, 2007.

BRASIL Portaria ICMBio nº. 200 de 1° de Julho de 2013. Diário Oficial da União. Edição nº 125/2013, Seção 1, terça-feira, 02 de julho de 2013.

PELLEGRINO, K. C. M. et al. Molecular phylogeny, biogeography and insights into the origin of parthenogenesis in the Neotropical genus Leposoma (Squamata: Gymnophthalmidae): Ancient links between the Atlantic Forest and Amazonia. Molecular Phylogenetics and Evolution, v. 61, n. 2, p. 446-459, Nov 2011.

ROBERTO, I. J.; ALBANO, C. Aspects of the clutch size and oviposition period of Leposoma baturitensis (Squamata: Gymnophthalmidae). Herpetology Notes, v.5, p.445-446, 2012.

RODRIGUES, M. T. A new species of Leposoma (Squamata: Gymnophthalmidae) from the Atlantic forest of Brazil. Herpetologica, v. 53, n. 3, p. 383-389, 1997.

RODRIGUES, M. T.; BORGES, D. M. A new species of Leposoma (Squamata: Gymnophthalmidae) from a relictual forest in semiarid northeastern Brazil. Herpetologica, v. 53, n. 1, p. 1-6, 1997.

WORLDCLIM.  The 30 arc-seconds resolution WorldClim data. Disponível em: http://www.worldclim.org/tiles.php?Zone=23. Acesso em 05/06/2013.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Lagartos no Brasil

Local e Data da Avaliação: Iperó - SP, no período de 7 a 11 de outubro de 2013.

Facilitador(es): Marina Palhares de Almeida (COABIO/ICMBio) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)

Avaliadores:
Adriano Lima Silveira (MN/UFRJ), Cristiano de Campos Nogueira (MZUSP), Diva Maria Borges-Nojosa (UFC), Gabriel Corrêa Costa (UFRGN), Geraldo Jorge Barbosa de Moura (UFRPE), Gisele Regina Winck  (UERJ), Guarino Rinaldi Colli  (UnB), Juliana Rodrigues dos Santos Silva  (FEMPTEC/RAN/ICMBio), Laura Verrastro Vinas (UFRGS), Marco Antônio Ribeiro Júnior (MPEG), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Moacir Santos Tinoco (UCSAL), Patrícia Almeida dos Santos (UERJ), Rafael Martins Valadão  (RAN/ICMBio), Roberto Baptista de Oliveira (PUCRS), Teresa Cristina Sauer de Avila Pires (MPEG), Vanda Lúcia Ferreira (UFMS), Vanderlaine Amaral de Menezes (UERJ).

Colaborador(es): Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília  (CHUNB) e Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO/ICMBio).

Apoio: Jéssica Fenker Antunes (Bolsista/RAN/ICMBio), Leonardo Gonçalves Tedeschi (UnB), Nadya Lima (Bolsista/RAN/ICMBio), Rafael Martins Valadão (RAN/ICMBio), Guarino Rinaldi Colli (UnB),
Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Juliana Rodrigues dos Santos Silva  (FEMPTEC/RAN/ICMBio) e Vera Lúcia Ferreira Luz (RAN/ICMBio).


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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